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Por São Pio X
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Qual a festa que se celebra na quinta-feira depois da festa da Santíssima Trindade?
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Na quinta-feira depois da festa da Santíssima Trindade celebra-se a solenidade do Santíssimo Sacramento, ou do Corpo de Deus: Corpus Christi.
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Não se celebra a instituição do Santíssimo Sacramento na Quinta-Feira Santa?
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A Igreja celebra na Quinta-Feira Santa a instituição do Santíssimo Sacramento; mas, como então está ocupada principalmente em cerimônias de luto, pela Paixão de Jesus Cristo, julgou conveniente instituir outra festa particular para honrar este mistério com plena alegria.

De que maneira poderemos nós honrar o mistério que se celebra na festa do Corpo de Deus?

Para honrar o mistério que se celebra na festa do Corpo de Deus, devemos: 1º receber com particular devoção e fervor a sagrada Comunhão, e agradecer com todo o afeto do coração a Jesus Cristo, que quis dar-Se a cada um de nós neste Sacramento; 2º assistir nesta solenidade, e em toda a oitava, se se puder, aos ofícios divinos, particularmente ao Santo Sacrifício da Missa, e fazer frequentes visitas a Jesus, velado sob as espécies sacramentais.
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Por que na festa do Corpo de Deus se leva solenemente a Santíssima Eucaristia em procissão?
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Na festa do Corpo de Deus leva-se solenemente a Santíssima Eucaristia em procissão: 1º para honrar a Humanidade Santíssima de Nosso Senhor, escondido sob as espécies sacramentais; 2º para reavivar a fé, e aumentar a devoção dos fiéis para com este mistério; 3º para celebrar a vitória que Ele deu à sua Igreja sobre os inimigos do Santíssimo Sacramento; 4º para reparar de algum modo as injúrias que Lhe são feitas pelos inimigos da nossa Religião.
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Como se deve assistir à procissão do Corpo de Deus?
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À procissão do Corpo de Deus deve-se assistir: 1º com grande recolhimento e modéstia, sem ficar olhando para um lado e para outro, nem falando sem necessidade; 2º com intenção de honrar por meio das nossas adorações o triunfo de Jesus Cristo; 3º pedindo-Lhe humildemente perdão pelas comunhões indignas e por todas as outras profanações que se fazem a este divino Sacramento; 4º com sentimentos de fé, de confiança, de amor e de reconhecimento para com Jesus Cristo presente na hóstia consagrada.
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Catecismo Maior de São Pio X. Anápolis: Edições Santo Tomás, 2005, p. 260-262.
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Fonte: SPES

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Pe. Xavier Beauvais
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Artigo “¡Reconquistar! ¿Cómo?”, do R.P. Xavier Beauvais, divulgado na Revista Iesus Christus nº 78 do Distrito da América do Sul da Fraternidade Sacerdotal São Pio X [e publicado no Brasil pelo MJCB – Movimento da Juventude Católica do Brasil].
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Porque “o zelo para a reconquista é primeiro uma obra sobrenatural, temos que apoiar-nos primeiro sobre os meios sobrenaturais”(1), estes mesmos que forjam toda vida cristã, vida que não é outra que uma ascensão permanente e ininterrupta à santidade, pois o essencial é a visão de Deus, o desenvolvimento pleno da graça santificante.
A reconquista passa então pelos meios ordinários dispostos pela Providência, principalmente a vida sacramental.
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A reconquista passa pela prática dos mandamentos de Deus: ou seja, “ver tudo e fazer tudo sob esse ângulo, sob o ângulo das virtudes, o que nos trará um impulso novo, uma perfeição nova: a virtude de justiça para Deus, pelo serviço de Deus e da Igreja, pela adoração, o sacrifício; na temperança, a humildade, a fortaleza, tudo isto coroado pelas virtudes teologais”(2).
Se queremos reconstruir a cristandade, devemos absolutamente voltar a encontrar esse fervor, essa santidade que foi a origem de dita cristandade.
A Cristandade é merecida quando os cristãos combatem. Levemos então esta vida cristã profunda com tudo o que isso implica – de orações, de virtudes e de sacrifícios – para permanecer fiéis.
A crise da Igreja não admite outro remédio que a santidade dos fiéis. Temos que fazer de nossos corações templos sustentados por quatro colunas: a fé, os sacramentos, a oração, os mandamentos. Templos onde deve reinar a Virgem Maria.
Nosso combate pede todas as forças sobrenaturais que são necessárias para lutar contra aquele que quer destruir-nos.
Devemos ser conscientes deste combate dramático, apocalíptico, no qual vivemos, e não minimizá-lo.
“O que é um tradicionalista?”, perguntava Dom Lefebvre em um sermão que pronunciou em São Nicolas do Chardonnet, em Paris, no ano de 1987:
“É aquele que crê, que tem a fé e que quer que esta fé seja íntegra. Também é aquele que se esforça com todo o seu coração, com toda a sua alma, por observar a Lei de Deus e os preceitos do Evangelho para ser conformes à vontade de Deus”.
“Se esforça então por evitar o pecado, que considera como o mal de sua alma. Mas sabe que é débil, que tem necessidade de todos os socorros que o Bom Deus transmitiu por intermédio de sua Igreja: os sacramentos, e em particular o Santo Sacrifício da Missa e a devoção à Santíssima Virgem”.
“Mudar os homens seria uma obra muito decepcionante se não fosse acompanhada primeiro com um trabalho essencial no fundo de nossas almas”(3). O essencial de nossa vida cristã permanecerá sempre no amor de Deus, e esse amor deve ser tudo para nosso coração, será a luz de nossa inteligência.
Trata-se de amar a Deus acima de tudo, simplesmente, e este amor é terrivelmente exigente.
Quando se descuida da verdade evangélica, quando se abandona a virtude e a vida cristã à qual o Divino Redentor chama todos os homens; então, tudo cai por terra, tudo vacila, e cedo ou tarde tudo perece miseravelmente.
batismo nos alistou em uma milícia: a milícia de Jesus Cristo.
crisma nos deu as armas necessárias para o combate.
confissão reparará nossas almas ao mesmo tempo que nos dará ”fortaleza e vigilância para discernir as tentações e combatê-las”(4).
Reconquistar nossas almas pela confissão!
“Os pecados que chamamos leves, não os tenha por inofensivos, diz Santo Agostinho; se os tem por inofensivos quando os pesa, treme quando os conta. Qual é nossa esperança? Primeiro a confissão, depois, a dileção”.
Uma boa confissão é uma vida nova que começa.
Confessar-se é esvaziar seu coração de todo outro amor que não seja o de Deus.
Tenham em suas consciências a inquietude de Deus. Vejam esses corações, sujos com torpezas, atos sórdidos, faltas leprosas que deixam boiar no olhar luzes que não enganam.
As quedas finais, as que liquidaram tudo: a decência, o pudor, o respeito por si mesmo, por seu corpo, por sua palavra, e Deus com todo o resto, não são mais que o resultado de centenas de pequenas renúncias prévias.
“Carregados com paixões, com debilidades e com faltas, um se cansa, outro cede, e se diz que não chegará nunca a tirar de cima esse odor de barro e de pecado que nos acompanha”(5).
Como? Não renunciaremos! Que maior misericórdia que o sacramento da penitência!
“Em cada queda nos levantaremos”, e de joelhos, diante de Jesus Cristo na pessoa do sacerdote, nosso pai, confessaremos humildemente nossas faltas, ”decididos” com a força desse sacramento ”a ser tão mais vigilantes quanto mais débeis nos sintamos”(6).
comunhão nos fará avançar porque fortalece. Se não são fortes, de quem é a culpa? Os senhores dispõem de toda a força que da tal sacramento já que lhes da Aquele mesmo que é a Fortaleza.
O grande meio de entrar no caminho da perfeição, da santidade é entregar-se a Deus.
Nosso Senhor anda conosco, nos nutre desse sacramento graças ao sacerdotes da Fraternidade São Pio X e os poucos outros, fiéis à Tradição, conservando e aumentando em nós a vida da graça, pois toda alma cristã deve crescer.
Esta santidade extrai-se de sua fonte, da Missa católica, a Missa tridentina, pois somente ela é certamente missionária, apostólica, tão somente ela contém tudo o que pode fazer voltar Deus às almas, e ninguém estranhará ao ver florescer esplêndidas vocações sacerdotais e religiosas nos lares ardentes onde o pai e a mãe acodem a extrair da Missa e da comunhão diária ou quase diária as forças necessárias para renovar seu fervor e sua generosidade.
É dessa Missa que extrairão as graças de fidelidade, de conversão e de salvação. Tenham fé nas graças da Missa. Que espetáculo miserável se dá na maioria de nossos Priorados ao ver a Missa diária inclusive às vezes sem nenhum fiel.
Que a oração tenha seu lugar capital na reconquista. Antes da ação, a oração; durante a ação, a oração, e depois da ação também a oração, pois nossa ação deve proceder de um coração transformado no coração de Jesus Cristo e de Maria. É inútil sonhar com uma elite sem a oração. Toda ação, ainda que política, deve ser o fruto de nossa vida interior; senão, está destinada ao fracasso, tal como comprovamos na política há séculos.
Armemo-nos de nosso terço como de um estilingue, assim como recomendava São Luís Maria a seus missionários:
“arderemos como fogos
lutaremos como cachorros.
Esclareceremos as trevas como verdadeiros sóis,
esmagaremos em todo lugar onde formos
a cabeça da serpente”.
Mais uma vez, não se formam elites sem a oração; dela extraímos nossa convicção de católicos.
Aqueles que conheceram a guerra – dizia Dom Lefebvre – recordar-se-ão de que a gente se punha a rezar quando as bombas começavam a cair. Neste momento, hoje, caem outras bombas, e quantos dos nossos vacilam e morrem sob estas bombas!
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Como reconquistar?
Pela defesa da Verdade
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Isto é ser confessor da fé. É impossível calar-nos, debilitar a Lei de Deus para adaptá-la ao gosto das vontades humanas.
Se queremos defender a verdade, comecemos por localizar-nos na verdade e na humildade.
Um católico orgulhoso de sua fé não pode aceitar a condição de cachorro mudo, pois um cachorro que não late perdeu sua função própria.
Como afirmava Gustavo Corção, ”saibamos latir e saibamos também morder. Tenhamos esse bom olfato para sentir de longe o lobo e o leão que rodeiam o seio da Igreja, buscando a quem devorar.
“Tratemos de farejar de longe o mal hálito dos mercenários que dialogam com o lobo, enquanto este devora tranquilamente as ovelhas.
“Tenhamos o mesmo bom ouvido do cachorro do gramofone, cuja alegria reside no reconhecimento da voz de seu mestre”.
Aos verdadeiros cristãos, aos filhos da luz lhes corresponde reagir contra o  liberalismo, submetendo à verdade a inteligência e todos os atos de nossa vida privada e pública.
Mas se guardamos a Verdade, se rejeitamos as ideologias modernas, é para mantermo-nos em uma passividade farisaica?
As almas morrem de fome e de sede. Cabe a nós fazê-las conhecer a Verdade religiosa que por si só pode satisfazer as almas, mas primeiro devemos conhecê-la nós mesmos.
Na Tradição Católica há uma só doutrina, um pensamento capaz de esclarecer todos os campos da inteligência e do pensamento, capaz de dar-lhes a verdadeira liberdade aos homens, a da vida interior.
Convém que formemo-nos urgentemente na doutrina contra-revolucionária ao invés de resmungar esterilmente contra um mundo que já não anda mais.
Mais uma vez, são sejamos cachorros mudos.
Atrever-se a proclamar a Verdade, atrever-se a proclamar o reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo, isto soa mal diante dos ouvidos do mundo laico, do mundo eclesiástico de hoje. Não é, como se diz: “politicamente correto”; vamos passar por atrasados, surdos, sujos… o que nos importa?
Temos que ganhar os corações por meio da chama da caridade, sim, mas sem esquecermos de esclarecer as inteligências com a luz da verdade.
Há que dizer a verdade com amor, tal como nos é dita. Sim, mas falar com amor não quer dizer falar sem força. O Amor é uma força diante da qual nenhuma força pode resistir: a tudo vence, tudo o atrai.
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Como reconquistar?
Por nosso zelo
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Nosso ardor missionário, ”nosso zelo pela reconquista descansa sobre três coisas que encontramos nos grandes apóstolos”(7):
– O zelo pela glória de Deus, ou o que é o mesmo, ”buscar a glória de Deus em todas as coisas, ou seja, viver na humildade”(8).
Deus faz tudo para sua glória.
Quanto a nós, devemos trabalhar para sua glória, e não para nossa pequena pessoa. Quem somos? pequenos instrumentos nas mãos de Deus!
– O zelo pela nossa santificação. ”O amor de Deus deve ser a alma de nossa vida cristã, o motor de nosso zelo”(9).
Como já dissemos, este zelo é nutrido com a oração, é cultivado por meio dos sacramentos, e a condição para que dê frutos é permanecer unidos a Deus, pois senão, cairemos na esterilidade.
– O zelo pelo dever de estado. ”O que vêem os homens são os frutos que derivam de nossa vida interior: uma vida familiar edificante, uma vida profissional virtuosa (…) A retidão de vida deixará sempre um testemunho”(10).
Deus é quem anima nosso zelo, quando nos diz:
“Tenham confiança, Eu venci o mundo”.
Com tudo isto, nosso zelo apostólico dará frutos.
Comprometamo-nos no apostolado com o coração ardente de amor a Deus, sem medir nossas penas.
Que nosso exemplo sem orgulho disfarçado e sem falsa modéstia, brilhe diante dos olhos dos homens; assim atrairemos mais facilmente os corações a nós mesmos, para assim ganhá-los para Nosso Senhor Jesus Cristo, pois trata-se disto: ganhar as almas tristemente sentadas na sombra da morte.
A opinião aburguesada dos católicos bem instalados não nos interessa; o que nos importa é o bem da família, de nossa Igreja que é a salvação de todos, de aqueles que merecem e desmerecem, de aqueles que querem e de aqueles que não querem se salvar.
Basta com aqueles que veem nossa Igreja se perder e nossa pátria sem encontrar mais remédios que falar sobre a necessidade de remediar tal situação. Atuemos! Senão, vamos cair em uma espécie de romanticismo que alguém definia como um suicídio cotidiano diante de um espelho.
“Quando desaparecem os santos, aparecem os afeminados. Quando desaparecem as conquistas, chegam as contas da administração. Quando desaparecem os guerreiros, aparecem os políticos. Quando desaparecem os fundadores, aparecem os preceptores”(11).
Então, a reconquista por meio do apostolado é para reaprender a conhecer Jesus Cristo, a quem tudo devemos.
A todos aqueles que perderam seu caminho, a todos aqueles que erram, que morrem, saibamos nutri-los de Jesus Cristo, de nossa doutrina.
Temos uma missão: reconquistar as almas, arrancando-as do pecado. Ganhem-nas! Mas para isto, preserve-se das armadilhas que o demônio e o mundo não cessarão de pôr sob nossos passos.
Missão grandiosa!
Há um grande erro em querer opor a santificação pessoal à obra do apostolado da salvação das almas. São duas atividades complementares, tão unidas, que me atrevo a dizer que não se pode progredir em uma sem fazer a outra.
“Aquele que não tem zelo não ama”, dizia Santo Agostinho. De fato, o amor é conquistador. É porque ama Deus acima de tudo que o sacerdote tem uma alma de conquistador, e a um nível inferior mas real, todos aqueles que tomaram mulher sabem quão conquistador é o amor.
“Se a verdade que possuem permanecesse neles como um objeto de contemplação em vista de uma alegria espiritual, não serviria para a causa da paz. A verdade deve ser vivida, comunicada, aplicada em todos os campos da vida”(12).
Que nossa reconquista reflita a de Deus, que seja tão esclarecedora e vivificante, como generosa e amante.
“A Igreja é militante, e então é uma luta contínua. Esta luta faz do mundo um verdadeiro campo de batalha e de todo cristão um soldado valente que combate sob o estandarte da cruz; com uma mão repele o inimigo, com a outra eleva as paredes do templo e trabalha em santificar-se”(13).
Não existe um sem o outro.
Dêem uma mostra de tenacidade no prosseguimento deste ideal: ganhar os homens para Deus.
Sejam testemunhas de Jesus Cristo em todos os seus atos.
Um soldado não deve ter medo de se cansar por seu chefe. Sem espírito missionário um homem se amorna, se rebaixa e o espírito do mundo nos invade.
Evangelizar é gritar por Jesus Cristo em meio do alvoroço carnavalesco onde cada um faz publicidade e vende sua lamentável mercadoria no grande circo ecumênico de hoje.
Fortes na sua vida interior, poderão e deverão ser essa elite que dá o exemplo, que atrai as massas, uma elite intelectual e espiritual.
Finalmente, não há reconquista possível sem vocações.
Às centenas deveriam se levantar os varões e as mulheres para entrar no serviço exclusivo de Nosso Senhor.
Há uma grande tarefa mais urgente, mais elevada que as mais formosas profissões, há uma vida mais profunda que transmitir que aquela que transmitem os esposos católicos.
Mas não há segredos, afirmava Dom Marcel Lefebvre:
“Em nossas escolas católicas é onde encontraremos os futuros sacerdotes católicos. É claro. E como consequência, em suas famílias católicas com numerosos filhos, ali nascerão as vocações e as futuras famílias cristãs.”
É impossível pensar em uma restauração da sociedade cristã sem a transmissão da sabedoria cristã, sem a formação do espírito e do coração das crianças, que é a razão essencial das escolas que começam a nascer no Distrito (La Reja – Viña del Mar – Anisacate, com as Irmãs Dominicanas).
Há alguma milícia que possa aceitar uma alma batizada mais formosa que a milícia sacerdotal?
“Que se volte ao espírito de vitória, de sacrifício, de união com Nosso Senhor Jesus Cristo no altar, e as vocações florescerão de novo, tornar-se-ão numerosas”, concluía Dom Lefebvre.
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Padre Xavier Beauvais
Antigo superior do Distrito da América do Sul
[e atual diretor espiritual do grupo francês de leigos Civitas]
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(1) R.P. Alain Delagneau, na publicação ”Marchons Droit”.
(2) R.P. François Pivert, no boletim ”Le combat de la foi”.
(3) León Degrelle, de seu livro ”Almas ardendo”.
(4) R.P. Alain Delagneau, op. cit.
(5) León Degrelle, op. cit.
(6) León Degrelle, op. cit.
(7) R.P. Alain Delagneau, op. cit.
(8) R.P. Alain Delagneau, op. cit.
(9) R.P. Alain Delagneau, op. cit.
(10) R.P. Alain Delagneau, op. cit.
(11) Ignacio Braulio Anzoátegui.
(12) Sua Santidade Pio XII.

(13) Sua Santidade Pio XI.

CARTA ENCÍCLICA
MORTALIUM ANIMOS
DO SUMO PONTÍFICE PIO XI
AOS REVMOS. SENHORES PADRES PATRIARCAS,
PRIMAZES, ARCEBISPOS, BISPOS
E OUTROS ORDINÁRIOS DOS LUGARES
EM PAZ E UNIÃO COM A SÉ APOSTÓLICA
SOBRE A PROMOÇÃO DA VERDADEIRA
UNIDADE DE RELIGIÃO


Veneráveis irmãos:
Saúde e Bênção Apostólica.

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1. Ânsia Universal de Paz e Fraternidade

Talvez jamais em uma outra época os espíritos dos mortais foram tomados por um tão grande desejo daquela fraterna amizade, pela qual em razão da unidade e identidade de natureza – somos estreitados e unidos entre nós, amizade esta que deve ser robustecida e orientada para o bem comum da sociedade humana, quanto vemos ter acontecido nestes nossos tempos.

Pois, embora as nações ainda não usufruam plenamente dos benefícios da paz, antes, pelo contrário, em alguns lugares, antigas e novas discórdias vão explodindo em sedições e em conflitos civis; como não é possível, entretanto, que as muitas controvérsias sobre a tranquilidade e a prosperidade dos povos sejam resolvidas sem que exista a concórdia quanto à ação e às obras dos que governam as Cidades e administram os seus negócios; compreende-se facilmente (tanto mais que já ninguém discorda da unidade do gênero humano) porque, estimulados por esta irmandade universal, também muitos desejam que os vários povos cada dia se unam mais estreitamente.

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2. A Fraternidade na Religião. Congressos Ecumênicos

Entretanto, alguns lutam por realizar coisa não dissemelhante quanto à ordenação da Lei Nova trazida por Cristo, Nosso Senhor.

Pois, tendo como certo que rarissimamente se encontram homens privados de todo sentimento religioso, por isto, parece, passaram a Ter a esperança de que, sem dificuldade, ocorrerá que os povos, embora cada um sustente sentença diferente sobre as coisas divinas, concordarão fraternalmente na profissão de algumas doutrinas como que em um fundamento comum da vida espiritual.

Por isto costumam realizar por si mesmos convenções, assembléias e pregações, com não medíocre frequência de ouvintes e para elas convocam, para debates, promiscuamente, a todos: pagãos de todas as espécies, fiéis de Cristo, os que infelizmente se afastaram de Cristo e os que obstinada e pertinazmente contradizem à sua natureza divina e à sua missão.

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3. Os Católicos não podem aprová-lo  

Sem dúvida, estes esforços não podem, de nenhum modo, ser aprovados pelos católicos, pois eles se fundamentam na falsa opinião dos que juogam que quaisquer religiões são, mais ou menos, boas e louváveis, pois, embora não de uma única maneira, elas alargam e significam de modo igual aquele sentido ingênito e nativo em nós, pelo qual somos levados para Deus e reconhecemos obsequiosamente o seu império.

Erram e estão enganados, portanto, os que possuem esta opinião: pervertendo o conceito da verdadeira religião, eles repudiam-na e gradualmente inclinam-se para o chamado Naturalismo e para o Ateísmo. Daí segue-se claramente que quem concorda com os que pensam e empreendem tais coisas afasta-se inteiramente da religião divinamente revelada.

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4. Outro erro. A união de todos os Cristãos. Argumentos falazes  

Entretanto, quando se trata de promover a unidade entre todos os cristãos, alguns são enganados mais facilmente por uma disfarçada aparência do que seja reto.

Acaso não é justo e de acordo com o dever – costumam repetir amiúde – que todos os que invocam o nome de Cristo se abstenham de recriminações mútuas e sejam finalmente unidos por mútua caridade?

Acaso alguém ousaria afirmar que ama a Cristo se, na medida de suas forças, não procura realizar as coisas que Ele desejou, ele que rogou ao Pai para que seus discípulos fossem “UM” (Jo 17,21)?

Acaso não quis o mesmo Cristo que seus discípulos fossem identificados por este como que sinal e fossem por ele distinguidos dos demais, a saber, se mutuamente se amassem: “Todos conhecerão que sois meus discípulos nisto: se tiverdes amor um pelo outro?” (Jo 13,35).

Oxalá todos os cristão fossem “UM”, acrescentam: eles poderiam repelir muito melhor a peste da impiedade que, cada dia mais, se alastra e se expande, e se ordena ao enfraquecimento do Evangelho.

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5. Debaixo desses argumentos se oculta um erro gravíssimo

Os chamados “pancristãos” espalham e insuflam estas e outras coisas da mesma espécie. E eles estão tão longe de serem poucos e raros mas, ao contrário, cresceram em fileiras compactas e uniram-se em sociedades largamente difundidas, as quais, embora sobre coisas de fé cada um esteja imbuído de uma doutrina diferente, são, as mais das vezes, dirigidas por acatólicos.

Esta iniciativa é promovida de modo tão ativo que, de muitos modos, consegue para si a adesão dos cidadão e arrebata e alicia os espíritos, mesmo de muitos católicos, pela esperança de realizar uma união que parecia de acordo com os desejos da Santa Mãe, a Igreja, para Quem, realmente, nada é tão antigo quanto o reconvocar e o reconduzir os filhos desviados para o seu grêmio.

Na verdade, sob os atrativos e os afagos destas palavras oculta-se um gravíssimo erro pelo qual são totalmente destruídos os fundamentos da fé.

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6. A verdadeira norma nesta matéria

Advertidos, pois, pela consciência do dever apostólico, para que não permitamos que o rebanho do Senhor seja envolvido pela nocividade destas falácias, apelamos, veneráveis irmãos, para o vosso empenho na precaução contra este mal. Confiamos que, pelas palavras e escritos de cada um de vós, poderemos atingir mais facilmente o povo, e que os princípios e argumentos, que a seguir proporemos, sejam entendidos por ele pois, por meio deles, os católicos devem saber o que devem pensar e praticar, dado que se trata de iniciativas que dizem respeitos a eles, para unir de qualquer maneira em um só corpo os que se denominam cristãos.

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7. Só uma religião pode ser verdadeira: A revelada por Deus

Fomos criados por Deus, Criador de todas as coisas, para este fim: conhecê-lO e serví-lO. O nosso Criador possui, portanto, pleno direito de ser servido.

Por certo, poderia Deus ter estabelecido apenas uma lei da natureza para o governo do homem. Ele, ao criá-lo, gravou-a em seu espírito e poderia portanto, a partir daí, governar os seus novos atos pela providência ordinária dessa mesma lei. Mas, preferiu dar preceitos aos quais nós obedecêssemos e, no decurso dos tempos, desde os começos do gênero humano até a vinda e a pregação de Jesus Cristo, Ele próprio ensinou ao homem, naturalmente dotado de razão, os deveres que dele seriam exigidos para com o Criador: “Em muitos lugares e de muitos modos, antigamente, falou Deus aos nossos pais pelos profetas; ultimamente, nestes dias, falou-nos por seu Filho” (Heb 1,1 Seg).

Está, portanto, claro que a religião verdadeira não pode ser outra senão a que se funda na palavra revelada de Deus; começando a ser feita desde o princípio, essa revelação prosseguiu sob a Lei Antiga e o próprio crisot completou-a sob a Nova Lei.

Portanto, se Deus falou – e comprova-se pela fé histórica Ter ele realmente falado – não há quem não veja ser dever do homem acreditas, de modo absoluto, em deus que se revela e obedecer integralmente a Deus que impera. Mas, para a glória de Deus e para a nossa salvação, em relação a uma coisa e outra, o Filho Unigênito de Deus instituiu na terra a sua Igreja.

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8. A única religião revelada é a Igreja Católica

Acreditamos, pois, que os que afirma serem cristão, não possam fazê-lo sem crer que uma Igreja, e uma só, foi fundada por Cristo. Mas, se se indaga, além disso, qual deva ser ela pela vontade do seu Autor, já não estão todos em consenso.

Assim, por exemplo, muitíssimos destes negam a necessidade da Igreja de Cristo ser visível e perceptível, pelo menos na medida em que deva aparecer como um corpo único de fiéis, concordes em uma só e mesma doutrina, sob um só magistério e um só regime. Mas, pelo contrário, julgam que a Igreja perceptível e visível é uma Federação de várias comunidades cristãs, embora aderentes, cada uma delas, a doutrinas opostas entre si.

Entretanto, cristo Senhor instituiu a sua Igreja como uma sociedade perfeita de natureza externa e perceptível pelos sentidos, a qual, nos tempos futuros, prosseguiria a obra da reparação do gênero humano pela regência de uma só cabeça (Mt 16,18 seg.; Lc 22,32; Jo 21,15-17), pelo magistério de uma voz viva (Mc 16,15) e pela dispensação dos sacramentos, fontes da graça celeste (Jo 3,5; 6,48-50; 20,22 seg.; cf. Mt 18,18; etc.). Por esse motivo, por comparações afirmou-a semelhante a um reino (Mt, 13), a uma casa (Mt 16,18), a um redil de ovelhas (Jo 10,16) e a um rebanho (Jo 21,15-17).

Esta Igreja, fundada de modo tão admirável, ao Lhe serem retirados o seu Fundador e os Apóstolos que por primeiro a propagaram, em razão da morte deles, não poderia cessar de existir e ser extinta, uma vez que Ela era aquela a quem, sem nenhuma discriminação quanto a lugares e a tempos, fora dado o preceito de conduzir todos os homens à salvação eterna: “Ide, pois, ensinai a todos os povos” (Mt 28,19).

Acaso faltaria à Igreja algo quanto à virtude e eficácia no cumprimento perene desse múnus, quando o próprio Cristo solenemente prometeu estar sempre presente a ela: “Eis que Eu estou convosco, todos os dias, até a consumação dos séculos?” (Mt 28,20).

Deste modo, não pode ocorrer que a Igreja de Cristo não exista hoje e em todo o tempo, e também que Ela não exista hoje e em todo o tempo, e também que Ela não exista como inteiramente a mesma que existiu à época dos Apóstolos. A não ser que desejemos afirmar que: Cristo Senhor ou não cumpriu o que propôs ou que errou ao afirmar que as portas do inferno jamais prevaleceriam contra Ela (Mt 16,18).

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9. Um erro capital do movimento ecumêmico na pretendida união das Igrejas cristãs

Ocorre-nos dever esclarecer e afastar aqui certa opinião falsa, da qual parece depender toda esta questão e proceder essa múltipla ação e conspiração dos acatólicos que, como dissemos, trabalham pela união das igrejas cristãs.

Os autores desta opinião acostumaram-se a citar, quase que indefinidamente, a Cristo dizendo: “Para que todos sejam um”… “Haverá um só rebanho e um só Pastos”(Jo 27,21; 10,16). Fazem-no todavia de modo que, por essas palavras, queriam significar um desejo e uma prece de cristo ainda carente de seu efeito.

Pois opinam: a unidade de fé e de regime, distintivo da verdadeira e única Igreja de Cristo, quase nunca existiu até hoje e nem hoje existe; que ela pode, sem dúvida, ser desejada e talvez realizar-se alguma vez, por uma inclinação comum das vontades; mas que, entrementes, deve existir apenas uma fictícia unidade.

Acrescentam que a Igreja é, por si mesma, por natureza, dividida em partes, isto é, que ela consta de muitas igreja ou comunidades particulares, as quais, ainda separadas, embora possuam alguns capítulos comuns de doutrina, discordam todavia nos demais. Que cada uma delas possui os mesmos direitos, que, no máximo, a Igreja foi única e una, da época apostólica até os primeiros concílios ecumênicos.

Assim, dizem, é necessários colocar de lado e afastar as controvérsias e as antiquíssimas variedade de sentenças que até hoje impedem a unidade do nome cristão e, quanto às outras doutrinas, elaborar e propor uma certa lei comum de crer, em cuja profissão de fé todos se conhecam e se sintam como irmãos, pois, se as múltiplas igrejas e comunidades forem unidas por um certo pacto, existiria já a condição para que os progessos da impiedade fossem futuramente impedidos de modo sólido e frutuoso.

Estas são, Veneráveis Irmãos, as afirmações comuns.

Existem, contudo, os que estabelecem e concedem que o chamado Protestantismo, de modo bastante inconsiderado, deixou de lado certos capítulos da fé e alguns ritos do culto exterior, sem dúvida gratos e úteis, que, pelo contrário, a Igreja Romana ainda conserva.

Mas, de imediato, acrescentam que esta mesma Igreja também agiu mal, corrompendo a religião primitiva por algumas doutrinas alheias e repugnantes ao Evangelho, propondo acréscimos para serem cridos: enumeram como o principal entre estes o que versa sobre o Primado de Jurisdição atribuído a Pedro e a seus Sucessores na Sé Romana.

Entre os que assim pensam, embora não sejam muitos, estão os que indulgentemente atribuem ao Pontífice Romano um primado de honra ou uma certa jurisdição e poder que, entretanto, julgam procedente não do direito divino, mas de certo consenso dos fiéis. Chegam outros ao ponto de, por seus conselhos, que diríeis serem furta-cores, quererem presidir o próprio Pontífice.

E se é possível encontrar muitos acatólicos pregando à boca cheia a união fraterna em Jesus Cristo, entretanto não encontrareis a nenhum deles em cujos pensamentos esteja a submissão e a obediência ao Vigário de Jesus Cristo enquanto docente ou enquanto governante.

Afirmam eles que tratariam de bom grado com a Igreja Romana, mas com igualdade de direitos, isto é, iguais com um igual. Mas, se pudessem fazê-lo, não parece existir dúvida de que agiriam com a intenção de que, por um pacto que talvez se ajustasse, não fossem coagidos a afastarem-se daquelas opiniões que são a causa pela qual ainda vagueiem e errem fora do único aprisco de Cristo.

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10. A Igreja Católica não pode participar de semelhantes reuniões 

Assim sendo, é manifestamente claro que a Santa Sé, não pode, de modo algum, participar de suas assembléias e que, aos católicos, de nenhum modo é lícito aprovar ou contribuir para estas iniciativas: se o fizerem concederão autoridade a uma falsa religião cristã, sobremaneira alheia à única Igreja de Cristo.

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11. A verdade revelada não admite transações   

Acaso poderemos tolerar – o que seria bastante iníquo-, que a verdade e, em especial a revelada, seja diminuída através de pactuações?

No caso presente, trata-se da verdade revelada que deve ser defendida.

Se Jesus Cristo enviou os Apóstolos a todo o mundo, a todos os povos que deviam ser instruídos na fé evangélica e, para que não errassem em nada, quis que, anteriormente, lhes fosse ensinada toda a verdade pelo Espírito Santo, acaso esta doutrina dos Apóstolos faltou inteiramente ou foi alguma vez perturbada na Igreja em que o próprio Deus está presente como regente e guardião?

Se o nosso Redentor promulgou claramente o seu Evangelho não apenas para os tempos apostólicos, mas também para pertencer às futuras épocas, o objeto da fé pode tornar-se de tal modo obscuro e incerto que hoje seja necessários tolerar opiniões pelo menos contrárias entre si?

Se isto fosse verdade, dever-se-ia igualmente dizer que o Espírito Santo que desceu sobre os Apóstolos, que a perpétua permanência dele na Igreja e também que a própria pregação de Cristo já perderam, desde muitos séculos, toda a eficácia e utilidade: afirmar isto é, sem dúvida, blasfemo.

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12. A Igreja Católica: depositária infalível da verdade

Quando o Filho unigênito de Deus ordenou a seus enviados que ensinassem a todos os povos, vinculou então todos os homens pelo dever de crer nas coisas que lhes fossem anunciadas pela “testemunha pré-ordenadas por Deus” (At. 10,41). Entretanto, um e outro preceito de Cristo, o de ensinar e o de crer na consecução da salvação eterna, que não podem deixar de ser cumpridos, não poderiam ser entendidos a não ser que a Igreja proponha de modo íntegro e claro a doutrina evangélica e que, ao propô-la, seja imune a qualquer perigo de errar.

Afastam-se igualmente do caminho os que julgam que o depósito da verdade existe realmente na terra, mas que é necessário um trabalho difícil, com tão longos estudos e disputas para encontrá-lo e possuí-lo que a vida dos homens seja apenas suficiente para isso, com se Deus benigníssimo tivesse falado pelos profetas e pelo seu Unigênito para que apenas uns poucos, e estes mesmos já avançados em idade, aprendessem perfeitamente as coisas que por eles revelou, e não para que preceituasse uma doutrina de fé e de costumes pela qual, em todo o decurso de sua vida mortal, o homem fosse regido.

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13. Sem fé, não há verdadeira caridade 

Estes pancristãos, que empenham o seu espírito na união das igrejas, pareceriam seguir, por certo, o nobilíssimo conselho da caridade que deve ser promovida entre os cristãos. Mas, dado que a caridade se desvia em detrimento da fé, o que pode ser feito?

Ninguém ignora por certo que o próprio João, o Apóstolo da Caridade, que em seu Evangelho parece ter manifestado os segredos do Coração Sacratíssimo de Jesus e que permanentemente costumavas inculcar à memória dos seus o mandamento novo: “Amai-vos uns aos outros”, vetou inteiramente até mesmo manter relações com os que professavam de forma não íntegra e incorrupta a doutrina de Cristo: “Se alguém vem a vós e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem digais a ele uma saudação” (2 Jo. 10).

Pelo que, como a caridade se apóia na fé íntegra e sincera como que em um fundamento, então é necessário unir os discípulos de Cristo pela unidade de fé como no vínculo principal.

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14. União Irracional  

Assim, de que vale excogitar no espírito uma certa Federação cristã, na qual ao ingressar ou então quando se tratar do objeto da fé, cada qual retenha a sua maneira de pensar e de sentir, embora ela seja repugnante às opiniões dos outros?

E de que modo pedirmos que participem de um só e mesmo Conselho homens que se distanciam por sentenças contrárias como, por exemplo, os que afirmam e os que negam ser a sagrada Tradição uma fonte genuína da Revelação Divina?

Como os que adoram a Cristo realmente presente na Santíssima Eucaristia, por aquela admirável conversão do pão e do vinho que se chama transubstanciação e os que afirmam que, somente pela fé ou por sinal e em virtude do Sacramento, aí está presente o Corpo de Cristo?

Como os que reconhecem nela a natureza do Sacrifício e a do Sacramento e os que dizem que ela não é senão a memória ou comemoração da Ceia do Senhor?

Como os que crêem ser bom e útil invocar súplice os Santos que reinam junto de Cristo – Maria, Mãe de Deus, em primeiro lugar – e tributar veneração às suas imagens e os que contestam que não pode ser admitido semelhante culto, por ser contrário à honra de Jesus Cristo, “único mediador de Deus e dos homens”? (1 Tim. 2,5).

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15. Princípio até o indiferentismo e o modernismo

Não sabemos, pois, como por essa grande divergência de opiniões seja defendida o caminho para a realização da unidade da Igreja: ela não pode resultar senão de um só magistério, de uma só lei de crer, de uma só fé entre os cristãos. Sabemos, entretanto, gerar-se facilmente daí um degrau para a negligência com a religião ou o Indiferentismo e para o denominado Modernismo. os que foram miseravelmente infeccionados por ele defendem que não é absoluta, mas relativa a verdade revelada, isto é, de acordo com as múltiplas necessidades dos tempos e dos lugares e com as várias inclinações dos espíritos, uma vez que ela não estaria limitada por uma revelação imutável, mas seria tal que se adaptaria à vida dos homens.

Além disso, com relação às coisas que devem ser cridas, não é lícito utilizar-se, de modo algum, daquela discriminação que houveram por bem introduzir entre o que denominam capítulos fundamentais e capítulos não fundamentais da fé, como se uns devessem ser recebidos por todos, e, com relação aos outros, pudesse ser permitido o assentimento livre dos fiéis: a Virtude sobrenatural da fé possui como causa formal a autoridade de Deus revelante e não pode sofrer nenhuma distinção como esta.

Por isto, todos os que são verdadeiramente de Cristo consagram, por exemplo, ao mistério da Augusta Trindade a mesma fé que possuem em relação dogma da Mãe de Deus concebida sem a mancha original e não possuem igualmente uma fé diferente com relação à Encarnação do Senhor e ao magistério infalível do Pontífice romano, no sentido definido pelo Concílio Ecumênico Vaticano.

Nem se pode admitir que as verdade que a Igreja, através de solenes decretos, sancionou e definiu em outras épocas, pelo menos as proximamente superiores, não sejam, por este motivo, igualmente certas e nem devam ser igualmente acreditadas: acaso não foram todas elas reveladas por Deus?

Pois, o Magistério da Igreja, por decisão divina, foi constituído na terra para que as doutrinas reveladas não só permanecessem incólumes perpetuamente, mas também para que fossem levadas ao conhecimento dos homens de um modo mais fácil e seguro. E, embora seja ele diariamente exercido pelo Pontífice Romano e pelos Bispos em união com ele, todavia ele se completa pela tarefa de agir, no momento oportuno, definindo algo por meio de solenes ritos e decretos, se alguma vez for necessário opor-se aos erros ou impugnações dos hereges de um modo mais eficiente ou imprimir nas mentes dos fiéis capítulos da doutrina sagrada expostos de modo mais claro e pormenorizado.

Por este uso extraordinário do Magistério nenhuma invenção é introduzida e nenhuma coisa nova é acrescentada à soma de verdades que estando contidas, pelo menos implicitamente, no depósito da revelação, foram divinamente entregues à Igreja, mas são declaradas coisas que, para muitos talvez, ainda poderiam parecer obscuras, ou são estabelecidas coisas que devem ser mantidas sobre a fé e que antes eram por alguns colocados sob controvérsia.

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16. A única maneira de unir todos os cristãos

Assim, Veneráveis Irmãos, é clara a razão pela qual esta Sé Apostólica nunca permitiu aos seus estarem presentes às reuniões de acatólicos por quanto não é lícito promover a união dos cristãos de outro modo senão promovendo o retorno dos dissidentes à única verdadeira Igreja de Cristo, dado que outrora, infelizmente, eles se apartaram dela.

Dizemos à única verdadeira Igreja de Cristo: sem dúvida ela é a todos manifesta e, pela vontade de seu Autor, Ela perpetuamente permanecerá tal qual Ele próprio A instituiu para a salvação de todos.

Pois, a mística Esposa de Cristo jamais se contaminou com o decurso dos séculos nem, em época alguma, poderá ser contaminada, como Cipriano o atesta: “A Esposa de Cristo não pode ser adulterada: ela é incorrupta e pudica. Ela conhece uma só casa e guarda com casto pudor a santidade de um só cubículo” (De Cath. Ecclessiae unitate, 6).

E o mesmo santo Mártir, com direito e com razão, grandemente se admirava de que pudesse alguém acreditar que “esta unidade que procede da firmeza de Deus pudesse cindir-se e ser quebrada na Igreja pelo divórcio de vontades em conflito” (ibidem).

Portanto, dado que o Corpo Místico de Cristo, isto é, a Igreja, é um só (1 Cor. 12,12), compacto e conexo (Ef. 4,15), à semelhança do seu corpo físico, seria inépcia e estultície afirmar alguém que ele pode constar de membros desunidos e separados: quem pois não estiver unido com ele, não é membro seu, nem está unido à cabeça, Cristo (Cfr. Ef. 5,30; 1,22).

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17. A obediência ao Romano Pontífice 

Mas, ninguém está nesta única Igreja de Cristo e ninguém nela permanece a não ser que, obedecendo, reconheça e acate o poder de Pedro e de seus sucessores legítimos.

Por acaso os antepassados dos enredados pelos erros de Fócio e dos reformadores não estiveram unidos ao Bispo de Roma, ao Pastor supremo das almas?

Ai! Os filhos afastaram-se da casa paterna; todavia ela não foi feita em pedaços e nem foi destruída por isso, uma vez que estava arrimada na perene proteção de Deus. Retornem, pois, eles ao Pai comum que, esquecido das injúrias antes gravadas a fogo contra a Sé Apostólica, recebê-los-á com máximo amor.

Pois se, como repetem freqüentemente, desejam unir-se Conosco e com os nossos, por que não se apressam em entrar na Igreja, “Mãe e Mestra de todos os fiéis de Cristo” (Conc. Later 4, c.5)?

Escutem a Lactâncio chamado amiúde: “Só… a Igreja Católica é a que retém o verdadeiro culto. Aqui está a fonte da verdade, este é o domicílio da Fé, este é o templo de Deus: se alguém não entrar por ele ou se alguém dele sair, está fora da esperança da vida e salvação. é necessário que ninguém se afague a si mesmo com a pertinácia nas disputas, pois trata-se da vida e da salvação que, a não ser que seja provida de um modo cauteloso e diligente, estará perdida e extinta” (Divin. Inst. 4,30, 11-12).

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18. Apelo às seitas dissidentes

Aproximem-se, portanto, os filhos dissidentes da Sé Apostólica, estabelecida nesta cidade que os Príncipes dos Apóstolos Pedro e Paulo consagraram com o seu sangue; daquela Sede, dizemos, que é “raiz e matriz da Igreja Católica” (S. Cypr., ep. 48 ad Cornelium, 3), não com o objetivo e a esperança de que “a Igreja do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade” (1 Tim 3,15) renuncie à integridade da fé e tolere os próprios erros deles, mas, pelo contrário, para que se entreguem a seu magistério e regime.

Oxalá auspiciosamente ocorra para Nós isto que não ocorreu ainda para tantos dos nossos muitos Predecessores, a fim de que possamos abraçar com espírito fraterno os filhos que nos é doloroso estejam de Nós separados por uma perniciosa dissensão.

Prece a Nosso Senhor e a Nossa Senhora. Oxalá Deus, Senhor nosso, que “quer salvar todos os homens e que eles venham ao conhecimento da verdade”(1 Tim. 2,4) nos ouça suplicando fortemente para que Ele se digne chamar à unidade da Igreja a todos os errantes.

Nesta questão que é, sem dúvida, gravíssima, utilizamos e queremos que seja utilizada como intercessora a Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da graça divina, vencedora de todas as heresias e auxílio dos cristãos, para que Ela peça, para o quanto antes, a chegada daquele dia tão desejado por nós, em que todos os homens escutem a voz do seu Filho divino, “conservando a unidade de espírito em um vínculo de paz” (Ef. 4,3).

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19. Conclusão e Bênção Apostólica  

Compreendeis, Veneráveis Irmãos, o quanto desejamos isto e queremos que o saibam os nossos filhos, não só todos os do mundo católico, mas também os que de Nós dissentem. Estes, se implorarem em prece humilde as luzes do céu, por certo reconhecerão a única verdadeira Igreja de Jesus Cristo e, por fim, nEla tendo entrado, estarão unidos conosco em perfeita caridade.

No aguardo deste fato, como auspício dos dons de Deus e como testemunho de nossa paterna benevolência, concedemos muito cordialmente a vós, Veneráveis Irmãos, e a vosso clero e povo, a bênção apostólica.

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Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia seis de janeiro, no ano de 1928, festa da Epifania de Jesus Cristo, Nosso Senhor, sexto de nosso Pontificado.

Pio, Papa XI.

Sidney Silveira

O conhecimento diabólico do futuro

Sabemos que os entes operam no limite das potências radicadas na forma específica do seu ato de ser, que é participado. Assim, apesar de Charles Darwin, no dia em que o macaco resolver um teorema de matemática pura, entender as relações geométricas implicadas numa variante do jogo de xadrez e, por fim, redigir algo tão extraordinário como o PL 122 que circula pelos corredores de nosso Legislativo, teremos encontrado o elo perdido da teoria da evolução. Mas como a metafísica aconselha-nos a não ser tão otimistas, fiquemos por ora com a certeza de que, nos entes, o operar segue o ser (operatio sequitur esse), e, portanto, nada pode atuar além de suas possibilidades ontológicas. E isto também se aplica aos demônios: a sua operação é demarcada pela forma entitativa que lhes é própria, o que nos leva a uma série de questões relevantes, se se trata de estudar como tais criaturas podem agir sobre o homem. Uma delas implica o ato do conhecimento, que neles é mais perfeito do que em nós.

Pois bem, conhecer é apossar-se da forma inteligível do ente em ato, além de ser um movimento acidental da potência intelectiva. Esta máxima gnosiológica, no entanto, não elucida todos os modos próprios deste tipo especial de relação chamada “conhecimento”. Ressalte-se, neste ponto, que uma coisa é o conhecimento atual — ou presencial, para alguns tomistas. Este acontece quando o intelecto tem a clara visão de determinado inteligível. Por exemplo, o médico que, após a análise de um conjunto de exames à luz dos princípios por ele conhecidos, constata o câncer do paciente. Neste caso poder-se-ia dizer que a inteligência do médico o câncer, presencia-o, ou seja, apossa-se formalmente desta realidade extramental (quer dizer: que está fora de sua mente). Então o médico pode afirmar: eu sei, aqui e agora, que este meu paciente tem um câncer. Em síntese, dá-se nesta hipótese a adequação entre a inteligência a coisa.

Ocorre que conhecer algo não é apenas conhecer as causas de que depende. Posso muito bem conhecer as causas de uma coisa, mas não elucidar a sua essência e não esgotar a inteligibilidade do seu modo de operar (aqui, dada a nossa humana forma de conhecer, não custa lembrar que só temos a notitia veritatis da essência de uma coisa quando descortinamos quais são as suas operações próprias, e não por uma espécie mágica de intuição direta). Daí que exista também um tipo de conhecimento ao qual podemos chamar de conjectural, ou seja: um saber que parte de premissas claras e seguras, mas ainda não é atual, no sentido de que: a) a realidade cognoscível ainda não se atualizou na ordem do ser, e, portanto, trata-se de uma mera probabilidade; b) ela atualizou-se, mas o cognoscente ignora algumas de suas notas distintivas; c) ela atualizou-se, mas o cognoscente não conhece a totalidade da série causal ali implicada; etc.

Não é o caso, neste texto, de examinar todos os tipos de conhecimento, mas cito os dois acima — o presencial e o conjectural — para abordar um problema a propósito do tema em questão. Pois bem, tendo os demônios as formas inteligíveis das coisas infundidas em sua mente por Deus desde o instante em que foram criados como anjos, eles não extraem das coisas o conhecimento, como nós, mas contemplando-as apenas atualizam o conhecimento que desde sempre tiveram acerca delas. Por exemplo: antes de haver o ente gato, eles já conheciam a forma inteligível gatesca que lhes havia sido posta na inteligência por Deus, razão pela qual Santo Tomás de Aquino, fazendo uso de uma linguagem analógica, chega a afirmar em alguns textos que as coisas têm mais ser na inteligência dos anjos do que em si mesmas.

Ocorre o seguinte: conhecer o quid est do gato não é conhecer este ou aquele gato (pois o conhecimento quiditativo também se distingue do presencial, como me ensinou o meu querido amigo Luiz Astorga, um metafísico de alto coturno, para usar uma metáfora militar dos tempos de antanho), razão pela qual a questão espinhosa no tomismo sempre foi saber como os demônios, conhecendo desde sempre as essências ou quididades, conhecem também os entes singulares. Esta questão é correlata a outra — a que nos interessa aqui, pois estamos em meio a uma investigação teológica: até que ponto podem os demônios conhecer o futuro? E, conhecendo-o, como poderiam atuar sobre o homem, para perdê-lo?

Noutros textos assinalamos que Deus, sendo Ser infinito, simplícimo, conhece tudo presencialmente, ou seja, tem a posse perfeita de todos os inteligíveis em ato porque todos têm a sua fonte n’Ele mesmo e nada existe fora do Ser, quer dizer: à parte de Deus. Daí afirmar-se que Deus, conhecendo-Se em ato perfeitamente, conhece tudo o que é, o que foi, o que será e o que seria — em grau sumo e sem defecção de nenhum tipo. Por sua vez, dos anjos (e por conseguinte dos demônios), que não são Ato Puro simplícimo de ser, dado que têm composição de ato e potência, de substância e acidentes e de essência e ser, podemos dizer que:

a) tendo em sua inteligência todas as formas inteligíveis das coisas criadas, eles conhecem virtualmente tudo no plano natural, embora não de forma instantânea (num só ato), e sim sucessiva, com um antes e um depois;

b) eles não esgotam a inteligibilidade do Próprio Ser, que é Deus, pois a inteligibilidade deste é tão inesgotável e infinita quanto o seu Ser, e nenhum ente finito pode abarcá-la;

c) eles não conhecem a ordem da Divina Providência, que sobrepassa toda natureza criada.

Acrescente-se a isto o fato de que os demônios (como qualquer criatura) precisam transitar da potência ao ato para atuar, na exata medida em todo ente, não sendo ato puro de ser, é composto, e tudo o que tem composição opera por meio de faculdades, e estas, por sua vez, estão em potência em relação aos seus objetos formais próprios. No caso do demônio, criatura angelical, a sua inteligência, mesmo tendo as formas inteligíveis das coisas já infundidas nela, está em potência para adquirir novos conhecimentos ou atualizar os que virtualmente já possui. Assim, pode um anjo conhecer um novo conteúdo inteligível sobrenatural, revelado diretamente por Deus, por exemplo; pode conhecer algo novo comunicado por um anjo de hierarquia superior, que conhece as mesmas coisas por meio de formas inteligíveis mais universais; etc.

Tendo em vista tudo o que foi assinalado até aqui, com relação ao modo elevado de conhecimento angélico — e portanto demoníaco —, diga-se que a criatura espiritual conhece as coisas de três formas principais: 1ª.: o já citado conhecimento presencial (a posse do inteligível hic et nunc, numa fulgurante intuição direta das essências das coisas); 2ª.: o conhecimento certo (o futuro necessário, deduzido das causas essencialmente ordenadas)1; 3ª.: e o conhecimento conjectural, também mencionado (o futuro contingente, deduzido de causas acidentalmente ordenadas). Neste último caso, é possível ao anjo errar, pois, embora as suas deduções sejam precisas ao extremo, não abarcam a completude dos modos de ser da realidade, daí Santo Tomás ter provado que somente Deus pode conhecer perfeitamente os futuros contingentes, pois tudo para a Sua inteligência é presença; só Ele, pois, é omnisciente.

Finalizando o quadro, podemos dizer que um evento futuro pode ser conhecido em si mesmo, ou nas causas de que depende. O primeiro modo só cabe a Deus, Ser perfeitíssimo e, portanto, superior a qualquer ordem temporal — pois Ele não apenas é eterno, mas é a própria eternidade sem a qual sequer poderia haver tempo, como mostra o Nougué no segundo DVD da série A Síntese Tomista, intitulado “O Tempo e a Eternidade em Santo Tomás de Aquino”. Sendo assim, o futuro para Ele não há.

Com relação ao segundo modo, vale reiterar o que ficou acima assentado, mas com outras formulações:

  • Ø Certos sucessos ou eventos dependem de causas necessárias, ou seja, não podem não acontecer num dado contexto (por exemplo, a aurora). Este e qualquer outro futuro necessário pode ser conhecido perfeitamente pelo demônio, cuja inteligência agudíssima penetra os segredos da natureza;
  • Ø Outros sucessos ou eventos dependem de causas acidentais radicadas em algumas tendências do ente. Trata-se aqui do futuro conjecturável, que não pode ser conhecido perfeitamente pelo demônio, mas em muitos casos pode ser deduzido com grande probabilidade de acerto, mas não mais que isto. A propósito, o demônio somente tentou a Cristo porque o seu conhecimento acerca da pessoa de Nosso Senhor era conjectural, e não presencial apodíctico, como se afirmou alhures;
  • Ø Por fim, outros sucessos provêm de causas imprevisíveis, ou seja, que podem produzir este ou aquele efeito de forma indiscriminada (por exemplo, diante de um mesmo fato, um homem converte-se à fé e o outro se perde). É o chamado futuro livre ou contingente, que não está à mão de nenhuma criatura prever.

Ditas estas coisas, concluamos dizendo que o conhecimento do demônio acerca da natureza humana é superior ao do próprio homem, mas ainda há mais: o conhecimento presencial dos demônios acerca de um enorme conjunto de acidentes individuantes deste ou daquele homem é também elevadíssimo. Por exemplo, ao contemplar um indivíduo qualquer, um demônio — cuja inteligência não possui o obstáculo da matéria — conhece todos os seus detalhes corporais (ex.: se há alguma artéria entupida, a quantidade de sangue circulante no corpo, os dentes bons e cariados, etc.).

Ora, como boa parte dos pecados têm ressonância no corpo, um demônio com poucas informações consegue muitas vezes ter a clara visão da situação espiritual de um homem (se é tendente à gula, à luxúria, à ira, etc.). Daí que, conhecendo essas tendências viciosas, bastará a ele apresentar ou sugerir as imagens que induzirão o homem a atualizá-las.

O que os satanazes não podem, de maneira alguma, é prever com grau máximo de certeza se o homem tentado cairá ou não, pois, como ficou acima dito, só Deus conhece os futuros contingentes.

(continua)

[1] Quem me adverte com relação ao conhecimento certo (intermediário entre o presencial e o conjectural) é também o nobre amigo Luiz Astorga, que atualmente está se doutorando com uma tese sobre o estatuto ontológico das formas inteligíveis angélicas. Um tomista de quem todos ainda ouviremos muito falar no Brasil.

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Fonte: Contra Impugnantes

Sidney Silveira
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Aos amigos que, nesta semana, me enviaram mensagens indagando acerca do evento do dia 28/05, em São Paulo, um aviso: a pedido do Pe. Renato Leite, este dia de atividades centradas na obra de Santo Tomás de Aquino foi transferido para o final de julho. Outras informações serão dadas adiante aqui mesmo no Contra Impugnantes e, também, no Fratres in Unum.
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Carlos Nougué
As “Jornadas 2011” da FSSPX, no Seminário de La Reja, versarão sobre o tema da “Política Católica”, e terão entre seus expositores o Padre Álvaro Calderón. Ou seja, versarão sobre o próprio tema que nos levou à fundação do SPES – Seminário Permanente de Estudos Sociopolíticos Santo Tomás de Aquino, e contarão com aquele por quem nos orientamos constantemente, o Padre Calderón. Vejam o cartaz das Jornadas aqui.
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Traduzimos abaixo o e-mail de convite às Jornadas, e reproduzimos, em PDF, o próprio folheto da FSSPX sobre este evento da maior importância.
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“Caros amigos,
Enviamos-lhes o folheto e o convite para as JORNADAS 2011. Aos jovens pedimos que se inscrevam O QUANTO ANTES para facilitar a organização.
A todos: que rezem pelo sucesso destas Jornadas; convidem seus conhecidos e parentes e nos ajudem a pagar os numerosos gastos gerados por estas Jornadas.
Desde já muito obrigado a todos, e que Deus os bendiga copiosamente.”
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Palestrante: Prof. Sidney Silveira

Dia 28 de Maio de 2011

Inscrições até o dia 26 de maio

Programação:

9h às 12h: A Metafísica do Pecado (da impecabilidade de Deus à realidade do homem caído);

14h às 17h: Os princípios metafísicos da ordem moral

18h: Santa Missa no Rito Tridentino

Informações e inscrições pelo email: evento_tomista@hotmail.com

Investimento: R$ 50,00 — incluso material didático e brunch

Local do Evento: Colégio Maria Imaculada –  Av. Bernardino de Campos, 79 (Próximo ao metrô Paraíso).

Fonte: Fratres in Unum