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O dom da Cruz

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Sim, só as almas amantes é que sobem a rua da amargura! Só as almas amantes lhes é dado carregar a cruz!

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Ó cruz bendita, preciosíssimo tesouro escondido, debaixo de aparências bruscas, encerras tantas doçuras! Ó cruz quando fostes carregada pelos ombros de vosso Criador não sabias vós que ias servir de instrumento para que as portas do céu se abrissem! E vós, almas eleitas às quais é dado o dom precioso de carregar a cruz pesada de cada dia, na hora em que ela se apresenta, quem sabe cheias de medo e de pavor, pondes em nossos ombros, a cruz!
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Ah! se conhecesseis o dom da cruz, e de como outrora serviu ao Divino Mestre de instrumento, para nela executar a mais portentosa obra, como foi a da Redenção! Assim, também a vós, almas eleitas, a cruz vos serve para a mais portentosa obra a “santificação própria”.
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Ah! qual a obra  mais importante de uma alma?
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Sim, a obra mais importanteé a santificação própria. A cruz, alma querida, é esse baluarte preciosíssimo que vos defende dos inimigos carnais, pois o sofrimento, subjuga e vos faz conhecer o vosso nada! A cruz, destrona o império infernal. Filhos do pecado, sujeitos como estamos às misérias humanas, a cruz nos eleva, pois ela abate nosso amor próprio, fazendo-nos compreender que, para entrar na mansão celestial, é necessário sofrer! Os maus também sofrem, mas seus sofrimentos ficam neutros, porque eles sofrem sem a conformidade do Divino Crucificado. E porque é necessário sofrer? Ah! por causa de nossos pecados! O Divino Crucificado nos abriu as portas do Paraíso, entretanto, precisamos completar em nós a Paixão do Salvador, se quisermos ter entrada no Paraíso.
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Ó cruz bendita, eu vos saúdo, sê o sol nas minhas trevas.
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(O bom combate na alma generosa, Instituto das Missionárias de Jesus Crucificado – Campinas – 1ª Edição, ano de 1936, com imprimatur)
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Extraído do blog A grande guerra

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Extraído do blog A grande guerra

VIVA CRISTO REI!

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Recebemos uma carta com grave denúncia. Reproduzimos a seguir uma parte da carta (e depois faremos algumas observações):
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“Caríssimos:
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[...]
Há mais ou menos dois anos fiquei sabendo de uma história estarrecedora: grande parte das vacinas atualmente são feitas com tecidos de bebês abortados (vide texto abaixo *Vacinas de aborto). [...] Eis links da Fiocruz que comprovam a informação:
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Outro link: informe técnico Ministério da Saúde vacinação 2011:
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[...]
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Outros links de onde retirei informações sobre as vacinas:
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E eis uma tradução do texto que se encontra neste último link.
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*VACINAS DE ABORTO
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A VERDADE ESCONDIDA
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Por mais de trinta anos, as indústrias farmacêuticas vêm produzindo vacinas derivadas de tecidos de bebês abortados, um fato que foi revelado quando vários artigos em prestigiados periódicos Católicos foram publicados sobre a moralidade de se usar essas vacinas. À medida que essas informações se tornaram amplamente conhecidas, um número crescente de médicos e pais muito preocupados com as questões éticas envolvidas escolheu se abster de usá-las ou dispensá-las. Os fatos são tanto assustadores quanto inquietantes.
Durante a epidemia de rubéola de 1964, alguns médicos aconselharam mães grávidas infectadas pela rubéola a abortar seus filhos, assustando-as com a possibilidade de que eles pudessem nascer com defeitos congênitos. Os pesquisadores começaram a colher o tecido fetal vivo, e no 27º bebê abortado eles acharam o vírus ativo. O vírus foi extraído do rim e classificado como RA/27/3, onde R significa RubéolaA significa Aborto27 significa 27º feto abortado para o estudo deles3 significa terceiro tecido retirado de feto abortado e colocado numa cultura. Esse vírus foi então cultivado no tecido pulmonar de outro bebê abortado, WI-38. Extraiu-se o WI-38 (que significaWistar Institute 38) do tecido pulmonar de uma menina intencionalmente abortada na Suécia no terceiro mês de gestação. Antes de se aperfeiçoar o uso de WI-38, houve pelo menos 19 outros abortos registrados usados nessas pesquisas.
Depois da liderança dos EUA, 10 anos mais tarde cientistas da Grã-Bretanha desenvolveram a MRC-5, extraída do tecido pulmonar de um menino abortado com três meses e meio de gestação. Essas duas linhas de células fetais são utilizadas continuamente para cultivar as variantes enfraquecidas do vírus de várias doenças para se produzir vacinas.
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Tendências atuais
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Pelo fato de que recebem aceitação pública pelas atuais vacinas, as indústrias farmacêuticas utilizam fontes existentes e novas de bebês abortados para o desenvolvimento de vacinas. A fonte mais recente é a nova linha de células fetais PER C6, criada pela indústria farmacêutica holandesa Crucell. Essa linha de células usa o tecido da retina de um bebê de 4 meses e meio de gestação, criado especificamente para o desenvolvimento de vacinas.
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Uma escolha e uma obrigação moral
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É importante lembrar que, exatamente como as terapias de células-tronco adultas (que são uma alternativa viável ao uso de embriões humanos destruídos), pode-se fazer vacinas a partir de fontes éticas. Contudo, o uso das atuais vacinas contaminadas é justificado para a realização de mais pesquisas imorais. Até mesmo importantes autoridades justificam o financiamento de pesquisas de células tronco embrionárias usando a vacina de catapora como precedente, alegando que os embriões, como os bebês abortados, já haviam sido destruídos. Mas em ambos os casos, seres humanos foram insensivelmente mortos para propósitos de pesquisas. A menos que demonstremos que não toleraremos tal exploração de bebês em gestação, a exploração irá piorar.
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Vacinas americanas de linhas de células de bebês abortados
e alternativas éticas
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Doença
Nome da vacina
Fabricante
Linha de célula (Fetal)
Versão Ética
Fabricante
Linha de célula (Não fetal)
Catapora
Varivax
Merck & Co.
WI-38, MRC-5
Não há
Não disponível
Não disponível
Hepatite A
Vaqta
Havrix
Merck & Co
GSK
MRC-5
MRC-5
Aimmungen
Não disponível nos EUA
Kaketsuken
(Japão & Europa)
Vero (macaco)
Hepatite A & B
Twinrix
GSK
MRC-5
Engerix (somente Hepatite B)
Comvax (somente Hepatite B)
GSK
Merck
Levedura
Levedura
Tríplice: Sarampo, Caxumba, Rubéola
MMR II
Merck & Co
RA273, WI-38
Não há
Não disponível
Não disponível
Sarampo-Rubéola
MR VAX
Merck & Co.
RA273, WI-38
Attenuvax – Sarampo
Merck
Embrião de pintinho
Caxumba-Rubéola
Biavax II
Merck & Co.
RA273, WI-38
Mumpsvax – Caxumba
Merck
Embrião de pintinho
Rubéola
Meruvax II
Merck & Co.
RA273, WI-38
Takahashi
Não disponível nos EUA
Kitasato Institute
(Japão & Europa)
Coelho
Tríplice + Sarampo
ProQuad
Merck & Co.
RA273, WI-38, MRC-5
Não há
Não disponível
Não disponível
Pólio
Poliovax
Sanofi Pasteur
MRC-5
IPOL
Sanofi Pasteur
Vero (macaco)
Raiva
Imovax
Sanofi Pasteur
MRC-5
RabAvert
Chiron
Embrião de pintinho
Artrite Ósteo-Reumatóide
Enbrel
Immunex
WI-26 VA4
Synvisc
Genzyme Bio.
Não há
Sepsia
Xigris
Eli Lilly
HEK-293
Pergunte a seu médico
Não disponível
Não disponível
Herpes-zóster
Zostavax
Merck & Co.
WI-38, MRC-5
Não há
Não disponível
Não disponível
Sob desenvolvimento: Ébola
TBA
Crucell/NIH
PER C6
Não há
Não disponível
Não disponível
Sob desenvolvimento: Gripe,
Gripe Aviária
TBA
MedImmune
Vaxin, Sanofi
PER C6,
HEK-293
FluVirin, Flu Shield
Flu Zone, Flu Blok
Chiron, Wyeth
Sanofi ,Protein Sci
Embrião de pintinho Lagarta
Nova: HIV
TBA
Merck
PER C6
Não há
Não disponível
Não disponível
Nova: Varíola
Acambis 1000
Acambis
MRC-5
ACAM2000
MVA3000
Acambis/Baxter
Vero (macaco)
Embrião de pintinho

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Nota: Se a vacina que você está questionando não está nessa lista, provavelmente não utiliza linhas de células de bebês abortados.
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Como você pode ajudar?
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Peça que seu médico só encomende vacinas de alternativas éticas, que não estejam contaminadas com células de bebês abortados.”
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 *  *  *
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Feita pois a denúncia, cabem agora as seguintes e importantes observações:
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• Todas as vacinas de cultivo em célula diploide humana são produzidas de fetos abortados.
• São elas para caxumba, rubéola e sarampo (tríplice viral), catapora (varicela), pólio, hepatite A e raiva.
• Dão-se abaixo outras direções de páginas com informação científica, para que se possam verificar os dados. Mas ressalte-se desde já que a página da Rede Nacional de Informação sobre Imunização, do Governo dos Estados Unidos:
* tenta justificar que as células foram retiradas de fetos abortados, e portanto mortos;
* defende que não foram os pesquisadores que induziram ao aborto;
* alega que as duas linhagens de células vêm sendo reproduzidas em laboratório por 35 anos;
* promove as vacinas de fetos como seguras e eficazes;
* rejeita as vacinas produzidas de animais como caras e inseguras;
* afirma ora que um menino foi abortado por rubéola e que esta vacina tem evitado novos abortos por rubéola;
* depois se contradiz nos artigos (ex.: John D. Grabenstein) afirmando que as linhagens WI e MRC foram retiradas de um menino abortado por “razões psiquiátricas”, de aborto terapêutico, aborto intencional da mãe… e por aí vai.
Eis os links:
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• A própria página da FioCruz descreve as vacinas produzidas por cultivo em células diploide humanas (entenda-se: de fetos abortados), como se pode ver nos links incluídos na carta transcrita acima.
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Estamos pois diante de um quadro de horror, que não pode dar-se senão num mundo quase totalmente descristianizado. Num mundo apóstata.
SPES
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Poupando embora a todos a imundície das imagens com que os gays em suas paradas e outros espaços envolvem nossos santos e nossas mais santas tradições, não podemos deixar de clamar aqui: Onde está a CNBB, onde estão todos esses que deveriam precipuamente defender a Cristo, onde estão todos esses que deveriam ser em ato Príncipes do Rei dos reis, onde estão esses que não erguem a voz contra tal ignomínia?
E, por outro lado, tal ignomínia não confirma o que se escreveu em outro artigo deste blog? Com efeito, “que filme, que livro, que qualquer coisa não arreganha hoje em dia seu esgar sardônico contra o catolicismo? Que pensadorzinho de meia-tigela atual não verte pelos cantos da boca o mais virulento veneno contra os sacramentos, contra a santidade, contra a virgindade, contra o matrimônio? [...] Quanta blasfêmia contra a Cruz e a Mãe de Deus! Tal liberdade de crítica e escárnio, porém, dizem os liberais donos do mundo, é permitida porque não tira a liberdade dos católicos (a não ser quando se transforma em ação governamental e se proíbe a exibição pública dos símbolos católicos, enquanto se permite o uso público dos símbolos muçulmanos…). Façamos, então, por um breve instante, o esforço supremo de conter a náusea e dar ab absurdo – conquanto naturalmente sem conceder – o que propugnam os atuais senhores do mundo: que nos critiquem e escarneçam; estão no seu direito… Mas então, ‘paladinos da liberdade’, por que o Bispo Dom Williamson (da FSSPX) – não deixemos cair no esquecimento a afronta que sofreu e segue sofrendo este Bispo –, por que Dom Williamson não pode duvidar do número oficial de mortos judeus sob o regime hitlerista?”
Ainda que de nossa escala de formigas, não deixemos nós de clamar contra aquela ignomínia e contra esta injustiça. Não fazê-lo é incorrer, em ambos os casos, por razões diversas mas inter-relacionadas, em gravíssima omissão.
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Fonte: Seminário Permanente de Estudos Sociopolíticos Santo Tomás de Aquino – SPES

SPES

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Dom Williamson

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Dom Richard Williamson, entre nós orgulhosamente celebrado como “O Martelo dos Modernistas”, está sofrendo graves constrangimentos e perseguições. Acusam-no injustamente de “incitação racial” em razão de uma entrevista concedida, em 2009, a determinado canal de televisão sueco.
O vídeo dessa entrevista pode ser visto no YouTube. Nele se pode constatar facilmente que tais acusações não passam de repugnante mentira. Acaso seria ilícito questionar a história? Ora, fazem a todo o momento “revisionismos” históricos contra a religião católica, contra Cristo mesmo, e nem por isso nenhum dos que assim procedem é acusado de coisa alguma por nenhum estado. Por que então Dom Williamson não pode questionar o número oficial de mortos judeus sob o regime hitlerista? Que relação há entre duvidar de um número de mortos e qualquer incitação à violência ou promoção dos chamados crimes de ódio?
Ouça-se com atenção o que ele diz na referida entrevista, e responda-se a isto: em algum momento ele defende o nazismo ou o extermínio de judeus? Em nenhum momento. Logo, segundo os mesmos cânones do liberalismo dominante, ele não atenta contra a liberdade alheia.
Não estamos lançando aqui defesa alguma de nenhuma tese histórica. Apenas nos indignamos e tentamos defender da maneira como nos é possível um Príncipe da Igreja que vem sendo perseguido, de fato, não por causa de nenhum questionamento a episódios históricos. Bem se sabe que Dom Williamson não tem meias palavras quando defende a verdade de Cristo. Sabemos muito bem que é em razão deste zelo apostólico que este Bispo inglês é perseguido. Uma honra para ele – sofrer por amor a Cristo –; mas, se for da vontade de Deus, que se afaste dele este cálice.
 Posto isso, convidamos todos os católicos a que se juntem a nós, do SPES, numa campanha de orações por Dom Williamson, para que ele não perca sua liberdade dessa maneira absolutamente injusta, e para que as perseguições que movem contra ele se interrompam ou ao menos se atenuem.
Que Deus – se isto convier à sua perfeitíssima Providência – se apiede deste seu servo que Lhe é tão fiel até em meio a tão duras perseguições e difamações.
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SEMINÁRIO PERMANENTE DE ESTUDOS SOCIOPOLÍTICOS

SANTO TOMÁS DE AQUINO – SPES

Por São Pio X
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Qual a festa que se celebra na quinta-feira depois da festa da Santíssima Trindade?
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Na quinta-feira depois da festa da Santíssima Trindade celebra-se a solenidade do Santíssimo Sacramento, ou do Corpo de Deus: Corpus Christi.
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Não se celebra a instituição do Santíssimo Sacramento na Quinta-Feira Santa?
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A Igreja celebra na Quinta-Feira Santa a instituição do Santíssimo Sacramento; mas, como então está ocupada principalmente em cerimônias de luto, pela Paixão de Jesus Cristo, julgou conveniente instituir outra festa particular para honrar este mistério com plena alegria.

De que maneira poderemos nós honrar o mistério que se celebra na festa do Corpo de Deus?

Para honrar o mistério que se celebra na festa do Corpo de Deus, devemos: 1º receber com particular devoção e fervor a sagrada Comunhão, e agradecer com todo o afeto do coração a Jesus Cristo, que quis dar-Se a cada um de nós neste Sacramento; 2º assistir nesta solenidade, e em toda a oitava, se se puder, aos ofícios divinos, particularmente ao Santo Sacrifício da Missa, e fazer frequentes visitas a Jesus, velado sob as espécies sacramentais.
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Por que na festa do Corpo de Deus se leva solenemente a Santíssima Eucaristia em procissão?
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Na festa do Corpo de Deus leva-se solenemente a Santíssima Eucaristia em procissão: 1º para honrar a Humanidade Santíssima de Nosso Senhor, escondido sob as espécies sacramentais; 2º para reavivar a fé, e aumentar a devoção dos fiéis para com este mistério; 3º para celebrar a vitória que Ele deu à sua Igreja sobre os inimigos do Santíssimo Sacramento; 4º para reparar de algum modo as injúrias que Lhe são feitas pelos inimigos da nossa Religião.
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Como se deve assistir à procissão do Corpo de Deus?
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À procissão do Corpo de Deus deve-se assistir: 1º com grande recolhimento e modéstia, sem ficar olhando para um lado e para outro, nem falando sem necessidade; 2º com intenção de honrar por meio das nossas adorações o triunfo de Jesus Cristo; 3º pedindo-Lhe humildemente perdão pelas comunhões indignas e por todas as outras profanações que se fazem a este divino Sacramento; 4º com sentimentos de fé, de confiança, de amor e de reconhecimento para com Jesus Cristo presente na hóstia consagrada.
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Catecismo Maior de São Pio X. Anápolis: Edições Santo Tomás, 2005, p. 260-262.
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Fonte: SPES

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Pe. Xavier Beauvais
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Artigo “¡Reconquistar! ¿Cómo?”, do R.P. Xavier Beauvais, divulgado na Revista Iesus Christus nº 78 do Distrito da América do Sul da Fraternidade Sacerdotal São Pio X [e publicado no Brasil pelo MJCB – Movimento da Juventude Católica do Brasil].
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Porque “o zelo para a reconquista é primeiro uma obra sobrenatural, temos que apoiar-nos primeiro sobre os meios sobrenaturais”(1), estes mesmos que forjam toda vida cristã, vida que não é outra que uma ascensão permanente e ininterrupta à santidade, pois o essencial é a visão de Deus, o desenvolvimento pleno da graça santificante.
A reconquista passa então pelos meios ordinários dispostos pela Providência, principalmente a vida sacramental.
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A reconquista passa pela prática dos mandamentos de Deus: ou seja, “ver tudo e fazer tudo sob esse ângulo, sob o ângulo das virtudes, o que nos trará um impulso novo, uma perfeição nova: a virtude de justiça para Deus, pelo serviço de Deus e da Igreja, pela adoração, o sacrifício; na temperança, a humildade, a fortaleza, tudo isto coroado pelas virtudes teologais”(2).
Se queremos reconstruir a cristandade, devemos absolutamente voltar a encontrar esse fervor, essa santidade que foi a origem de dita cristandade.
A Cristandade é merecida quando os cristãos combatem. Levemos então esta vida cristã profunda com tudo o que isso implica – de orações, de virtudes e de sacrifícios – para permanecer fiéis.
A crise da Igreja não admite outro remédio que a santidade dos fiéis. Temos que fazer de nossos corações templos sustentados por quatro colunas: a fé, os sacramentos, a oração, os mandamentos. Templos onde deve reinar a Virgem Maria.
Nosso combate pede todas as forças sobrenaturais que são necessárias para lutar contra aquele que quer destruir-nos.
Devemos ser conscientes deste combate dramático, apocalíptico, no qual vivemos, e não minimizá-lo.
“O que é um tradicionalista?”, perguntava Dom Lefebvre em um sermão que pronunciou em São Nicolas do Chardonnet, em Paris, no ano de 1987:
“É aquele que crê, que tem a fé e que quer que esta fé seja íntegra. Também é aquele que se esforça com todo o seu coração, com toda a sua alma, por observar a Lei de Deus e os preceitos do Evangelho para ser conformes à vontade de Deus”.
“Se esforça então por evitar o pecado, que considera como o mal de sua alma. Mas sabe que é débil, que tem necessidade de todos os socorros que o Bom Deus transmitiu por intermédio de sua Igreja: os sacramentos, e em particular o Santo Sacrifício da Missa e a devoção à Santíssima Virgem”.
“Mudar os homens seria uma obra muito decepcionante se não fosse acompanhada primeiro com um trabalho essencial no fundo de nossas almas”(3). O essencial de nossa vida cristã permanecerá sempre no amor de Deus, e esse amor deve ser tudo para nosso coração, será a luz de nossa inteligência.
Trata-se de amar a Deus acima de tudo, simplesmente, e este amor é terrivelmente exigente.
Quando se descuida da verdade evangélica, quando se abandona a virtude e a vida cristã à qual o Divino Redentor chama todos os homens; então, tudo cai por terra, tudo vacila, e cedo ou tarde tudo perece miseravelmente.
batismo nos alistou em uma milícia: a milícia de Jesus Cristo.
crisma nos deu as armas necessárias para o combate.
confissão reparará nossas almas ao mesmo tempo que nos dará ”fortaleza e vigilância para discernir as tentações e combatê-las”(4).
Reconquistar nossas almas pela confissão!
“Os pecados que chamamos leves, não os tenha por inofensivos, diz Santo Agostinho; se os tem por inofensivos quando os pesa, treme quando os conta. Qual é nossa esperança? Primeiro a confissão, depois, a dileção”.
Uma boa confissão é uma vida nova que começa.
Confessar-se é esvaziar seu coração de todo outro amor que não seja o de Deus.
Tenham em suas consciências a inquietude de Deus. Vejam esses corações, sujos com torpezas, atos sórdidos, faltas leprosas que deixam boiar no olhar luzes que não enganam.
As quedas finais, as que liquidaram tudo: a decência, o pudor, o respeito por si mesmo, por seu corpo, por sua palavra, e Deus com todo o resto, não são mais que o resultado de centenas de pequenas renúncias prévias.
“Carregados com paixões, com debilidades e com faltas, um se cansa, outro cede, e se diz que não chegará nunca a tirar de cima esse odor de barro e de pecado que nos acompanha”(5).
Como? Não renunciaremos! Que maior misericórdia que o sacramento da penitência!
“Em cada queda nos levantaremos”, e de joelhos, diante de Jesus Cristo na pessoa do sacerdote, nosso pai, confessaremos humildemente nossas faltas, ”decididos” com a força desse sacramento ”a ser tão mais vigilantes quanto mais débeis nos sintamos”(6).
comunhão nos fará avançar porque fortalece. Se não são fortes, de quem é a culpa? Os senhores dispõem de toda a força que da tal sacramento já que lhes da Aquele mesmo que é a Fortaleza.
O grande meio de entrar no caminho da perfeição, da santidade é entregar-se a Deus.
Nosso Senhor anda conosco, nos nutre desse sacramento graças ao sacerdotes da Fraternidade São Pio X e os poucos outros, fiéis à Tradição, conservando e aumentando em nós a vida da graça, pois toda alma cristã deve crescer.
Esta santidade extrai-se de sua fonte, da Missa católica, a Missa tridentina, pois somente ela é certamente missionária, apostólica, tão somente ela contém tudo o que pode fazer voltar Deus às almas, e ninguém estranhará ao ver florescer esplêndidas vocações sacerdotais e religiosas nos lares ardentes onde o pai e a mãe acodem a extrair da Missa e da comunhão diária ou quase diária as forças necessárias para renovar seu fervor e sua generosidade.
É dessa Missa que extrairão as graças de fidelidade, de conversão e de salvação. Tenham fé nas graças da Missa. Que espetáculo miserável se dá na maioria de nossos Priorados ao ver a Missa diária inclusive às vezes sem nenhum fiel.
Que a oração tenha seu lugar capital na reconquista. Antes da ação, a oração; durante a ação, a oração, e depois da ação também a oração, pois nossa ação deve proceder de um coração transformado no coração de Jesus Cristo e de Maria. É inútil sonhar com uma elite sem a oração. Toda ação, ainda que política, deve ser o fruto de nossa vida interior; senão, está destinada ao fracasso, tal como comprovamos na política há séculos.
Armemo-nos de nosso terço como de um estilingue, assim como recomendava São Luís Maria a seus missionários:
“arderemos como fogos
lutaremos como cachorros.
Esclareceremos as trevas como verdadeiros sóis,
esmagaremos em todo lugar onde formos
a cabeça da serpente”.
Mais uma vez, não se formam elites sem a oração; dela extraímos nossa convicção de católicos.
Aqueles que conheceram a guerra – dizia Dom Lefebvre – recordar-se-ão de que a gente se punha a rezar quando as bombas começavam a cair. Neste momento, hoje, caem outras bombas, e quantos dos nossos vacilam e morrem sob estas bombas!
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Como reconquistar?
Pela defesa da Verdade
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Isto é ser confessor da fé. É impossível calar-nos, debilitar a Lei de Deus para adaptá-la ao gosto das vontades humanas.
Se queremos defender a verdade, comecemos por localizar-nos na verdade e na humildade.
Um católico orgulhoso de sua fé não pode aceitar a condição de cachorro mudo, pois um cachorro que não late perdeu sua função própria.
Como afirmava Gustavo Corção, ”saibamos latir e saibamos também morder. Tenhamos esse bom olfato para sentir de longe o lobo e o leão que rodeiam o seio da Igreja, buscando a quem devorar.
“Tratemos de farejar de longe o mal hálito dos mercenários que dialogam com o lobo, enquanto este devora tranquilamente as ovelhas.
“Tenhamos o mesmo bom ouvido do cachorro do gramofone, cuja alegria reside no reconhecimento da voz de seu mestre”.
Aos verdadeiros cristãos, aos filhos da luz lhes corresponde reagir contra o  liberalismo, submetendo à verdade a inteligência e todos os atos de nossa vida privada e pública.
Mas se guardamos a Verdade, se rejeitamos as ideologias modernas, é para mantermo-nos em uma passividade farisaica?
As almas morrem de fome e de sede. Cabe a nós fazê-las conhecer a Verdade religiosa que por si só pode satisfazer as almas, mas primeiro devemos conhecê-la nós mesmos.
Na Tradição Católica há uma só doutrina, um pensamento capaz de esclarecer todos os campos da inteligência e do pensamento, capaz de dar-lhes a verdadeira liberdade aos homens, a da vida interior.
Convém que formemo-nos urgentemente na doutrina contra-revolucionária ao invés de resmungar esterilmente contra um mundo que já não anda mais.
Mais uma vez, são sejamos cachorros mudos.
Atrever-se a proclamar a Verdade, atrever-se a proclamar o reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo, isto soa mal diante dos ouvidos do mundo laico, do mundo eclesiástico de hoje. Não é, como se diz: “politicamente correto”; vamos passar por atrasados, surdos, sujos… o que nos importa?
Temos que ganhar os corações por meio da chama da caridade, sim, mas sem esquecermos de esclarecer as inteligências com a luz da verdade.
Há que dizer a verdade com amor, tal como nos é dita. Sim, mas falar com amor não quer dizer falar sem força. O Amor é uma força diante da qual nenhuma força pode resistir: a tudo vence, tudo o atrai.
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Como reconquistar?
Por nosso zelo
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Nosso ardor missionário, ”nosso zelo pela reconquista descansa sobre três coisas que encontramos nos grandes apóstolos”(7):
– O zelo pela glória de Deus, ou o que é o mesmo, ”buscar a glória de Deus em todas as coisas, ou seja, viver na humildade”(8).
Deus faz tudo para sua glória.
Quanto a nós, devemos trabalhar para sua glória, e não para nossa pequena pessoa. Quem somos? pequenos instrumentos nas mãos de Deus!
– O zelo pela nossa santificação. ”O amor de Deus deve ser a alma de nossa vida cristã, o motor de nosso zelo”(9).
Como já dissemos, este zelo é nutrido com a oração, é cultivado por meio dos sacramentos, e a condição para que dê frutos é permanecer unidos a Deus, pois senão, cairemos na esterilidade.
– O zelo pelo dever de estado. ”O que vêem os homens são os frutos que derivam de nossa vida interior: uma vida familiar edificante, uma vida profissional virtuosa (…) A retidão de vida deixará sempre um testemunho”(10).
Deus é quem anima nosso zelo, quando nos diz:
“Tenham confiança, Eu venci o mundo”.
Com tudo isto, nosso zelo apostólico dará frutos.
Comprometamo-nos no apostolado com o coração ardente de amor a Deus, sem medir nossas penas.
Que nosso exemplo sem orgulho disfarçado e sem falsa modéstia, brilhe diante dos olhos dos homens; assim atrairemos mais facilmente os corações a nós mesmos, para assim ganhá-los para Nosso Senhor Jesus Cristo, pois trata-se disto: ganhar as almas tristemente sentadas na sombra da morte.
A opinião aburguesada dos católicos bem instalados não nos interessa; o que nos importa é o bem da família, de nossa Igreja que é a salvação de todos, de aqueles que merecem e desmerecem, de aqueles que querem e de aqueles que não querem se salvar.
Basta com aqueles que veem nossa Igreja se perder e nossa pátria sem encontrar mais remédios que falar sobre a necessidade de remediar tal situação. Atuemos! Senão, vamos cair em uma espécie de romanticismo que alguém definia como um suicídio cotidiano diante de um espelho.
“Quando desaparecem os santos, aparecem os afeminados. Quando desaparecem as conquistas, chegam as contas da administração. Quando desaparecem os guerreiros, aparecem os políticos. Quando desaparecem os fundadores, aparecem os preceptores”(11).
Então, a reconquista por meio do apostolado é para reaprender a conhecer Jesus Cristo, a quem tudo devemos.
A todos aqueles que perderam seu caminho, a todos aqueles que erram, que morrem, saibamos nutri-los de Jesus Cristo, de nossa doutrina.
Temos uma missão: reconquistar as almas, arrancando-as do pecado. Ganhem-nas! Mas para isto, preserve-se das armadilhas que o demônio e o mundo não cessarão de pôr sob nossos passos.
Missão grandiosa!
Há um grande erro em querer opor a santificação pessoal à obra do apostolado da salvação das almas. São duas atividades complementares, tão unidas, que me atrevo a dizer que não se pode progredir em uma sem fazer a outra.
“Aquele que não tem zelo não ama”, dizia Santo Agostinho. De fato, o amor é conquistador. É porque ama Deus acima de tudo que o sacerdote tem uma alma de conquistador, e a um nível inferior mas real, todos aqueles que tomaram mulher sabem quão conquistador é o amor.
“Se a verdade que possuem permanecesse neles como um objeto de contemplação em vista de uma alegria espiritual, não serviria para a causa da paz. A verdade deve ser vivida, comunicada, aplicada em todos os campos da vida”(12).
Que nossa reconquista reflita a de Deus, que seja tão esclarecedora e vivificante, como generosa e amante.
“A Igreja é militante, e então é uma luta contínua. Esta luta faz do mundo um verdadeiro campo de batalha e de todo cristão um soldado valente que combate sob o estandarte da cruz; com uma mão repele o inimigo, com a outra eleva as paredes do templo e trabalha em santificar-se”(13).
Não existe um sem o outro.
Dêem uma mostra de tenacidade no prosseguimento deste ideal: ganhar os homens para Deus.
Sejam testemunhas de Jesus Cristo em todos os seus atos.
Um soldado não deve ter medo de se cansar por seu chefe. Sem espírito missionário um homem se amorna, se rebaixa e o espírito do mundo nos invade.
Evangelizar é gritar por Jesus Cristo em meio do alvoroço carnavalesco onde cada um faz publicidade e vende sua lamentável mercadoria no grande circo ecumênico de hoje.
Fortes na sua vida interior, poderão e deverão ser essa elite que dá o exemplo, que atrai as massas, uma elite intelectual e espiritual.
Finalmente, não há reconquista possível sem vocações.
Às centenas deveriam se levantar os varões e as mulheres para entrar no serviço exclusivo de Nosso Senhor.
Há uma grande tarefa mais urgente, mais elevada que as mais formosas profissões, há uma vida mais profunda que transmitir que aquela que transmitem os esposos católicos.
Mas não há segredos, afirmava Dom Marcel Lefebvre:
“Em nossas escolas católicas é onde encontraremos os futuros sacerdotes católicos. É claro. E como consequência, em suas famílias católicas com numerosos filhos, ali nascerão as vocações e as futuras famílias cristãs.”
É impossível pensar em uma restauração da sociedade cristã sem a transmissão da sabedoria cristã, sem a formação do espírito e do coração das crianças, que é a razão essencial das escolas que começam a nascer no Distrito (La Reja – Viña del Mar – Anisacate, com as Irmãs Dominicanas).
Há alguma milícia que possa aceitar uma alma batizada mais formosa que a milícia sacerdotal?
“Que se volte ao espírito de vitória, de sacrifício, de união com Nosso Senhor Jesus Cristo no altar, e as vocações florescerão de novo, tornar-se-ão numerosas”, concluía Dom Lefebvre.
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Padre Xavier Beauvais
Antigo superior do Distrito da América do Sul
[e atual diretor espiritual do grupo francês de leigos Civitas]
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(1) R.P. Alain Delagneau, na publicação ”Marchons Droit”.
(2) R.P. François Pivert, no boletim ”Le combat de la foi”.
(3) León Degrelle, de seu livro ”Almas ardendo”.
(4) R.P. Alain Delagneau, op. cit.
(5) León Degrelle, op. cit.
(6) León Degrelle, op. cit.
(7) R.P. Alain Delagneau, op. cit.
(8) R.P. Alain Delagneau, op. cit.
(9) R.P. Alain Delagneau, op. cit.
(10) R.P. Alain Delagneau, op. cit.
(11) Ignacio Braulio Anzoátegui.
(12) Sua Santidade Pio XII.

(13) Sua Santidade Pio XI.

CARTA ENCÍCLICA
MORTALIUM ANIMOS
DO SUMO PONTÍFICE PIO XI
AOS REVMOS. SENHORES PADRES PATRIARCAS,
PRIMAZES, ARCEBISPOS, BISPOS
E OUTROS ORDINÁRIOS DOS LUGARES
EM PAZ E UNIÃO COM A SÉ APOSTÓLICA
SOBRE A PROMOÇÃO DA VERDADEIRA
UNIDADE DE RELIGIÃO


Veneráveis irmãos:
Saúde e Bênção Apostólica.

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1. Ânsia Universal de Paz e Fraternidade

Talvez jamais em uma outra época os espíritos dos mortais foram tomados por um tão grande desejo daquela fraterna amizade, pela qual em razão da unidade e identidade de natureza – somos estreitados e unidos entre nós, amizade esta que deve ser robustecida e orientada para o bem comum da sociedade humana, quanto vemos ter acontecido nestes nossos tempos.

Pois, embora as nações ainda não usufruam plenamente dos benefícios da paz, antes, pelo contrário, em alguns lugares, antigas e novas discórdias vão explodindo em sedições e em conflitos civis; como não é possível, entretanto, que as muitas controvérsias sobre a tranquilidade e a prosperidade dos povos sejam resolvidas sem que exista a concórdia quanto à ação e às obras dos que governam as Cidades e administram os seus negócios; compreende-se facilmente (tanto mais que já ninguém discorda da unidade do gênero humano) porque, estimulados por esta irmandade universal, também muitos desejam que os vários povos cada dia se unam mais estreitamente.

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2. A Fraternidade na Religião. Congressos Ecumênicos

Entretanto, alguns lutam por realizar coisa não dissemelhante quanto à ordenação da Lei Nova trazida por Cristo, Nosso Senhor.

Pois, tendo como certo que rarissimamente se encontram homens privados de todo sentimento religioso, por isto, parece, passaram a Ter a esperança de que, sem dificuldade, ocorrerá que os povos, embora cada um sustente sentença diferente sobre as coisas divinas, concordarão fraternalmente na profissão de algumas doutrinas como que em um fundamento comum da vida espiritual.

Por isto costumam realizar por si mesmos convenções, assembléias e pregações, com não medíocre frequência de ouvintes e para elas convocam, para debates, promiscuamente, a todos: pagãos de todas as espécies, fiéis de Cristo, os que infelizmente se afastaram de Cristo e os que obstinada e pertinazmente contradizem à sua natureza divina e à sua missão.

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3. Os Católicos não podem aprová-lo  

Sem dúvida, estes esforços não podem, de nenhum modo, ser aprovados pelos católicos, pois eles se fundamentam na falsa opinião dos que juogam que quaisquer religiões são, mais ou menos, boas e louváveis, pois, embora não de uma única maneira, elas alargam e significam de modo igual aquele sentido ingênito e nativo em nós, pelo qual somos levados para Deus e reconhecemos obsequiosamente o seu império.

Erram e estão enganados, portanto, os que possuem esta opinião: pervertendo o conceito da verdadeira religião, eles repudiam-na e gradualmente inclinam-se para o chamado Naturalismo e para o Ateísmo. Daí segue-se claramente que quem concorda com os que pensam e empreendem tais coisas afasta-se inteiramente da religião divinamente revelada.

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4. Outro erro. A união de todos os Cristãos. Argumentos falazes  

Entretanto, quando se trata de promover a unidade entre todos os cristãos, alguns são enganados mais facilmente por uma disfarçada aparência do que seja reto.

Acaso não é justo e de acordo com o dever – costumam repetir amiúde – que todos os que invocam o nome de Cristo se abstenham de recriminações mútuas e sejam finalmente unidos por mútua caridade?

Acaso alguém ousaria afirmar que ama a Cristo se, na medida de suas forças, não procura realizar as coisas que Ele desejou, ele que rogou ao Pai para que seus discípulos fossem “UM” (Jo 17,21)?

Acaso não quis o mesmo Cristo que seus discípulos fossem identificados por este como que sinal e fossem por ele distinguidos dos demais, a saber, se mutuamente se amassem: “Todos conhecerão que sois meus discípulos nisto: se tiverdes amor um pelo outro?” (Jo 13,35).

Oxalá todos os cristão fossem “UM”, acrescentam: eles poderiam repelir muito melhor a peste da impiedade que, cada dia mais, se alastra e se expande, e se ordena ao enfraquecimento do Evangelho.

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5. Debaixo desses argumentos se oculta um erro gravíssimo

Os chamados “pancristãos” espalham e insuflam estas e outras coisas da mesma espécie. E eles estão tão longe de serem poucos e raros mas, ao contrário, cresceram em fileiras compactas e uniram-se em sociedades largamente difundidas, as quais, embora sobre coisas de fé cada um esteja imbuído de uma doutrina diferente, são, as mais das vezes, dirigidas por acatólicos.

Esta iniciativa é promovida de modo tão ativo que, de muitos modos, consegue para si a adesão dos cidadão e arrebata e alicia os espíritos, mesmo de muitos católicos, pela esperança de realizar uma união que parecia de acordo com os desejos da Santa Mãe, a Igreja, para Quem, realmente, nada é tão antigo quanto o reconvocar e o reconduzir os filhos desviados para o seu grêmio.

Na verdade, sob os atrativos e os afagos destas palavras oculta-se um gravíssimo erro pelo qual são totalmente destruídos os fundamentos da fé.

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6. A verdadeira norma nesta matéria

Advertidos, pois, pela consciência do dever apostólico, para que não permitamos que o rebanho do Senhor seja envolvido pela nocividade destas falácias, apelamos, veneráveis irmãos, para o vosso empenho na precaução contra este mal. Confiamos que, pelas palavras e escritos de cada um de vós, poderemos atingir mais facilmente o povo, e que os princípios e argumentos, que a seguir proporemos, sejam entendidos por ele pois, por meio deles, os católicos devem saber o que devem pensar e praticar, dado que se trata de iniciativas que dizem respeitos a eles, para unir de qualquer maneira em um só corpo os que se denominam cristãos.

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7. Só uma religião pode ser verdadeira: A revelada por Deus

Fomos criados por Deus, Criador de todas as coisas, para este fim: conhecê-lO e serví-lO. O nosso Criador possui, portanto, pleno direito de ser servido.

Por certo, poderia Deus ter estabelecido apenas uma lei da natureza para o governo do homem. Ele, ao criá-lo, gravou-a em seu espírito e poderia portanto, a partir daí, governar os seus novos atos pela providência ordinária dessa mesma lei. Mas, preferiu dar preceitos aos quais nós obedecêssemos e, no decurso dos tempos, desde os começos do gênero humano até a vinda e a pregação de Jesus Cristo, Ele próprio ensinou ao homem, naturalmente dotado de razão, os deveres que dele seriam exigidos para com o Criador: “Em muitos lugares e de muitos modos, antigamente, falou Deus aos nossos pais pelos profetas; ultimamente, nestes dias, falou-nos por seu Filho” (Heb 1,1 Seg).

Está, portanto, claro que a religião verdadeira não pode ser outra senão a que se funda na palavra revelada de Deus; começando a ser feita desde o princípio, essa revelação prosseguiu sob a Lei Antiga e o próprio crisot completou-a sob a Nova Lei.

Portanto, se Deus falou – e comprova-se pela fé histórica Ter ele realmente falado – não há quem não veja ser dever do homem acreditas, de modo absoluto, em deus que se revela e obedecer integralmente a Deus que impera. Mas, para a glória de Deus e para a nossa salvação, em relação a uma coisa e outra, o Filho Unigênito de Deus instituiu na terra a sua Igreja.

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8. A única religião revelada é a Igreja Católica

Acreditamos, pois, que os que afirma serem cristão, não possam fazê-lo sem crer que uma Igreja, e uma só, foi fundada por Cristo. Mas, se se indaga, além disso, qual deva ser ela pela vontade do seu Autor, já não estão todos em consenso.

Assim, por exemplo, muitíssimos destes negam a necessidade da Igreja de Cristo ser visível e perceptível, pelo menos na medida em que deva aparecer como um corpo único de fiéis, concordes em uma só e mesma doutrina, sob um só magistério e um só regime. Mas, pelo contrário, julgam que a Igreja perceptível e visível é uma Federação de várias comunidades cristãs, embora aderentes, cada uma delas, a doutrinas opostas entre si.

Entretanto, cristo Senhor instituiu a sua Igreja como uma sociedade perfeita de natureza externa e perceptível pelos sentidos, a qual, nos tempos futuros, prosseguiria a obra da reparação do gênero humano pela regência de uma só cabeça (Mt 16,18 seg.; Lc 22,32; Jo 21,15-17), pelo magistério de uma voz viva (Mc 16,15) e pela dispensação dos sacramentos, fontes da graça celeste (Jo 3,5; 6,48-50; 20,22 seg.; cf. Mt 18,18; etc.). Por esse motivo, por comparações afirmou-a semelhante a um reino (Mt, 13), a uma casa (Mt 16,18), a um redil de ovelhas (Jo 10,16) e a um rebanho (Jo 21,15-17).

Esta Igreja, fundada de modo tão admirável, ao Lhe serem retirados o seu Fundador e os Apóstolos que por primeiro a propagaram, em razão da morte deles, não poderia cessar de existir e ser extinta, uma vez que Ela era aquela a quem, sem nenhuma discriminação quanto a lugares e a tempos, fora dado o preceito de conduzir todos os homens à salvação eterna: “Ide, pois, ensinai a todos os povos” (Mt 28,19).

Acaso faltaria à Igreja algo quanto à virtude e eficácia no cumprimento perene desse múnus, quando o próprio Cristo solenemente prometeu estar sempre presente a ela: “Eis que Eu estou convosco, todos os dias, até a consumação dos séculos?” (Mt 28,20).

Deste modo, não pode ocorrer que a Igreja de Cristo não exista hoje e em todo o tempo, e também que Ela não exista hoje e em todo o tempo, e também que Ela não exista como inteiramente a mesma que existiu à época dos Apóstolos. A não ser que desejemos afirmar que: Cristo Senhor ou não cumpriu o que propôs ou que errou ao afirmar que as portas do inferno jamais prevaleceriam contra Ela (Mt 16,18).

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9. Um erro capital do movimento ecumêmico na pretendida união das Igrejas cristãs

Ocorre-nos dever esclarecer e afastar aqui certa opinião falsa, da qual parece depender toda esta questão e proceder essa múltipla ação e conspiração dos acatólicos que, como dissemos, trabalham pela união das igrejas cristãs.

Os autores desta opinião acostumaram-se a citar, quase que indefinidamente, a Cristo dizendo: “Para que todos sejam um”… “Haverá um só rebanho e um só Pastos”(Jo 27,21; 10,16). Fazem-no todavia de modo que, por essas palavras, queriam significar um desejo e uma prece de cristo ainda carente de seu efeito.

Pois opinam: a unidade de fé e de regime, distintivo da verdadeira e única Igreja de Cristo, quase nunca existiu até hoje e nem hoje existe; que ela pode, sem dúvida, ser desejada e talvez realizar-se alguma vez, por uma inclinação comum das vontades; mas que, entrementes, deve existir apenas uma fictícia unidade.

Acrescentam que a Igreja é, por si mesma, por natureza, dividida em partes, isto é, que ela consta de muitas igreja ou comunidades particulares, as quais, ainda separadas, embora possuam alguns capítulos comuns de doutrina, discordam todavia nos demais. Que cada uma delas possui os mesmos direitos, que, no máximo, a Igreja foi única e una, da época apostólica até os primeiros concílios ecumênicos.

Assim, dizem, é necessários colocar de lado e afastar as controvérsias e as antiquíssimas variedade de sentenças que até hoje impedem a unidade do nome cristão e, quanto às outras doutrinas, elaborar e propor uma certa lei comum de crer, em cuja profissão de fé todos se conhecam e se sintam como irmãos, pois, se as múltiplas igrejas e comunidades forem unidas por um certo pacto, existiria já a condição para que os progessos da impiedade fossem futuramente impedidos de modo sólido e frutuoso.

Estas são, Veneráveis Irmãos, as afirmações comuns.

Existem, contudo, os que estabelecem e concedem que o chamado Protestantismo, de modo bastante inconsiderado, deixou de lado certos capítulos da fé e alguns ritos do culto exterior, sem dúvida gratos e úteis, que, pelo contrário, a Igreja Romana ainda conserva.

Mas, de imediato, acrescentam que esta mesma Igreja também agiu mal, corrompendo a religião primitiva por algumas doutrinas alheias e repugnantes ao Evangelho, propondo acréscimos para serem cridos: enumeram como o principal entre estes o que versa sobre o Primado de Jurisdição atribuído a Pedro e a seus Sucessores na Sé Romana.

Entre os que assim pensam, embora não sejam muitos, estão os que indulgentemente atribuem ao Pontífice Romano um primado de honra ou uma certa jurisdição e poder que, entretanto, julgam procedente não do direito divino, mas de certo consenso dos fiéis. Chegam outros ao ponto de, por seus conselhos, que diríeis serem furta-cores, quererem presidir o próprio Pontífice.

E se é possível encontrar muitos acatólicos pregando à boca cheia a união fraterna em Jesus Cristo, entretanto não encontrareis a nenhum deles em cujos pensamentos esteja a submissão e a obediência ao Vigário de Jesus Cristo enquanto docente ou enquanto governante.

Afirmam eles que tratariam de bom grado com a Igreja Romana, mas com igualdade de direitos, isto é, iguais com um igual. Mas, se pudessem fazê-lo, não parece existir dúvida de que agiriam com a intenção de que, por um pacto que talvez se ajustasse, não fossem coagidos a afastarem-se daquelas opiniões que são a causa pela qual ainda vagueiem e errem fora do único aprisco de Cristo.

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10. A Igreja Católica não pode participar de semelhantes reuniões 

Assim sendo, é manifestamente claro que a Santa Sé, não pode, de modo algum, participar de suas assembléias e que, aos católicos, de nenhum modo é lícito aprovar ou contribuir para estas iniciativas: se o fizerem concederão autoridade a uma falsa religião cristã, sobremaneira alheia à única Igreja de Cristo.

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11. A verdade revelada não admite transações   

Acaso poderemos tolerar – o que seria bastante iníquo-, que a verdade e, em especial a revelada, seja diminuída através de pactuações?

No caso presente, trata-se da verdade revelada que deve ser defendida.

Se Jesus Cristo enviou os Apóstolos a todo o mundo, a todos os povos que deviam ser instruídos na fé evangélica e, para que não errassem em nada, quis que, anteriormente, lhes fosse ensinada toda a verdade pelo Espírito Santo, acaso esta doutrina dos Apóstolos faltou inteiramente ou foi alguma vez perturbada na Igreja em que o próprio Deus está presente como regente e guardião?

Se o nosso Redentor promulgou claramente o seu Evangelho não apenas para os tempos apostólicos, mas também para pertencer às futuras épocas, o objeto da fé pode tornar-se de tal modo obscuro e incerto que hoje seja necessários tolerar opiniões pelo menos contrárias entre si?

Se isto fosse verdade, dever-se-ia igualmente dizer que o Espírito Santo que desceu sobre os Apóstolos, que a perpétua permanência dele na Igreja e também que a própria pregação de Cristo já perderam, desde muitos séculos, toda a eficácia e utilidade: afirmar isto é, sem dúvida, blasfemo.

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12. A Igreja Católica: depositária infalível da verdade

Quando o Filho unigênito de Deus ordenou a seus enviados que ensinassem a todos os povos, vinculou então todos os homens pelo dever de crer nas coisas que lhes fossem anunciadas pela “testemunha pré-ordenadas por Deus” (At. 10,41). Entretanto, um e outro preceito de Cristo, o de ensinar e o de crer na consecução da salvação eterna, que não podem deixar de ser cumpridos, não poderiam ser entendidos a não ser que a Igreja proponha de modo íntegro e claro a doutrina evangélica e que, ao propô-la, seja imune a qualquer perigo de errar.

Afastam-se igualmente do caminho os que julgam que o depósito da verdade existe realmente na terra, mas que é necessário um trabalho difícil, com tão longos estudos e disputas para encontrá-lo e possuí-lo que a vida dos homens seja apenas suficiente para isso, com se Deus benigníssimo tivesse falado pelos profetas e pelo seu Unigênito para que apenas uns poucos, e estes mesmos já avançados em idade, aprendessem perfeitamente as coisas que por eles revelou, e não para que preceituasse uma doutrina de fé e de costumes pela qual, em todo o decurso de sua vida mortal, o homem fosse regido.

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13. Sem fé, não há verdadeira caridade 

Estes pancristãos, que empenham o seu espírito na união das igrejas, pareceriam seguir, por certo, o nobilíssimo conselho da caridade que deve ser promovida entre os cristãos. Mas, dado que a caridade se desvia em detrimento da fé, o que pode ser feito?

Ninguém ignora por certo que o próprio João, o Apóstolo da Caridade, que em seu Evangelho parece ter manifestado os segredos do Coração Sacratíssimo de Jesus e que permanentemente costumavas inculcar à memória dos seus o mandamento novo: “Amai-vos uns aos outros”, vetou inteiramente até mesmo manter relações com os que professavam de forma não íntegra e incorrupta a doutrina de Cristo: “Se alguém vem a vós e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem digais a ele uma saudação” (2 Jo. 10).

Pelo que, como a caridade se apóia na fé íntegra e sincera como que em um fundamento, então é necessário unir os discípulos de Cristo pela unidade de fé como no vínculo principal.

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14. União Irracional  

Assim, de que vale excogitar no espírito uma certa Federação cristã, na qual ao ingressar ou então quando se tratar do objeto da fé, cada qual retenha a sua maneira de pensar e de sentir, embora ela seja repugnante às opiniões dos outros?

E de que modo pedirmos que participem de um só e mesmo Conselho homens que se distanciam por sentenças contrárias como, por exemplo, os que afirmam e os que negam ser a sagrada Tradição uma fonte genuína da Revelação Divina?

Como os que adoram a Cristo realmente presente na Santíssima Eucaristia, por aquela admirável conversão do pão e do vinho que se chama transubstanciação e os que afirmam que, somente pela fé ou por sinal e em virtude do Sacramento, aí está presente o Corpo de Cristo?

Como os que reconhecem nela a natureza do Sacrifício e a do Sacramento e os que dizem que ela não é senão a memória ou comemoração da Ceia do Senhor?

Como os que crêem ser bom e útil invocar súplice os Santos que reinam junto de Cristo – Maria, Mãe de Deus, em primeiro lugar – e tributar veneração às suas imagens e os que contestam que não pode ser admitido semelhante culto, por ser contrário à honra de Jesus Cristo, “único mediador de Deus e dos homens”? (1 Tim. 2,5).

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15. Princípio até o indiferentismo e o modernismo

Não sabemos, pois, como por essa grande divergência de opiniões seja defendida o caminho para a realização da unidade da Igreja: ela não pode resultar senão de um só magistério, de uma só lei de crer, de uma só fé entre os cristãos. Sabemos, entretanto, gerar-se facilmente daí um degrau para a negligência com a religião ou o Indiferentismo e para o denominado Modernismo. os que foram miseravelmente infeccionados por ele defendem que não é absoluta, mas relativa a verdade revelada, isto é, de acordo com as múltiplas necessidades dos tempos e dos lugares e com as várias inclinações dos espíritos, uma vez que ela não estaria limitada por uma revelação imutável, mas seria tal que se adaptaria à vida dos homens.

Além disso, com relação às coisas que devem ser cridas, não é lícito utilizar-se, de modo algum, daquela discriminação que houveram por bem introduzir entre o que denominam capítulos fundamentais e capítulos não fundamentais da fé, como se uns devessem ser recebidos por todos, e, com relação aos outros, pudesse ser permitido o assentimento livre dos fiéis: a Virtude sobrenatural da fé possui como causa formal a autoridade de Deus revelante e não pode sofrer nenhuma distinção como esta.

Por isto, todos os que são verdadeiramente de Cristo consagram, por exemplo, ao mistério da Augusta Trindade a mesma fé que possuem em relação dogma da Mãe de Deus concebida sem a mancha original e não possuem igualmente uma fé diferente com relação à Encarnação do Senhor e ao magistério infalível do Pontífice romano, no sentido definido pelo Concílio Ecumênico Vaticano.

Nem se pode admitir que as verdade que a Igreja, através de solenes decretos, sancionou e definiu em outras épocas, pelo menos as proximamente superiores, não sejam, por este motivo, igualmente certas e nem devam ser igualmente acreditadas: acaso não foram todas elas reveladas por Deus?

Pois, o Magistério da Igreja, por decisão divina, foi constituído na terra para que as doutrinas reveladas não só permanecessem incólumes perpetuamente, mas também para que fossem levadas ao conhecimento dos homens de um modo mais fácil e seguro. E, embora seja ele diariamente exercido pelo Pontífice Romano e pelos Bispos em união com ele, todavia ele se completa pela tarefa de agir, no momento oportuno, definindo algo por meio de solenes ritos e decretos, se alguma vez for necessário opor-se aos erros ou impugnações dos hereges de um modo mais eficiente ou imprimir nas mentes dos fiéis capítulos da doutrina sagrada expostos de modo mais claro e pormenorizado.

Por este uso extraordinário do Magistério nenhuma invenção é introduzida e nenhuma coisa nova é acrescentada à soma de verdades que estando contidas, pelo menos implicitamente, no depósito da revelação, foram divinamente entregues à Igreja, mas são declaradas coisas que, para muitos talvez, ainda poderiam parecer obscuras, ou são estabelecidas coisas que devem ser mantidas sobre a fé e que antes eram por alguns colocados sob controvérsia.

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16. A única maneira de unir todos os cristãos

Assim, Veneráveis Irmãos, é clara a razão pela qual esta Sé Apostólica nunca permitiu aos seus estarem presentes às reuniões de acatólicos por quanto não é lícito promover a união dos cristãos de outro modo senão promovendo o retorno dos dissidentes à única verdadeira Igreja de Cristo, dado que outrora, infelizmente, eles se apartaram dela.

Dizemos à única verdadeira Igreja de Cristo: sem dúvida ela é a todos manifesta e, pela vontade de seu Autor, Ela perpetuamente permanecerá tal qual Ele próprio A instituiu para a salvação de todos.

Pois, a mística Esposa de Cristo jamais se contaminou com o decurso dos séculos nem, em época alguma, poderá ser contaminada, como Cipriano o atesta: “A Esposa de Cristo não pode ser adulterada: ela é incorrupta e pudica. Ela conhece uma só casa e guarda com casto pudor a santidade de um só cubículo” (De Cath. Ecclessiae unitate, 6).

E o mesmo santo Mártir, com direito e com razão, grandemente se admirava de que pudesse alguém acreditar que “esta unidade que procede da firmeza de Deus pudesse cindir-se e ser quebrada na Igreja pelo divórcio de vontades em conflito” (ibidem).

Portanto, dado que o Corpo Místico de Cristo, isto é, a Igreja, é um só (1 Cor. 12,12), compacto e conexo (Ef. 4,15), à semelhança do seu corpo físico, seria inépcia e estultície afirmar alguém que ele pode constar de membros desunidos e separados: quem pois não estiver unido com ele, não é membro seu, nem está unido à cabeça, Cristo (Cfr. Ef. 5,30; 1,22).

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17. A obediência ao Romano Pontífice 

Mas, ninguém está nesta única Igreja de Cristo e ninguém nela permanece a não ser que, obedecendo, reconheça e acate o poder de Pedro e de seus sucessores legítimos.

Por acaso os antepassados dos enredados pelos erros de Fócio e dos reformadores não estiveram unidos ao Bispo de Roma, ao Pastor supremo das almas?

Ai! Os filhos afastaram-se da casa paterna; todavia ela não foi feita em pedaços e nem foi destruída por isso, uma vez que estava arrimada na perene proteção de Deus. Retornem, pois, eles ao Pai comum que, esquecido das injúrias antes gravadas a fogo contra a Sé Apostólica, recebê-los-á com máximo amor.

Pois se, como repetem freqüentemente, desejam unir-se Conosco e com os nossos, por que não se apressam em entrar na Igreja, “Mãe e Mestra de todos os fiéis de Cristo” (Conc. Later 4, c.5)?

Escutem a Lactâncio chamado amiúde: “Só… a Igreja Católica é a que retém o verdadeiro culto. Aqui está a fonte da verdade, este é o domicílio da Fé, este é o templo de Deus: se alguém não entrar por ele ou se alguém dele sair, está fora da esperança da vida e salvação. é necessário que ninguém se afague a si mesmo com a pertinácia nas disputas, pois trata-se da vida e da salvação que, a não ser que seja provida de um modo cauteloso e diligente, estará perdida e extinta” (Divin. Inst. 4,30, 11-12).

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18. Apelo às seitas dissidentes

Aproximem-se, portanto, os filhos dissidentes da Sé Apostólica, estabelecida nesta cidade que os Príncipes dos Apóstolos Pedro e Paulo consagraram com o seu sangue; daquela Sede, dizemos, que é “raiz e matriz da Igreja Católica” (S. Cypr., ep. 48 ad Cornelium, 3), não com o objetivo e a esperança de que “a Igreja do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade” (1 Tim 3,15) renuncie à integridade da fé e tolere os próprios erros deles, mas, pelo contrário, para que se entreguem a seu magistério e regime.

Oxalá auspiciosamente ocorra para Nós isto que não ocorreu ainda para tantos dos nossos muitos Predecessores, a fim de que possamos abraçar com espírito fraterno os filhos que nos é doloroso estejam de Nós separados por uma perniciosa dissensão.

Prece a Nosso Senhor e a Nossa Senhora. Oxalá Deus, Senhor nosso, que “quer salvar todos os homens e que eles venham ao conhecimento da verdade”(1 Tim. 2,4) nos ouça suplicando fortemente para que Ele se digne chamar à unidade da Igreja a todos os errantes.

Nesta questão que é, sem dúvida, gravíssima, utilizamos e queremos que seja utilizada como intercessora a Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da graça divina, vencedora de todas as heresias e auxílio dos cristãos, para que Ela peça, para o quanto antes, a chegada daquele dia tão desejado por nós, em que todos os homens escutem a voz do seu Filho divino, “conservando a unidade de espírito em um vínculo de paz” (Ef. 4,3).

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19. Conclusão e Bênção Apostólica  

Compreendeis, Veneráveis Irmãos, o quanto desejamos isto e queremos que o saibam os nossos filhos, não só todos os do mundo católico, mas também os que de Nós dissentem. Estes, se implorarem em prece humilde as luzes do céu, por certo reconhecerão a única verdadeira Igreja de Jesus Cristo e, por fim, nEla tendo entrado, estarão unidos conosco em perfeita caridade.

No aguardo deste fato, como auspício dos dons de Deus e como testemunho de nossa paterna benevolência, concedemos muito cordialmente a vós, Veneráveis Irmãos, e a vosso clero e povo, a bênção apostólica.

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Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia seis de janeiro, no ano de 1928, festa da Epifania de Jesus Cristo, Nosso Senhor, sexto de nosso Pontificado.

Pio, Papa XI.

Sidney Silveira

O conhecimento diabólico do futuro

Sabemos que os entes operam no limite das potências radicadas na forma específica do seu ato de ser, que é participado. Assim, apesar de Charles Darwin, no dia em que o macaco resolver um teorema de matemática pura, entender as relações geométricas implicadas numa variante do jogo de xadrez e, por fim, redigir algo tão extraordinário como o PL 122 que circula pelos corredores de nosso Legislativo, teremos encontrado o elo perdido da teoria da evolução. Mas como a metafísica aconselha-nos a não ser tão otimistas, fiquemos por ora com a certeza de que, nos entes, o operar segue o ser (operatio sequitur esse), e, portanto, nada pode atuar além de suas possibilidades ontológicas. E isto também se aplica aos demônios: a sua operação é demarcada pela forma entitativa que lhes é própria, o que nos leva a uma série de questões relevantes, se se trata de estudar como tais criaturas podem agir sobre o homem. Uma delas implica o ato do conhecimento, que neles é mais perfeito do que em nós.

Pois bem, conhecer é apossar-se da forma inteligível do ente em ato, além de ser um movimento acidental da potência intelectiva. Esta máxima gnosiológica, no entanto, não elucida todos os modos próprios deste tipo especial de relação chamada “conhecimento”. Ressalte-se, neste ponto, que uma coisa é o conhecimento atual — ou presencial, para alguns tomistas. Este acontece quando o intelecto tem a clara visão de determinado inteligível. Por exemplo, o médico que, após a análise de um conjunto de exames à luz dos princípios por ele conhecidos, constata o câncer do paciente. Neste caso poder-se-ia dizer que a inteligência do médico o câncer, presencia-o, ou seja, apossa-se formalmente desta realidade extramental (quer dizer: que está fora de sua mente). Então o médico pode afirmar: eu sei, aqui e agora, que este meu paciente tem um câncer. Em síntese, dá-se nesta hipótese a adequação entre a inteligência a coisa.

Ocorre que conhecer algo não é apenas conhecer as causas de que depende. Posso muito bem conhecer as causas de uma coisa, mas não elucidar a sua essência e não esgotar a inteligibilidade do seu modo de operar (aqui, dada a nossa humana forma de conhecer, não custa lembrar que só temos a notitia veritatis da essência de uma coisa quando descortinamos quais são as suas operações próprias, e não por uma espécie mágica de intuição direta). Daí que exista também um tipo de conhecimento ao qual podemos chamar de conjectural, ou seja: um saber que parte de premissas claras e seguras, mas ainda não é atual, no sentido de que: a) a realidade cognoscível ainda não se atualizou na ordem do ser, e, portanto, trata-se de uma mera probabilidade; b) ela atualizou-se, mas o cognoscente ignora algumas de suas notas distintivas; c) ela atualizou-se, mas o cognoscente não conhece a totalidade da série causal ali implicada; etc.

Não é o caso, neste texto, de examinar todos os tipos de conhecimento, mas cito os dois acima — o presencial e o conjectural — para abordar um problema a propósito do tema em questão. Pois bem, tendo os demônios as formas inteligíveis das coisas infundidas em sua mente por Deus desde o instante em que foram criados como anjos, eles não extraem das coisas o conhecimento, como nós, mas contemplando-as apenas atualizam o conhecimento que desde sempre tiveram acerca delas. Por exemplo: antes de haver o ente gato, eles já conheciam a forma inteligível gatesca que lhes havia sido posta na inteligência por Deus, razão pela qual Santo Tomás de Aquino, fazendo uso de uma linguagem analógica, chega a afirmar em alguns textos que as coisas têm mais ser na inteligência dos anjos do que em si mesmas.

Ocorre o seguinte: conhecer o quid est do gato não é conhecer este ou aquele gato (pois o conhecimento quiditativo também se distingue do presencial, como me ensinou o meu querido amigo Luiz Astorga, um metafísico de alto coturno, para usar uma metáfora militar dos tempos de antanho), razão pela qual a questão espinhosa no tomismo sempre foi saber como os demônios, conhecendo desde sempre as essências ou quididades, conhecem também os entes singulares. Esta questão é correlata a outra — a que nos interessa aqui, pois estamos em meio a uma investigação teológica: até que ponto podem os demônios conhecer o futuro? E, conhecendo-o, como poderiam atuar sobre o homem, para perdê-lo?

Noutros textos assinalamos que Deus, sendo Ser infinito, simplícimo, conhece tudo presencialmente, ou seja, tem a posse perfeita de todos os inteligíveis em ato porque todos têm a sua fonte n’Ele mesmo e nada existe fora do Ser, quer dizer: à parte de Deus. Daí afirmar-se que Deus, conhecendo-Se em ato perfeitamente, conhece tudo o que é, o que foi, o que será e o que seria — em grau sumo e sem defecção de nenhum tipo. Por sua vez, dos anjos (e por conseguinte dos demônios), que não são Ato Puro simplícimo de ser, dado que têm composição de ato e potência, de substância e acidentes e de essência e ser, podemos dizer que:

a) tendo em sua inteligência todas as formas inteligíveis das coisas criadas, eles conhecem virtualmente tudo no plano natural, embora não de forma instantânea (num só ato), e sim sucessiva, com um antes e um depois;

b) eles não esgotam a inteligibilidade do Próprio Ser, que é Deus, pois a inteligibilidade deste é tão inesgotável e infinita quanto o seu Ser, e nenhum ente finito pode abarcá-la;

c) eles não conhecem a ordem da Divina Providência, que sobrepassa toda natureza criada.

Acrescente-se a isto o fato de que os demônios (como qualquer criatura) precisam transitar da potência ao ato para atuar, na exata medida em todo ente, não sendo ato puro de ser, é composto, e tudo o que tem composição opera por meio de faculdades, e estas, por sua vez, estão em potência em relação aos seus objetos formais próprios. No caso do demônio, criatura angelical, a sua inteligência, mesmo tendo as formas inteligíveis das coisas já infundidas nela, está em potência para adquirir novos conhecimentos ou atualizar os que virtualmente já possui. Assim, pode um anjo conhecer um novo conteúdo inteligível sobrenatural, revelado diretamente por Deus, por exemplo; pode conhecer algo novo comunicado por um anjo de hierarquia superior, que conhece as mesmas coisas por meio de formas inteligíveis mais universais; etc.

Tendo em vista tudo o que foi assinalado até aqui, com relação ao modo elevado de conhecimento angélico — e portanto demoníaco —, diga-se que a criatura espiritual conhece as coisas de três formas principais: 1ª.: o já citado conhecimento presencial (a posse do inteligível hic et nunc, numa fulgurante intuição direta das essências das coisas); 2ª.: o conhecimento certo (o futuro necessário, deduzido das causas essencialmente ordenadas)1; 3ª.: e o conhecimento conjectural, também mencionado (o futuro contingente, deduzido de causas acidentalmente ordenadas). Neste último caso, é possível ao anjo errar, pois, embora as suas deduções sejam precisas ao extremo, não abarcam a completude dos modos de ser da realidade, daí Santo Tomás ter provado que somente Deus pode conhecer perfeitamente os futuros contingentes, pois tudo para a Sua inteligência é presença; só Ele, pois, é omnisciente.

Finalizando o quadro, podemos dizer que um evento futuro pode ser conhecido em si mesmo, ou nas causas de que depende. O primeiro modo só cabe a Deus, Ser perfeitíssimo e, portanto, superior a qualquer ordem temporal — pois Ele não apenas é eterno, mas é a própria eternidade sem a qual sequer poderia haver tempo, como mostra o Nougué no segundo DVD da série A Síntese Tomista, intitulado “O Tempo e a Eternidade em Santo Tomás de Aquino”. Sendo assim, o futuro para Ele não há.

Com relação ao segundo modo, vale reiterar o que ficou acima assentado, mas com outras formulações:

  • Ø Certos sucessos ou eventos dependem de causas necessárias, ou seja, não podem não acontecer num dado contexto (por exemplo, a aurora). Este e qualquer outro futuro necessário pode ser conhecido perfeitamente pelo demônio, cuja inteligência agudíssima penetra os segredos da natureza;
  • Ø Outros sucessos ou eventos dependem de causas acidentais radicadas em algumas tendências do ente. Trata-se aqui do futuro conjecturável, que não pode ser conhecido perfeitamente pelo demônio, mas em muitos casos pode ser deduzido com grande probabilidade de acerto, mas não mais que isto. A propósito, o demônio somente tentou a Cristo porque o seu conhecimento acerca da pessoa de Nosso Senhor era conjectural, e não presencial apodíctico, como se afirmou alhures;
  • Ø Por fim, outros sucessos provêm de causas imprevisíveis, ou seja, que podem produzir este ou aquele efeito de forma indiscriminada (por exemplo, diante de um mesmo fato, um homem converte-se à fé e o outro se perde). É o chamado futuro livre ou contingente, que não está à mão de nenhuma criatura prever.

Ditas estas coisas, concluamos dizendo que o conhecimento do demônio acerca da natureza humana é superior ao do próprio homem, mas ainda há mais: o conhecimento presencial dos demônios acerca de um enorme conjunto de acidentes individuantes deste ou daquele homem é também elevadíssimo. Por exemplo, ao contemplar um indivíduo qualquer, um demônio — cuja inteligência não possui o obstáculo da matéria — conhece todos os seus detalhes corporais (ex.: se há alguma artéria entupida, a quantidade de sangue circulante no corpo, os dentes bons e cariados, etc.).

Ora, como boa parte dos pecados têm ressonância no corpo, um demônio com poucas informações consegue muitas vezes ter a clara visão da situação espiritual de um homem (se é tendente à gula, à luxúria, à ira, etc.). Daí que, conhecendo essas tendências viciosas, bastará a ele apresentar ou sugerir as imagens que induzirão o homem a atualizá-las.

O que os satanazes não podem, de maneira alguma, é prever com grau máximo de certeza se o homem tentado cairá ou não, pois, como ficou acima dito, só Deus conhece os futuros contingentes.

(continua)

[1] Quem me adverte com relação ao conhecimento certo (intermediário entre o presencial e o conjectural) é também o nobre amigo Luiz Astorga, que atualmente está se doutorando com uma tese sobre o estatuto ontológico das formas inteligíveis angélicas. Um tomista de quem todos ainda ouviremos muito falar no Brasil.

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Fonte: Contra Impugnantes

Sidney Silveira
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Aos amigos que, nesta semana, me enviaram mensagens indagando acerca do evento do dia 28/05, em São Paulo, um aviso: a pedido do Pe. Renato Leite, este dia de atividades centradas na obra de Santo Tomás de Aquino foi transferido para o final de julho. Outras informações serão dadas adiante aqui mesmo no Contra Impugnantes e, também, no Fratres in Unum.
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Carlos Nougué
As “Jornadas 2011″ da FSSPX, no Seminário de La Reja, versarão sobre o tema da “Política Católica”, e terão entre seus expositores o Padre Álvaro Calderón. Ou seja, versarão sobre o próprio tema que nos levou à fundação do SPES – Seminário Permanente de Estudos Sociopolíticos Santo Tomás de Aquino, e contarão com aquele por quem nos orientamos constantemente, o Padre Calderón. Vejam o cartaz das Jornadas aqui.
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Traduzimos abaixo o e-mail de convite às Jornadas, e reproduzimos, em PDF, o próprio folheto da FSSPX sobre este evento da maior importância.
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“Caros amigos,
Enviamos-lhes o folheto e o convite para as JORNADAS 2011. Aos jovens pedimos que se inscrevam O QUANTO ANTES para facilitar a organização.
A todos: que rezem pelo sucesso destas Jornadas; convidem seus conhecidos e parentes e nos ajudem a pagar os numerosos gastos gerados por estas Jornadas.
Desde já muito obrigado a todos, e que Deus os bendiga copiosamente.”
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Fonte: FSSPX

pelo editorial de dici.org

Anunciada pelo Cardeal Tarcisio Bertone em 30 de Dezembro de 2007, a Instrução Universae Ecclesiae,  sobre a aplicação do Motu Proprio Summorum Pontificum (7 de Julho de 2007), foi publicada em 13 de Maio de 2011 pelo Pontifícia Comissão Ecclesia Dei.

O documento, assinado pelo Cardeal Willian Levada da Congregação para a Doutrina da Fé e por Dom Guido Pozzo, Secretário da Comissão Ecclesia Dei, é publicado depois que os bispos do mundo inteiro dirigiram a Roma o balanço dos três anos decorridos desde a publicação do Motu Proprio, conforme o desejo expresso por Bento XVI na carta de acompanhamento de 7 de Julho de 2007.

Este importante atraso demonstra quantas dificuldades encontrou, junto dos bispos, a aplicação de Summorum Pontificum. De tal modo que Universae Ecclesiae tem como objetivo oficial «garantir a interpretação correta e a justa aplicação do Motu Proprio Summorum Pontificum» (nº 12), mas também e, sobretudo, facilitar a sua aplicação, que os Ordinários só consentem com parcimônia. O intervalo de tempo previsível entre o direito da Missa Tradicional, reconhecido pelo Motu Proprio, e o fato desse reconheccimento pelos bispos, tinha sido anunciado por Dom Fellay na sua Carta Aberta aos Benfeitores de 7 de Julho de 2007.

Esta situação de fato, obriga o documento romano a relembrar certos pontos:

  • Por este Motu Proprio, o Soberano Pontífice Bento XVI promulgou uma lei universal para toda a Igreja, com a intenção de dar um novo quadro normativo ao uso da Liturgia Romana em vigor em 1962 (nº 2);
  • O Santo Padre retoma o princípio tradicional, reconhecido desde tempos imemoriais e a manter, necessariamente, no futuro, segundo o qual «cada Igreja particular deve estar de acordo com a Igreja Universal, não somente na doutrina da Fé e nos sinais sacramentais, mas também nos usos recebidos universalmente da Tradição Apostólica ininterrupta. Estes devem ser observados não somente para evitar erros, mas para transmitir a integridade da Fé, porque a regra da oração da Igreja corresponde à sua regra de Fé» (nº 3).
  • O Motu Proprio propõe:

a)      Oferecer a todos os fiéis a Liturgia Romana no usus antiquior, como tesouro a conservar preciosamente;

b)      Garantir e assegurar realmente o uso da forma extraordinária a todos os que o peçam, sendo entendido que o uso da Liturgia Romana em vigor em 1962 é uma faculdade dada para o bem dos fiéis e, portanto, a interpretar no sentido favorável aos fiéis, que são os seus principais destinatários;

c)      Favorecer a reconciliação no seio da Igreja (nº 8).

Do mesmo modo, por motivo dos litígios levantados pela pouca boa-vontade dos bispos na aplicação do Motu Proprio, a Instrução dota a Comissão Ecclesia Dei de poder reforçado:

  • A Pontifícia Comissão exerce este poder não somente graças às faculdades anteriormente concedidas pelo Papa João Paulo II e confirmadas pelo Papa Bento XVI (cf. Motu Proprio Summorum Pontificum, artº 11-12), mas também graças ao poder de exprimir uma decisão, na qualidade de superior hierárquico, nos recursos que lhe são legitimamente apresentados contra atos administrativos do Ordinário, que pareçam contrários ao Motu Proprio (nº 10, §1).
  • Em caso de litígio ou de dúvida fundada sobre a celebração na forma extraordinária, a Pontifícia Comissão Ecclesia Dei julgará (nº 11).

Prevendo um recuso possível:

  • Os decretos pelos quais a Pontifícia Comissão exprime a sua decisão sobre os recursos, poderão ser atacados ad normam iuris perante o Supremo Tribunal da Signatura Apostólica (nº 10, § 2).

Assim, convirá observar com cuidado, nos meses vindouros, se estas disposições se revelam eficazes e se o fato dos bispos se alinha realmente pelo direito que a Comissão Ecclesia Dei está encarregada de fazer respeitar.

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Muito atento às oposições e cuidadoso no cuidar de pontos de vista divergentes, o documento romano tem um carácter diplomático facilmente perceptível. Assim, podem verificar-se vários paradoxos que, apesar do declarado desejo de unidade, revelam as dissenções que é preciso ter em conta:

  • Curiosamente, são os bispos ligados à aplicação generosa do Motu Proprio que se arriscam a não poder ordenar, no rito tradicional, os seminaristas das suas dioceses. Com efeito, o nº 31 estipula: «Só os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica que dependem da Pontifícia Comissão Ecclesia Deis, bem como aqueles em que se mantém o uso dos livros litúrgicos da forma extraordinária, podem utilizar o Pontifical Romano em vigor em 1962 para conferir as Ordens Maiores e Menores.»

A este propósito, o texto lembra a legislação pós-conciliar, que suprimiu as Ordens Menores e o subdiaconato. Os candidatos ao Sacerdócio são incardinados somente quando do diaconato; contudo, poderá no rito antigo ser conferida a tonsura, as Ordens Menores e o subdiconato, sem, todavia, lhes reconhecer o menor valor canônico. Este ponto opõe-se, claramente, ao princípio lembrado, no nº 13, sobre a adesão aos «usos recebidos universalmente da Tradição Apostólica ininterrupta».

  • Paradoxalmente, são excluídos das disposições do documento romano os padres mais ligados à Missa Tradicional como «tesouro a conservar preciosamente» (nº 8), e que, por tal fato, não são bi-ritualistas. Com efeito, o nº 19 afirma: «Os fiéis que pedem a celebração da forma extraordinária não devem nunca auxiliar ou pertencer a grupos que negam a validade ou a legitimidade da Santa Missa ou dos sacramentos celebrados segundo a forma ordinária, ou que se opõem ao Pontífice Romano como Pastor supremo da Igreja universal.»

Notar-se-á, aqui, uma gradação: a Instrução fala de “validade” ou de “legitimidade”, onde a Carta de Bento XVI aos Bispos, de 7 de Julho de 2007, reclamava um «reconhecimento do valor da santidade» do Novus Ordo Missae e a não exclusividade da celebração tradicional. Não é menos provável que este nº 19 forneça aos bispos a possibilidade de neutralizar eficazmente a Instrução, paralisando o seu desejo de uma larga aplicação do Motu Proprio «para o bem dos fiéis» (nº 8).

Certos apressados comentários fizeram crêr que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X estava também excluída, por razão da sua oposição ao Pontífice Romano, o que não é exato, pois o levantamento das “excomunhões” dos seus bispos foi feito porque Roma considerou, precisamente, que eles não se opunham ao primado do Papa. Com efeito, o decreto de 21 de Janeiro de 2009 retomava os termos de uma carta de 15 de Dezembro de 2008, dirigida por Dom Fellay ao Cardeal Castrillón Hoyos: «crendo firmemente no primado de Pedro e nas suas prerrogativas».

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Os paradoxos desta Instrução traduzem os compromissos diplomáticos assumidos para facilitar a aplicação, até agora muito laboriosa, do Motu Proprio Summorum Pontificum, mas repousam, essencialmente, na reiterada afirmação da continuidade doutrinal entre a Missa Tridentina e o Novus Ordo Missae: «Os textos do Missal Romano do Papa Paulo VI e da última edição daquele do Papa João XXIII são duas formas da Liturgia Romana, respectivamente chamadas ordinária e extraordinária: trata-se de duas formas justapostas do único Rito Romano. Uma e outra forma exprimem a mesma lex orandi da Igreja (nº 6).

Ora, neste ponto não se pode senão verificar oposição entre dois Prefeitos sucessivos da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Alfredo Ottavianni, no seu Breve Exame Crítico da Nova Missa, e Cardeal William Levada, signatário da presente Instrução.

No seu estudo, entregue a Paulo VI em 3 de Setembro de 1969, o Cardeal Ottaviani escreveu: «O novo Ordo afasta-se, de maneira impressionante, no seu conjunto como em pormenor, da teologia Católica da Santa Missa, definida para sempre pelo Concílio de Trento». E o Cardeal Alfonso Maria Stickler, bibliotecário da Santa Igreja Romana e arquivista dos Arquivos Secretos do Vaticano, escrevia em 27 de Novembro de 2001, por ocasião ds reedição do Breve Exame Crítico dos Cardeais Ottaviani e Bacci: «A análise do Novus Ordo feita por estes dois Cardeais não perde nada do seu valor nem, infelizmente, da sua atualidade… Os resultados da reforma são hoje julgados devastadores por muitos. Foi mérito dos Cardeais Ottaviani e Bacci descobrir muito cedo que a modificação dos ritos desembocava numa mudança fundamental da doutrina.»

É muito em razão das graves carências do Novus Ordo Missae, e das reformas introduzidas sob Paulo VI, que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X se interroga seriamente, pelo menos, sobre a «legitimade da Santa Missa ou dos sacramentos celebrados segundo a forma ordinária» (nº 19), ou até mesmo sobre a validade do princípio, tão difícil é, como tinha notado em 1969 o Cardeal Ottaviani, considerar a Missa de São Pio V e a de Paulo VI na mesma «tradição apostólica ininterrupta» (nº 3).

Ninguém duvida que a Instrução Universae Ecclesiae, que se inscreve na linha do Motu Proprio Summorum Pontificum, constitua uma etapa importante no reconhecimento dos direitos da Missa Tradicional; mas, as dificuldades de aplicação que a Instrução se esforça por retirar, não o serão plenamente senão pelo estudo da divergência profunda, não tanto entre a Fraternidade São Pio X e a Santa Sé, como entre a Missa Tradicional e o Novus Ordo Missae. Divergência que não pode ser objeto de um debate sobre a forma (“extraordinária” ou “ordinária”), mas sobre o fundo doutrinal.

DICI n°235 – 19/05/11


Palestrante: Prof. Sidney Silveira

Dia 28 de Maio de 2011

Inscrições até o dia 26 de maio

Programação:

9h às 12h: A Metafísica do Pecado (da impecabilidade de Deus à realidade do homem caído);

14h às 17h: Os princípios metafísicos da ordem moral

18h: Santa Missa no Rito Tridentino

Informações e inscrições pelo email: evento_tomista@hotmail.com

Investimento: R$ 50,00 — incluso material didático e brunch

Local do Evento: Colégio Maria Imaculada -  Av. Bernardino de Campos, 79 (Próximo ao metrô Paraíso).

Fonte: Fratres in Unum

Fonte: Escravas de Maria

Um dia inesquecível para Nova Friburgo
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Depois dos lamentáveis acontecimentos ocorridos na Cidade de Nova Friburgo no início deste ano, Dom Tomás de Aquino, procurou o senhor prefeito sugerindo a consagração da cidade ao Imaculado Coração de Maria, como melhor meio de obter ao mesmo tempo a proteção de Deus contra novos flagelos e a conversão da cidade cujos pecados certamente foram a causa principal dos males que recaíram sobre ela.
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E hoje, dia treze de maio de 2011,  Nossa Senhora concedeu esta grande graça aos friburguenses, pois na sede da Prefeitura, na presença de Dom Tomás de Aquino, dos monges beneditinos da Santa Cruz e de alguns fiéis, o Excelentíssimo Prefeito Doutor Demerval Barboza Moreira Neto, consagrou a cidade de Nova Friburgo ao Imaculado Coração de Maria, deixando exposto num lugar de honra a imagem deste venerado Coração, cumprindo tanto quanto foi possível, a vontade de Nosso Senhor manifestada em Fátima, de ver os corações, as famílias, as cidades, os paises e o mundo inteiro, consagrado ao Imaculado e Doloroso Coração de Sua Mãe Santíssima. “Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Coração Imaculado.” Nossa Senhora de Fátima.
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Rezemos para que Deus, Nosso Senhor,  possa derramar graças por meio do Imaculado Coração de Maria a esta cidade tão flagelada pelos últimos acontecimentos, trazendo para este solo consagrado:  conversão, santificação, esperança e consolo, para que se reestabeleça neste local o Reinado de Nosso Senhor Jesus Cristo.  Rezemos também para que o Santo Padre consagre a Rússia ao Imaculado Coração, rezemos para que os sacerdotes se empenhem na propagação desta devoção,  que como disse o Cardeal Cerejeira, Patriarca de Lisboa, é a última intervenção misericordiosa do Coração de Maria para salvar os homens e as nações.
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ATO DE CONSAGRAÇÃO PROFERIDO
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Conscientes de nossa responsabilidade diante de Deus e de nossos concidadãos, conscientes de que nada acontece sem a permissão de Deus, que tempera as alegrias e as dores em vista da salvação eterna de seus filhos, conscientes de que os flagelos não têm outra razão senão os nossos pecados, conscientes, enfim, de que Deus Ele mesmo nos deu Maria Santíssima, Mãe de seu eterno Filho, por medianeira de todas as graças e auxílio de todos os que a ela recorrem, nós, com ardente amor filial, consagramos hoje a cidade de Nova Friburgo ao Imaculado Coração de Maria, pedindo-lhe que afaste de nossa cidade toda e qualquer calamidade e, acima de tudo, nos obtenha a graça de nos afastarmos daquilo que mais ofende a soberania divina, ou seja, nossos pecados, causa dos males que sobrevieram sobre nós na terrível catástrofe do 12 de janeiro deste ano de graça de 2011.
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        Ó Mãe Santíssima, animados por um profundo amor filial, nós vos consagramos nossa cidade, nossas pessoas e nossos bens. Cuidai de uns e outros como coisa e propriedade vossa. Protegei nossas almas, nossos corpos, nossas famílias, nossos parentes e nossos amigos.
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        Nós vos reconhecemos por nossa Mãe e por Mãe de Deus. Nós reconhecemos vossa Imaculada Conceição e todos os privilégios que Deus vos concedeu.
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        Muitos vos desconhecem, muitos vos abandonaram, mas tende piedade de todos e estendei vossa proteção sobre toda a nossa cidade. Assim seja.
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Que assim seja em Nova Friburgo!
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 Obs. Esta consagração se inspirou no apostolado das Irmãs Escravas de Maria Rainha da Paz, de Campo Grande, que já haviam obtido uma consagração semelhante em Campo Grande/MS  e que divulgam com grande ardor e zelo esta devoção, por meio da Cruzada Cordimariana , a pedido do Monsenhor Alfonso de Galarreta, Bispo da FSSPX, consagrando instituições, cidades e famílias. A Cidade de Campo Grande, cidade onde residem as irmãs, já foi consagrada aos Sagrados Corações, graças também a seu apostolado. Confira as fotos: http://escravasdemaria.blogspot.com/p/c-erimonia-de-consagracao-de-campo.html
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Entre neste exército,
 consagre-se já  ao Imaculado Coração de Maria
por meio da Cruzada Cordimariana!

Fonte: Escravas de Maria

Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!

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A Mensagem de Fátima
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“A imagem de Nossa Senhora de Fátima recorda a última intervenção misericordiosa do Coração de Maria para salvar os homens e as nações”, dizia o Cardeal Cerejeira, Patriarca de Lisboa. E Pio XII acrescentava: “Passou a hora de discutir a realidade das aparições de Fátima. Já chegou o momento de aceitar os seus ensinamentos”.
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Em Fátima a Virgem Maria falou ao mundo e nos revelou o seu Coração Doloroso e Imaculado como arca de salvação, refúgio e renovação das almas, como caminho seguro e simples para chegar a Deus nestes tempos de tanto perigo e desorientação, em troca tão somente, assim prometeu Nosso Senhor, de um amor sincero de entrega e de reparação pelas ofensas ao seu Coração.
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A história de Fátima pode dividir-se em três capítulos, tão entrelaçados como vinculados entre si: as aparições do Anjo em 1916, as aparições da Virgem Maria desde maio até outubro de 1917, e algumas aparições complementares nas quais a Virgem vem realizar o que havia prometido  no dia 13 de julho de 1917. Todo isso forma uma unidade perfeita, na qual não é possível separar umas coisas das outras, nem nos fatos, nem na mensagem.
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A mensagem de Fátima se resume no Coração Imaculado de Maria, elemento central e onipresente nestas revelações. Vejamos que graça e perfeição contêm este Coração que Deus criou para a sua glória e para a nossa salvação.
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As aparições do Anjo
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Quando se sucederam os acontecimentos de 1917, Lúcia, de 10 anos, e seus primos Francisco e Jacinta, irmãos de 9 e 7 anos respectivamente, já guardavam um grande segredo: lhes tinha aparecido um Anjo e lhes tinha falado três vezes.
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Na  primeira aparição, ajoelhando-se e prostrando-se em terra, fez os meninos repetirem três vezes: “Meu Deus! Eu creio, adoro, espero e amo-Vos! Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam” e lhes manifestou uma esplêndida promessa, vinculada aos Sagrados Corações: “Orai assim. Os corações de Jesus e Maria estão atentos à voz das vossas súplicas”.
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 Na  segunda aparição insistiu que os Sagrados Corações têm desígnios de misericórdia sobre aqueles pastorzinhos: “Orai, orai muito! Os Corações Santíssimos de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente, ao Altíssimo, orações e sacrifícios”.
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“Estas palavras do Anjo – disse Lúcia –  gravaram-se em nosso espírito, como uma luz que nos fazia compreender quem era Deus, como nos amava e queria ser amado, o valor do sacrifício, e como Lhe era agradável, como, por  atenção a ele, convertia os pecadores”.
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E na terceira aparição o Anjo descobre todo o mistério de reparação que vai se desenvolver na mensagem de Fátima. Ajoelhando-se junto a eles, lhes  faz repetir três vezes a seguinte oração: “Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoroVos profundamente e ofereço-Vos o Preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E,  pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores”.
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O Anjo de Fátima deixava desta maneira nos meninos um sentimento profundo da Majestade de Deus ofendida, um sentido de reparação e desejo veemente de sacrifício pelos pecadores, mostrava a íntima união dos Corações de Jesus e de Maria, e preparava a manifestação do Coração da Mãe de Deus.
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As aparições marianas
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A 13 de maio de 1917, domingo, a Virgem Maria aparecia em Fátima, cerca do meio dia, aos três pastorzinhos. “Vimos sobre uma azinheira uma Senhora vestida toda de branco, mais brilhante que o sol, espargindo luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente”. Depois de um breve diálogo, que poderíamos chamar de apresentação, a Virgem Maria desenvolve a sua mensagem: “Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?” – “Sim, queremos” – respondeu Lúcia em nome dos três. 10 – “Ides, pois, ter muito que sofrer, mas a graça de Deus será o vosso conforto”. “Foi ao pronunciar estas últimas palavras que abriu pela primeira vez as mãos comunicando-nos –  é a irmã Lúcia quem descreve – uma luz tão intensa, como que reflexo que delas expedia, que, penetrando-nos no peito e no mais íntimo da alma, fazia-nos ver a nós mesmos em Deus, que era essa luz, mais claramente do que nos vemos no melhor dos espelhos”.
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13 de junho
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Tinha passado um mês. O cenário era o mesmo e os personagens também. Lúcia: “Queria pedir-Lhe para nos levar para o Céu”. Nossa Senhora: “Sim, à Jacinta e ao Francisco levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-se de ti para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. A quem a abraçar, prometo a salvação; e serão queridas de Deus estas almas, como flores postas por Mim a adornar o seu trono”. Lúcia: “Fico cá sozinha?” Nossa Senhora: “Não, filha. E tu sofres muito? Não desanimes. Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus”. 11 “Foi no momento que disse estas últimas palavras que abriu as mãos e nos comunicou pela segunda vez o reflexo dessa luz imensa. Nela nos víamos como que submergidos em Deus. A Jacinta e o Francisco pareciam estar na parte dessa luz que se elevava para o Céu e eu na que se espargia sobre a terra. À frente da palma da mão direita de Nossa Senhora estava um Coração cercado de espinhos que pareciam estar nele cravados. Compreendemos que era o Imaculado Coração de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que queria reparação”.
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13 de julho
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Nossa Senhora: “Sacrificai-vos pelos pecadores e dizei muitas vezes e em especial sempre que fizerdes algum sacrifício: Ó Jesus, é por vosso amor, pela  conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria”. Lúcia: “Ao dizer estas últimas palavras abriu de novo as mãos como nos dois meses passados. O reflexo pareceu penetrar a terra e vimos como que um grande mar de fogo e mergulhados nesse fogo os demônios e as  almas como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas com forma humana que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que delas mesmas saíam juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados – semelhantes ao cair  das fagulhas nos grandes incêndios – sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizavam e faziam estremecer de pavor. Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes como negros carvões em brasa. Assustados e como a pedir socorro, levantamos  os olhos para Nossa Senhora que nos disse com bondade e tristeza:” Nossa Senhora: “Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para salvá-las, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas  almas e terão paz… Virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja; os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas; por fim, o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz”. Nesta terceira aparição, Nossa Senhora descobria todas as misteriosas intenções de Deus  sobre o mundo, encerradas nele. É aqui onde o tema do Coração de  Maria vai unido ao segredo de Fátima. Primeiro a visão do inferno, que não se tratava de assustar as pobres crianças, mas de destacar bem que atualmente a misericórdia do Senhor colocava de forma especial a salvação das almas na mediação do Coração de Maria. Depois o anúncio da paz, desde que “atenderem a meus pedidos”, quer dizer, se cumpríssemos a sua Vontade. De fato o texto acrescentava que a guerra, presente então, a de 1914-18, estava por acabar, mas que se não deixassem de ofender a Deus, logo começaria outra pior, na qual Deus ia castigar o mundo pelos seus crimes. A devoção ao Coração Imaculado de Maria estava destinada em parte a impedir a guerra de 1939-45. Não merecemos esta graça. Por isso o texto diz literalmente: “Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora”. A grande promessa de Pontevedra e Tuy não estava destinada unicamente a alcançar a salvação individual das almas, mas a uma ampla graça de paz e de conversão para todo o mundo.
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Nossa Senhora voltou
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Nossa Senhora cumpriu a sua promessa de voltar para manifestar a sua vontade a Lúcia, e por ela a todos os homens. Duas coisas havia anunciado que viria pedir: a prática da comunhão reparadora dos primeiros sábados do mês e a consagração da Rússia ao seu Coração Imaculado.
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Vejamos como e quando fez estes pedidos.
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A grande promessa do Coração de Maria em Pontevedra
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A primeira promessa Nossa Senhora cumpriu no dia 10 de dezembro de 1925. Irmã Lúcia, como postulante dorotéia, estava na sua cela quando lhe apareceu Nossa Senhora pondo-lhe uma mão sobre o ombro enquanto lhe mostrava na outra um coração cercado de espinhos. Ao lado de Nossa  Senhora estava o Menino Jesus sobre uma nuvem luminosa, quem lhe disse: “Tem pena do Coração de tua Santíssima Mãe, que está coberto de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos Lhe cravam, sem haver quem faça um ato de reparação para os tirar”.
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A Santíssima Virgem acrescentou: “Olha, minha filha, o meu Coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos Me cravam com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de Me consolar, e dize que todos aqueles que durante cinco meses, no primeiro sábado, se confessarem, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um terço e me fizerem quinze minutos de companhia meditando nos quinze mistérios do Rosário com o fim de Me desagravar, Eu prometo  assisti-los na hora da morte com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas”.
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Existe algo essencial a todos estes elementos: a reparação cordimariana. Naturalmente que toda reparação do pecado vai dirigida a Deus Pai, por meio  do Filho no Espírito Santo, mas o lugar singular que a Virgem Maria tem na obra da salvação faz que o pecado fira de modo especial o seu Coração.
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Explicação das condições
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• A confissão em espírito de reparação. Se não puder ser feita no primeiro sábado do mês, pode ser antecipada dentro dos oito dias. Inclusive poderia bastar a confissão mensal, que sempre deve ser feita com a intenção de reparar o Coração Imaculado de Maria.
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• A  comunhão reparadora. É o ato essencial desta devoção. Para compreender o seu sentido e o seu alcance, é preciso relacioná-la com a comunhão milagrosa do outono de 1916, orientada pelas palavras do Anjo a uma idéia reparadora, e com a comunhão das primeiras sextas-feiras de mês que pediu o Sagrado Coração em Paray-le-Monial.
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Sobre a dificuldade pontual para cumprir com esta condição no sábado, Nosso Senhor respondeu à Irmã Lúcia na noite do 29 ao 30 de maio de 1930: “Será igualmente aceita a prática desta 15devoção no domingo seguinte ao primeiro sábado, quando os meus Sacerdotes, por justos motivos, assim o concederem às almas”.
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Desse modo, não só a comunhão, mas também a reza do terço e a meditação sobre os  mistérios podem ser feitos no Domingo, e por justos motivos que corresponde ao sacerdote julgar.
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• A oração do  terço. A 13 de outubro de 1917, a Virgem Santíssima revelou que queria que Ela fosse invocada em Fátima sob o vocábulo “Nossa Senhora do Rosário”. Em cada uma das suas seis aparições pediu a reza cotidiana do terço. E tratando-se aqui de reparar as ofensas ao seu Coração Imaculado, esta é certamente a oração vocal que lhe é mais agradável.
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• Os quinze minutos de  meditação. A Santíssima Virgem pede “quinze minutos de meditação sobre os quinze mistérios do Rosário”. Não é indispensável meditar cada mês sobre os quinze mistérios. Ao padre Gonçalves, seu diretor, Irmã Lúcia escreveu: “trata-se de acompanhar durante quinze minutos a Nossa Senhora meditando os mistérios do Rosário”. A vidente afirmava no dia 3 de dezembro de 1939, em outra carta ao seu confessor, o seguinte: “Diz o Sr. Bispo (de Leiria) que a meditação se pode fazer durante a reza do terço. Diz Sua Excelência que o faz assim para facilitar ao povo a prática dessa devoção, já que ordinariamente este não está habituado a meditar; que assim como a Santa Igreja permite que durante a Missa se rezem várias orações que são de obrigação, como a penitência da confissão, etc., e se cumpre o preceito, assim também neste caso. Contudo, será mais perfeito que quem puder faça cada coisa por separado”.
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• A intenção reparadora. Sem esta intenção geral, sem esta vontade de amor que deseja reparar e consolar a Santíssima Virgem, sem esta “compaixão”, todas estas práticas seriam incompletas. Trata-se de consolar o Coração Doloroso e Imaculado da Nossa Mãe. Ainda aqui não se trata em primeiro lugar de consolar a Virgem Maria compadecendo se do seu Coração transpassado por causa dos sofrimentos do seu Filho, mas o sentido preciso desta devoção reparadora considera as ofensas que atualmente recebe o Coração Imaculado de Maria por parte dos que rejeitam a sua mediação materna e menosprezam as suas prerrogativas. São estes outros tantos espinhos que devemos arrancar do seu Coração por estas práticas de reparação, para consolá-la e obter assim o perdão para as almas que o ofendem tão gravemente.
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Por que cinco sábados?
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“Ficando na capela, com Nosso Senhor, parte da noite do dia 29 para 30 do mês de Maio, 1930, e falando a Nosso Senhor desta questão, senti-me, de repente, possuída mais intimamente da divina Presença; e, se me não engano, foi-me revelado o seguinte:
“Minha filha, o motivo é simples: São  5 as espécies de ofensas e blasfêmias proferidas contra o Imaculado Coração de Maria.”
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1° As blasfêmias contra a Imaculada Conceição;
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2° Contra a sua Virgindade;
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3° Contra a maternidade divina, recusando, ao mesmo tempo, recebê-La como Mãe dos homens; 17
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4° Os que procuram publicamente infundir, nos corações das crianças, a indiferença, o desprezo, e até o ódio para com esta Imaculada Mãe;
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5° Os que A ultrajam diretamente nas Suas sagradas imagens.
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“Eis, minha filha, o motivo pelo qual o Imaculado Coração de Maria Me levou a pedir esta pequena reparação”.
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O Coração de Maria e a Rússia

Rússia na mensagem de Fátima

Respeito à consagração da Rússia à Mãe de Deus voltou a ser pedido no momento da grande  visão trinitária acontecida em Tuy, no dia 13 de junho de 1929. Estando Irmã Lúcia de Jesus na capela das Irmãs Dorotéias, lhe apareceu Nossa Senhora: “É chegado o momento em que Deus  pede para o Santo Padre fazer, em união com todos os Bispos do mundo, a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração, prometendo salvá-la por este meio.
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São tantas as almas que a Justiça de Deus condena por pecados contra Mim cometidos, que venho pedir reparação: sacrifica-te por esta intenção e ora”. E a Irmã Lúcia acrescenta: “Mais tarde, por meio de uma comunicação íntima, Nossa Senhora me disse, queixando-se: “Não quiseram atender ao meu pedido. Como o Rei de França, arrepender-se-ão e fa-lo-ão, mas será tarde. A Rússia terá já espalhado os seus erros pelo mundo, provocando guerras, perseguições à Igreja: o Santo Padre terá muito que sofrer”.
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Assim como Cristo exigiu através de Santa Margarida Maria Alacoque a consagração da França, assim também nos nossos dias o Céu pediu a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria. Por que a Virgem Maria cita a Rússia? Não há outros países tão pecadores e culpáveis como a Rússia? Quando os videntes ouvem, em julho de 1917, a palavra Rússia, não sabem de que se trata. É para eles simplesmente símbolo de algo maligno que combate contra Deus, o Papa, a Igreja, e que causa males sem número. Na mensagem de Fátima,  Rússia significa algo religioso, ou melhor, anti-religioso, que se concretiza no comunismo ateu e marxista, que declarou oficialmente guerra a Deus e à Igreja, e que se prolonga no ateísmo materialista e na divinização humanista que hoje reina no mundo. Se Fátima fala da Rússia não é mais que para pedir uma consagração, pressuposto necessário para a sua conversão.
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Mas por desgraça nenhum Papa cumpriu ainda a consagração da Rússia tal como a pede Nossa Senhora. E, no entanto, o Céu vinculou graças decisivas para a Igreja e para o mundo ao cumprimento deste pedido. Deve entender-se também, reciprocamente, que, se não a cumprem, sobrevirão catástrofes sobre o mundo, pelo simples fato de que Deus deixa a humanidade sem socorro, abandonada a si mesma. Por que Deus faz depender a salvação do mundo de um ato tão simples e em aparência insignificante?
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A insignificância da consagração deve pôr de manifesto a eficácia de Maria na conversão realizada. Desde o ponto de vista humano o ato que Deus pede para a conversão da Rússia não tem proporção alguma com o efeito  prometido. No entanto, será precisamente isto o que, diante  de todos os homens, mostrará a grande conversão como um fato sobrenatural. Além disso, como a consagração, segundo o pedido de Maria, deve ter um caráter público e mundial, também o conhecimento dessa conversão será acessível a todos os homens. Precisamente por esta falta aparente de proporção, o grande papel de Maria  como Medianeira de todas as graças brilhará diante dos homens na sua plena grandeza, como também se porá de manifesto a sua vitória sobre o demônio.
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Por que a Santa Sé não cumpre com os seus desejos? A Irmã Lúcia atribuía a uma permissão divina inescrutável. E quando lhe perguntaram porque Deus não convertia a Rússia sem necessidade de recorrer a este meio, respondeu com uma comunicação recebida do Senhor: “Porque quero que toda a minha Igreja reconheça essa consagração como um triunfo do Coração Imaculado de Maria, para depois estender o seu culto e pôr, ao lado do meu Divino Coração, a devoção deste Imaculado Coração”.
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A conversão da Rússia, no entanto, não deve ser pensada como produzida mecanicamente por  uma fórmula, recitada um dia pelo Papa em união com os Bispos de todo o mundo. Isto exige necessariamente a cooperação humana: uma intensa difusão da devoção ao Coração de Maria, como grande intercessora neste grave problema, para que seja a Virgem Maria, com o seu Coração Imaculado, quem venha a ser o grande suplemento em todas as deficiências da humanidade e da Igreja. “Rússia – dizia a Irmã Lúcia – está entregue a esse Coração Imaculado”. A conversão da Rússia é uma graça tão grande para a humanidade dos nossos dias que deve ser merecida com a nossa própria conversão.
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O Coração de Maria e a Igreja
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A conversão da Rússia não somente se encaminha à conversão deste povo, senão que, apesar da sua modesta aparência, será um verdadeiro meio de cura para a crise interna da Igreja, que é uma crise de Fé.
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Na aparição de julho, a Virgem Maria tinha anunciado: “se não, [Rússia]  espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja;  os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer…”. Na terceira parte do segredo faz-se menção a essa perseguição: “Vimos numa luz imensa que é Deus, algo semelhante a como se vêem as pessoas num espelho quando lhe passam por diante, um Bispo vestido de Branco (tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre), vários outros Bispos, Sacerdotes, religiosos e  religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos como se fora de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruínas, e meio trêmulo, com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do monte, prostrado de joelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás  outros os Bispos Sacerdotes, religiosos e religiosas e várias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de varias classes e posições. Sob os dois braços da Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de cristal na mão, neles recolhiam o sangue dos Mártires e com ele regavam as almas que se aproximavam de Deus”.
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… o  sangue dos mártires é semente de cristãos. Mas não esqueçamos que diante dos sofrimentos que seus filhos terão que suportar, Maria nos dá o seu Coração como lugar de refúgio.
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Jacinta foi talvez a que melhor compreendeu a relação que tinha a devoção ao Coração de Maria com o amor à Igreja e ao Santo Padre: “Em Jacinta se enraizou tanto amor pelo Santo Padre, que sempre oferecia um sacrifício a Jesus acrescentando: “É pelo Santo Padre”. A ele corresponde realizar esses desejos do Céu e ninguém mais pode substituí-lo. Irmã Lúcia, numa carta ao seu diretor espiritual, Padre  Gonçalves, precisava: “Deus promete pôr fim à perseguição na Rússia se o  Santo Padre se digna fazer, e ordena fazer igualmente aos bispos do mundo católico, um ato solene e público de reparação e de consagração aos Sacratíssimos Corações de Jesus e de Maria, e se Sua Santidade promete, mediante o fim desta perseguição, aprovar e recomendar a prática da devoção reparadora indicada mais acima”. A conclusão é simples: Deus quer salvar o mundo de hoje por meio de um verdadeiro ato de Fé da hierarquia católica.
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A consagração da Rússia se converte desta maneira na solução para a restauração da fé católica na Igreja e no mundo. Os frutos provenientes de dita consagração serão magnificamente coroados pela intervenção da Virgem: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”. A sua intervenção ficará patente: é uma graça que Deus pôs nas suas mãos, e somente por meio do seu Coração Imaculado a Igreja recuperará o seu esplendor. Por isso, apesar da profunda crise que estamos vivendo, conservamos uma esperança: o Coração de Maria.
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A Consagração ao Coração de Maria
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Em Fátima propriamente não se pediu mais que a consagração da Rússia como um meio eficaz da sua conversão e da paz do mundo. Mas evidentemente que essa consagração deverá ser precedida de uma prática extensa e intensamente vivida de outras consagrações, pessoais e sociais. É mais: a consagração da Rússia não chegará provavelmente senão como um fruto dessa consagração da Igreja em todas as ordens.
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O fundamente desta consagração é simplesmente o domínio ou realeza que Ela tem sobre nós. Nós nos consagramos ao Coração de Maria para reconhecer a posição de Maria na obra da salvação como Medianeira de todas as graças, para achar refúgio nEla pelo seu amor maternal, prometer viver  como filhos seus fiéis e querer expiar e reparar os pecados pelos quais se ofende o seu Coração Imaculado e Doloroso. Pio XII concretizava o seu sentido na mensagem de rádio da Coroação da Virgem de Fátima no dia 13 de maio de 1946: “Vós, coroando a imagem de Nossa Senhora, assinastes, com o atestado de  fé na sua realeza, o de uma submissão à sua autoridade, de uma correspondência filial e constante ao seu amor. Fizestes mais ainda: alistaste-vos Cruzados para a conquista ou reconquista do seu Reino, que é o Reino de Deus. Quer dizer: obrigastes-vos a trabalhar para que Ela seja amada, venerada, servida à volta de vós, na família, na sociedade do mundo”.
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Pela consagração nos entregamos a Deus, por meio da Virgem Maria, e concretamente, por meio do Coração Imaculado e Doloroso de Maria. Esta doação, para ser perfeita, deve ser total, das nossas pessoas e nossas coisas, e para sempre. São Luis Maria Grignion de Montfort diz no  seu ato de consagração: “Eu Vos escolho hoje, ó Maria, na presença de todos os bem-aventurados do Céu, por minha Mãe e Rainha; eu Vos entrego e consagro em toda submissão e amor o meu corpo e minha alma, minha liberdade, minha inteligência, memória e vontade, todas as minhas faculdades e sentidos, e todos os meus bens exteriores e até mesmo o valor das minhas boas ações passadas, presentes e futuras; eu me uno a Vós 24para Vos obedecer em tudo e deixar-me conduzir como uma criança; Vós podeis, pois, dispor de mim e de tudo o que me pertence segundo o vosso agrado, para a maior glória de Deus, no tempo da minha vida terrestre e por toda a eternidade. Amém”.
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Não esqueçamos que o Coração de Maria é o Coração de uma Mãe, “é o Coração da melhor das Mães – dizia Irmã Lúcia – sempre vigiando atento pela última das suas filhas. Como esta certeza me alenta e conforta!” É o Coração de uma Virgem que nos manterá puros. É o Coração de uma Rainha que nos acolherá a todos debaixo do seu manto. É finalmente o Coração de uma mártir que nos dará a fortaleza para enfrentar a vida de hoje e avançar na virtude.
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Entendida assim, a consagração a Maria é uma entrega confiante e definitiva de si mesmo à sua maternal proteção; uma súplica para que nos alcance da Divina Misericórdia graças especiais para a nossa própria santificação e que nos guie para que  alcancemos o nosso fim último, a eterna bem-aventurança do Céu.
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“Quero o que Vós quereis, lanço-me no vosso Coração abrasado de amor, divino modelo no qual devo formar-me e nele me escondo e me perco para rogar, obrar e sofrer sempre por Vós e convosco para a maior glória do vosso Divino Filho Jesus”
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São Luis Maria Grignion de Montfort
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O Coração de Maria e a santidade
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Em formas simples, a mensagem de Fátima nos descobre o mistério da graça, da habitação e da presença divina nas almas, que alcança não somente a vida cristã simples e fundamental, mas também os mais elevados graus de contemplação mística.
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Não podemos esquecer que a vida espiritual dos videntes forma parte também dessa mensagem e que eles são um exemplo palpável do que se pode aprender como chegar até os mais altas cumes da santidade, abraçando e vivendo plenamente as indicações da Virgem Maria, posto que a fonte da alta vida da graça dos videntes deve ser buscada no Coração de Maria. Umas crianças do campo, sem passar ainda da infância, com uma instrução religiosa elementar, encontram-se repentinamente transformadas em almas com intuições maravilhosas sobre os dogmas da fé e sobre a prática da vida cristã nos seus graus mais altos de heroísmo, o qual não se pode explicar sem uma clara intervenção do sobrenatural.
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São três os pontos nos quais podemos resumir a espiritualidade cordimariana segundo os testemunhos dos videntes.
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• O Coração de Maria é fonte de santificação e salvação. Jacinta, já próxima de voar ao Céu, encarrega a sua prima: “Dize a todos que Deus concede as suas graças por meio do Imaculado Coração de Maria; que peçam-nas a Ela”. Por sua parte, Francisco disse depois da segunda aparição: “Por que estava Nossa Senhora com um Coração na mão espargindo sobre o mundo essa luz tão grande, que é Deus?”, do qual se deduz que Deus – a luz – se comunicava a eles e ao mundo através do próprio Coração Imaculado.
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• A origem última desta eficácia santificadora que emana do Coração de Maria  é Deus, que mora no Coração Imaculado; e é Deus, ou seja,  a vida divina, o que Ela transmite às almas: “Ao pronunciar estas últimas palavras, abriu pela primeira vez as mãos comunicando-nos uma luz tão intensa, como que reflexo que delas expedia, que, penetrando-nos no peito e no mais íntimo da alma, fazia-nos ver a nós mesmos em Deus, que era essa luz, mais claramente do que nos vemos no melhor dos espelhos”.
Francisco, por sua parte, exclamava: “Esta gente fica tão contente só porque os demais lhes dizem que Nossa Senhora mandou rezar o Rosário… Que seria se soubessem que Ela nos mostrou a Deus no seu Coração Imaculado, nessa luz tão grande…!” Francisco era incapaz de traduzir as suas experiências: “Eu sentia que Deus estava em mim, mas não sabia como”; “O que mais me impressionou e absorveu era Deus, a Santíssima Trindade, nessa luz imensa que nos penetrava no mais íntimo da alma. Depois dizia: estávamos ardendo naquela luz e não nos queimávamos. Como é Deus? Não se pode dizer. Isso sim que ninguém pode dizer”.
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• O Coração de Maria é morada e refúgio para a alma, e caminho, em outras palavras, presença e ajuda ao longo da vida espiritual até os cumes mais altos: “O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus”. Lúcia comentaria mais tarde: “Foi ao dizer estas palavras quando abriu as mãos, fazendo penetrar no nosso peito o reflexo que delas expedia. E me parece que, neste dia, este reflexo teve como fim principal infundir em nós um conhecimento e um amor especial ao Imaculado Coração de Maria; assim como nas outras duas vezes o teve em relação com Deus e o mistério da Santíssima Trindade. Desde esse dia, sentimos no coração um  amor mais ardente pelo Coração Imaculado de Maria”.
Através desta devoção ao Coração Imaculado de Maria, Francisco e Jacinta, no breve  tempo que entre o começo das aparições e sua morte, chegaram  a escalar os cumes mais altos e heróicos da perfeição cristã. Deus, poderíamos dizer, os fez santos queimando as etapas. Em particular os sofrimentos da última doença levaram a Francisco e a Jacinta a uma identificação perfeita com Cristo crucificado.
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E essa mesma transformação é a que nós devemos pedir, descansando e apoiando-nos no Coração de Maria. Como Jacinta, devemos reparar o Coração de Maria, como Francisco consolá-lo, como Lúcia fazê-lo conhecer e amar.
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O Coração de Maria e o espírito de reparação
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Para um mundo que está perdendo o sentido do pecado, as mensagens de Fátima começam exigindo uma conversão do coração. O Anjo ensina as crianças a rezar com um sentido de reparação “pelos que não crêem, não adoram, não esperam e não amam”. Ensina-lhes a oferecer orações e sacrifícios “pela conversão dos pecadores”. E lhes convida a gestos de penitência: ajoelhar-se, prostrar-se em terra, inclinar a cabeça até o chão.
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A Virgem Maria, além de estabelecer a devoção ao seu Coração Imaculado, cujo fruto espontâneo é o amor, pediu com insistência a reparação pelos ultrajes cometidos contra o seu Coração Imaculado: “Quereis vos oferecer a Deus para fazer sacrifícios e aceitar voluntariamente todos os sofrimentos que Ele quiser vos enviar, em reparação  de tantos pecados com que a divina Majestade é ofendida, para obter a conversão dos pecadores e em desagravo das blasfêmias e ultrajes feitos ao Imaculado Coração de Maria?” Seu ensinamento doutrinal é simples e direto, dirigido contra o pecado: “Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores”. As suas últimas palavras são: “Não ofendam mais a Nosso Senhor, que já está muito ofendido”.
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A forma de mortificação que os viventes praticaram continuamente compreende uma gama imensa de pequenas e grandes mortificações. Especialmente depois da visão do inferno estão sempre pendentes de qualquer ocasião de sacrifício para aproveitá-la: privavam-se da  comida dando-a aos pobres ou às ovelhas, passavam de joelhos longos tempos com a cabeça tocando o chão rogando pelos pecadores, deixavam de beber quando era o mais intenso do verão, apesar do sol ardente e da nuvem de pó que o rebanho levantava; se aplicavam urtigas, dormiam sobre o chão, se privavam de toda classe de guloseimas, suportavam as contradições e os maus tratos com resignação e conformidade… Seu desejo de sacrifício lhes inspirou levar  a cintura cingida com uma corda grossa e áspera de junco todo o dia e noite, até que Nossa Senhora teve que lhes dizer na aparição de 13 de setembro: “Deus está contente dos vossos sacrifícios, mas não quer que durmais com a corda posta. Levai-a só durante o dia”. Lúcia se mostra especialmente impressionada pela tristeza da Santíssima Virgem em outubro: “Nesta aparição as palavras da Virgem que mais profundamente ficaram gravadas no coração foram aquelas com que Nossa Senhora a Mãe do Céu pedia que não ofendessem mais a Deus Nosso Senhor, que já estava demasiado ofendido. Que amoroso lamento e que suplica tão terna contêm! Quem dera ressoasse por todo o mundo e que todos os filhos da Mãe do Céu escutassem a sua voz!”. O mesmo acontece com Francisco, em quem causaram profunda impressão as palavras do Anjo na sua terceira aparição: “Consolai o vosso Deus”. “Enquanto a Jacinta parecia preocupada com o único pensamento de converter os pecadores e de preservar as almas do inferno. Ele [Francisco] tratava somente de pensar em consolar a Nosso Senhor e a Virgem, que lhe pareciam estar tão tristes”.
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Como mortificação cristã fundamental, Fátima pôs de relevo a importância que tem  a prática do dever cotidiano bem cumprido: “Deus se vai deixando aplacar. Mas se queixa amargamente e dolorosamente do número limitadíssimo das almas em graça dispostas a renunciar-se no que delas exige a observância da sua lei. Porque esta é a penitência que Deus pede agora: “o sacrifício que cada pessoa tem que se impor a si mesma para levar uma vida de justiça na observância da sua Lei. E, desta maneira, que se dê a conhecer com claridade este caminho às almas, porque muitas, julgando o sentido da palavra “penitência” por grandes austeridades e não sentindo força nem generosidade para elas, se desanimam e repousam numa vida de tibieza e de pecado”.
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Para acompanhar com a oração a prática dos sacrifícios, a Virgem lhes ensina a que poderíamos chamar a “jaculatória reparadora de Fátima”: “Sacrificai-vos pelos pecadores e dizei muitas vezes e em especial sempre que fizerdes algum sacrifício: Ó Jesus, é por vosso amor, pela  conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria”.
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O Coração de Maria e o Santo Rosário

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Com a devoção e consagração ao Coração de Maria, a oração do Santo Rosário mostra uma importância de primeiríssimo plano nas revelações de Fátima.  O Terço é, sem dúvida, a prática mais insistentemente recomendada por Nossa Senhora em todas as aparições:
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• 13 de maio: “Rezem o Terço todos os dias para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra”.
• 13 de junho: “Quero que… rezeis o Terço todos os dias”.
• 13 de julho: “Quero que continuem a rezar o Terço todos os dias em honra de Nossa Senhora do Rosário para obter a paz do mundo e o fim da guerra, porque só Ela lhes poderá valer”. “Quando rezais o Terço, dizei depois de cada mistério: Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o Céu, e socorrei principalmente as que mais precisarem”.
• 19 de agosto: “Quero que… continueis a rezar o Terço todos os dias”.
• 13 de setembro: “Continuem a rezar o terço para alcançarem o fim da guerra”.
• 13 de outubro: “Quero dizer-te que façam aqui uma capela em minha honra, que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a rezar o Terço todos os dias”.
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Não se podia dar maior insistência na recomendação desta prática mariana que tantas bênçãos trouxe sempre à Santa Igreja e às famílias católicas, sobretudo a paz, a união e o espírito cristão de piedade, de esforço e de paciência.
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Mas Nossa Senhora se dignou sinalar algumas características especiais para a sua oração:
• Finalidade: a paz e a conversão dos pecadores. Assim indicam-no as referidas palavras da Virgem Maria e a oração que pediu para que intercalassem entre os mistérios de cada dezena.
• Modo:  que se meditem os mistérios, condição precisa para merecer a grande promessa dos cinco sábados do mês.
• Espírito: em reparação das ofensas que se fazem ao Coração Imaculado de Maria, segundo a mesma promessa sabatina.
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Do conjunto da doutrina de Fátima se deduz que o caminho mais curto e mais eficaz para penetrar no amor e na devoção ao Coração da Virgem é a oração do santo Terço com a meditação dos mistérios e com este ânimo reparador cordimariano. Santo Antônio Maria Claret compreendeu as relações que existem entre o Terço e a devoção ao Coração de Maria: “Para chegar ao Coração de Maria, o caminho mais curto e seguro é o santíssimo Terço”.
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Um exemplo concreto da eficácia do Terço o temos em Francisco. Quando Lúcia perguntou à Virgem se ele iria ao Céu, a Virgem lhe respondeu: “Francisco também irá para o Céu, mas antes tem que rezar muitos Terços”. Ele, feliz, manifestando como se sentia alegre pela promessa de ir ao Céu, cruzando as mãos sobre o peito dizia: “Ó minha Mãe, Terços rezo todos os que Vós queirais”. E desde então tomou o costume de separar-se de nós como passeando e, se alguma vez o chamava e lhe perguntava o que estava fazendo, levantava o braço e me mostrava o Terço. Se lhe dizia que viesse a brincar, que  depois rezaríamos todos juntos, respondia: “Depois rezo também. Não lembras que Nossa Senhora disse que eu tinha que rezar muitos Terços?” O Terço foi para Francisco o meio de ganhar o Céu.
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“Eu creio – afirmava Irmã Lúcia –  que, depois da oração litúrgica do Santo Sacrifício da Missa, a oração do santo, pela origem e pela sublimidade das  orações que o compõem e pelos mistérios da Redenção que recordamos e meditamos em cada dezena, é a oração mais agradável que podemos oferecer a Deus e de maior proveito para as nossas almas. Se não fosse assim, Nossa Senhora não teria recomendado com tanta insistência”.
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O Coração de Maria e os Novíssimos
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A mensagem de Fátima manifesta o que chamamos os “novíssimos” do homem. A morte, por exemplo, se mostra como um fato inevitável, e as preocupações em torno a esta realidade adquiriam então uma gravidade especial em razão da guerra que causava tantas mortes: “Jacinta, em que pensas? E não poucas vezes respondia: “Nessa guerra que deve vir, em tanta gente que vai morrer e ir ao inferno. Que pena! Se deixassem de ofender a Deus não viria a guerra nem iriam ao inferno”.
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O dogma do Purgatório nos é apresentado também de uma forma tremenda, no caso de uma tal Amélia: “Então me lembrei de perguntar por duas moças que tinham morrido fazia pouco tempo. Eram minhas amigas e iam à minha casa para aprender a ser tecelãs com a minha irmã maior:
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- A Maria das Neves já está no Céu?
- Sim, está. (Parece-me que devia ter uns 17 anos)
- E a Amélia? 33
- Estará no Purgatório até o fim do mundo. (Parece-me que devia
ter de 18 a 20 anos)”.
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Mas se a morte e o Purgatório aparecem desta maneira tão viva nos relatos de Fátima, sem dúvida é o dogma do Inferno o que ocupa um lugar importante, especialmente nas experiências místicas dos videntes, e ainda de um modo mais impressionante na sensível alma de Jacinta: “Nossa Senhora nos mostrou como que um mar de fogo. Mergulhados nesse fogo, os demônios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras, ou bronzeadas, com forma humana, que flutuavam no incêndio, levadas pelas chamas que delas mesmas saíam juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao  cair das fagulhas nos grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero, que horrorizava e fazia estremecer de pavor. Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes como negros carvões em brasa”.
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As crianças tinham já recebido um primeiro ensino de Lúcia. Jacinta lhe pergunta: o que é o inferno? E Lúcia responde como pode: “- É uma cova de bichos e uma fogueira muito grande (assim me explicava minha mãe) e vai para lá quem faz pecados e não se confessa e fica lá sempre a arder.
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- E nunca mais sai de lá?
- Não.
- E depois de muitos anos, muitos anos?! 34
- Não; o inferno nunca acaba. E o Céu também não. Quem vai para o Céu nunca mais de lá sai. E quem vai pra o inferno também não.
- Não vês que são eternos, que nunca acabam?
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Fizemos, então, pela primeira vez, a meditação do inferno e da eternidade”.
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Lúcia se perguntava: “Como é que Jacinta, tão pequena, se deixou possuir e chegou a compreender um espírito tão grande de mortificação e de penitência?” E achava a resposta assim: “Parece-me que foi, primeiro, por uma graça especial que Deus quis lhe conceder por meio do Imaculado Coração de Maria. Segundo, pondo seu olhar no inferno e na desgraça das almas que caem ali. Algumas pessoas, mesmo as piedosas, não querem falar às crianças sobre o inferno para não as assustar. Deus, no entanto, não duvidou em mostrá-lo a três crianças, e uma de apenas seis anos, ainda sabendo que se tinha de horrorizar tanto que quase ia morrer de susto”.
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Mas não só o inferno: o Céu entra também na mensagem de Fátima com a alegria de uns simples e inocentes pedidos infantis. Nossa Senhora responde a Lúcia que lhe pergunta de onde vem: “Sou do Céu”. E já na primeira aparição a Virgem Maria promete o Céu aos seus pequenos interlocutores, depois das perguntas interessadas, mas simples, de Lúcia:
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“- E eu também vou para o Céu?
- Sim, vais.
- E a Jacinta?
- Também.
- E o Francisco?
- Também, mas tem que rezar muitos Terços”.
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Nas últimas despedidas entre Lúcia e seus primos se estabelece um emotivo diálogo: “Chegou, por fim, o dia de partir para Lisboa. A despedida cortava o coração. Permaneceu muito tempo abraçada ao meu pescoço e dizia, chorando: – Nunca mais nos tornaremos a ver! Reza muito por mim, até que eu vá para o Céu”. Francisco diz com toda a naturalidade: “vou para o Céu”. O mesmo dizia Jacinta: “Eu vou para o Céu”. E, apesar desta certeza da salvação, as crianças continuam a sua vida de fé e de esperança como se não tivessem recebido uma graça tão grande. Deste modo até parecia que o Céu estava ao alcance das mãos: as recomendações para o Céu eram feitas como se tratasse de uma região conhecida, onde moram familiares nossos: “Saudações a Nosso Senhor e a Nossa Senhora; e dizei-lhes que sofro tudo o que queiram pela conversão dos pecadores e em reparação do Coração Imaculado de Maria”.

Fonte: SPES

Non nobis Domine, non nobis, sed nomine Tuo da gloriam.

Frederico de Castro

A instituição da Cavalaria armou os exércitos da Cristandade não apenas com uma doutrina bélica nunca antes vista, mas a revestiu com grande prestígio até os dias de hoje.
Ao lado da pureza da imagem da Mãe de Deus e nossa, o prestígio da cavalaria é muito provavelmente o que mais se cobiça pelos inimigos da Santa Igreja.
Debaixo do nome cavalaria todo tipo de irmandade, tanto seculares como pseudorreligiosos, hão chegado a numerar um número que se aproxima das centenas, isto sem se levar em conta as denominações apócrifas e as natimortas.
Individuos diversos se meteram neste “negócio”; alguns aventureiros trataram de explorar o prestígio e a nobreza da cavalaria falsificando insígnias e as condecorações das verdadeiras ordens de cavalaria, que muitas vezes distribuíam de maneira pródiga, mas nunca gratuitamente. Em consequência surgiu todo um grupo de ordens consideradas falsas.
Apenas para exemplificar, no século XVII Marino Caraccioli (1624), um nobre napolitano, logrou passar-se Grão Mestre da Ordem dos Cavaleiros de São Jorge, que dizem remonta a Constantino o Grande.
Em 1632 Baltasar Girón, que se apresentava como etíope, introduziu na Europa uma ordem não menos antiga, a de Santo Antônio de Etiópia, na verdade uma fraude imediatamente desmascarada por outro oriental, chamado Abraham Echelensis (1646).
Como se pode ver, as fraudes que pretendem invocar o prestígio da cavalaria não são de hoje.
As ordens verdadeiras, historicamente existentes, podem reduzir-se a três categorias:
 a) Grandes Ordens Regulares;
 b) Ordens Regulares Menores;
 c) Ordens Seculares.
As grandes Ordens Militares tiveram sua origem nas cruzadas, donde surgiu o distintivo referente a toda verdadeira Ordem de Cavalaria: a cruz no peito. As Ordens Regulares Menores se distinguiam das Grandes Ordens somente em deveres e obrigações. Por fim, as Ordens Seculares se formaram no século XIV como fraternidades de cavaleiros laicos à semelhança das regulares, sendo um padrão entre todas elas um voto de servir à Santa Igreja, ao Soberano (católico) e ao Grão Mestre (católico) através da prática de certos atos devocionais.
Como se sabe, a Santa Igreja não possui mais ordens militares regulares, sendo que a única força armada responsável pela defesa secular do Papa e do Vaticano é a Guarda Suíça Pontifícia, lembrando-se que o Papa Paulo VI extinguiu ainda a Guarda Nobre e a Guarda Palatina do Vaticano, ficando a Santa Igreja praticamente à mercê do poder temporal.
As ordens seculares foi o pouco que sobrou e, contudo, não raro, são alvo de sobrelevada ganância por prestígio e poder.
Vejam então como é que certos agrupamentos de canalhas seduzem grande número de pessoas valendo-se do prestígio das antigas Grandes Ordens Regulares.
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A Formação de um Cavaleiro
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A Cavalaria foi idealizada pela Santa Igreja para a sua defesa e para a defesa do bem comum. De um candidato à Cavalaria se diz que irá armar-se ou fazer-se cavaleiro.
Ela é (ou foi) uma instituição aberta, ou seja, homens (como regra) de qualquer classe social podiam e podem ser “armados”/”feitos” cavaleiros. Estão excluídos somente os doentes, por motivos óbvios, e os desonrados.
Na Idade Média, os cavaleiros usualmente eram da nobreza porque a este estamento social competia a defesa da sociedade, portanto, tal acontecia apenas por uma questão de funções e nada impedia que um camponês ou um “burguês” se armassem cavaleiros. Não estava nada conectado a uma aristé esvaziada como se dará a partir da decadência do período medieval.
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Depois, ele deveria seguir um rito de “armação” da Santa Igreja. Primeiro uma vigília, dita de armas; depois, uma Missa Solene  onde se abençoavam as armas do cavaleiro e, por fim, um novo tapa, desta vez na face e concedido pelo sacerdote que dizia: “Se te dou essa espada, é sob a condição de que sejas paladino do Senhor”. O tapinha pode ser substituído pelos famosos três golpes pranchados de espada em nome da Santíssima Trindade.
Até este momento, o católico, que era apenas candidato, já é então um cavaleiro; o que não significa dizer que pertença a alguma Ordem de Cavalaria. Com efeito, cavaleiros desvinculados de ordens e cujo suzerano falecia sem deixar herdeiro se tornavam durante algum tempo cavaleiros sem senhor, pautando-se somente pela obediência à Igreja.
Para que o cavaleiro pudesse pertencer a uma Ordem de Cavalaria necessitava ser aceito e jurar determinados votos da regra de cada qual. As ordens, por sua vez, são criadas por grupos de cavaleiros e devem ter suas regras submetidas à aprovação eclesial.
Como se vê, não é nada fácil o surgimento de uma nova ordem de cavalaria. Não existe essa bobajada de “cavalaria espiritual” ou coisa semelhantemente esotérica!
Quantos homens de valor, quantos católicos fervorosos, não buscariam uma chance de pertencer a uma instituição como a cavalaria!!! Infelizmente, hoje em dia, com a separação que existe entre o Estado e a Igreja é impossível ser membro de uma força armada regular e ser cavaleiro a um só tempo sem que se quebre o juramento que se faz à Santa Igreja através da cavalaria.
Existe hoje somente um lugar no mundo, em que isto ainda pode ser possível, e, mesmo assim, o amargor da dúvida de alguns deveres muitas vezes deve ser atroz: somente em alguns cantões suíços isto ainda é possível para fazer parte da Guarda Suíça Pontifícia. No mais, as ordens hoje existentes não passam de ordens devocionais e nobiliárquicas.
O resto é brincadeira de capa e espada ou então tentáculos de obscuros inimigos da Santa Igreja.
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A Paixão da Santa Igreja e as Algemas na Cavalaria
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O Tempo presente com muito pouca dúvida pode ser considerado como que uma espécie de paixão da Santa Igreja. Nosso Senhor Jesus Cristo nos garantiu que a Igreja iria durar até o fim dos tempos, mas falou também que os discípulos devem seguir o mesmo destino do Mestre, ou seja, cada qual carrega a sua cruz.
Escutem, por exemplo, este sermão de D. Tomás de Aquino, Prior do Mosteiro da Santa Cruz:
Não nos enganemos, a Santa Igreja já está manietada! As correntes são o Concílio Vaticano II e as chaves dos cadeados estão nas mãos de seus defensores: o Clero conciliar e os governantes temporais, bem como as associações que os sustentam.
Ela está entregue ao poder secular laico, logo, pelo menos os conciliares, não permitirão a formarão ordens de cavalaria e nem armarão cavaleiros regulares, a não ser nessas ordens devocionais ou nobiliárquicas cuja atividade se distancia cada dia mais e mais do nobre ideal da cavalaria.
O que fazer? muitos perguntam. A situação é complexa, mas o pensamento político de São Pio X dá-nos um norte: restaurar todas! as coisas em Cristo!

Fonte: Contra Impugnantes

Sidney Silveira

De acordo com alguns dos maiores teólogos da história da Igreja, entre os motivos pelos quais Deus permite a possessão diabólica estão:

a) o aumento da glória de Deus[1], devido ao fato de que, por meio dos possessos, se manifestam de forma patente as perfeições e a autoridade divina; b) a manifestação da verdade da Religião Católica (a verdadeira religião), pois somente ela é dotada de poder sobre as forças infernais, por delegação direta de Cristo; c) o castigo dos pecadores, em especial dos mais obstinados que pecam contra o Espírito Santo; d) o proveito espiritual dos bons, ou seja, dos justos; e) os ensinamentos que se extraem de cada caso de possessão, tanto acerca do mundo espiritual como a respeito da condição humana.[2]

Da parte do Lúcifer e de todos os seus seguidores, a causa da possessão é simplesmente o imenso ódio que os demônios têm dos homens e o prazer que sentem ao perdê-los, ao retirá-los do caminho conducente ao céu. Vale dizer que os demônios, se não fossem limitados por Deus, perderiam a humanidade inteira, em razão de sua absoluta superioridade ontológica em relação a nós, nesta gradação de ser que vai da matéria prima ao Ato Puro da essência divina.

Como ficou anteriormente assentado, a possessão é uma das quatro formas de ação diabólica sobre o homem, e, em boa parte dos casos, dão-se algumas predisposições humanas para que se chegue a tal ponto. A principal é a seguinte: o indivíduo que leva uma vida de pecado em matéria grave acaba transformando-se em merecedor desta triste condição de endemoniado, embora não se deva pressupor que a possessão represente sempre um castigo dos pecados do possesso; não foi tão rara na história da Igreja a possessão de homens justos e bons, para se cumprirem alguns dos motivos acima arrolados da permissão divina para esse tipo de mal. A propósito, é sobre as almas boas que o demônio preferiria agir sempre, pois o pecador em estado de pecado mortal habitual já está, de alguma forma, sob o domínio satânico, razão pela qual é justamente contra os que buscam a santidade que o Maligno mais gosta de agir.

Com relação ao modo da possessão diabólica, diga-se que ele está circunscrito ao que a sua forma entitativa é capaz de atualizar, na ordem do ser. Assim, por exemplo, tendo as criaturas espirituais domínio sobre a matéria – que, em sentido metafísico, é absolutamente inerte, pois não pode passar por si mesma da potência ao ato –, elas conseguem realizar quaisquer movimentos locais sem a menor dificuldade. Assim, os demônios podem mover objetos de um lugar a outro, para sugestionar uma alma que esteja sob o influxo da infestação local. Observe-se que este domínio sobre a matéria é extrínseco, ou seja, não é dado aos entes espirituais criar a matéria nem mudar a substância de forma direta e imediata. Como salientam alguns teólogos e exorcistas, os demônios podem mudar internamente a matéria tão-somente de forma indireta e mediata, ou seja, alterando a qualidade das substâncias pela mescla de elementos.

No caso do homem, também a ação satânica é direta e imediata apenas sobre o corpo e suas potências, sendo indireta e mediata sobre a alma. Em síntese, o demônio influencia a alma só a partir daquilo em que ela é dependente do corpo para atuar. Assim, ele é capaz de trabalhar sobre a imaginação (sentido corporal interno) sugerindo formas que possam causar medo, desejo, ira, etc., e desta forma predispor a vontade a escolher mal, obliterada por paixões. Mas não pode o demônio agir diretamente sobre a vontade, razão pela qual não está em seu poder obrigá-la a querer pecar, mas apenas induzi-la a fazê-lo atuando sobre o corpo predispositivamente. Por exemplo: o demônio pode acelerar os batimentos cardíacos de uma pessoa e dar a ela a sensação de morte iminente, para induzi-la a cometer algum pecado específico sobre o influxo do medo – que, como se diz neste conto, em geral não é outra coisa senão um desgoverno na imaginação.

Dadas estas premissas, reiteremos: os demônios só podem exercer alguma influência sobre as atividades intelectivas e volitivas humanas de forma indireta e limitada.

No próximo texto, veremos de que forma estas criaturas espirituais maléficas podem atuar sobre a inteligência e a vontade do homo viator, deste peregrino pelo vale de lágrimas que é o mundo.

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[1] Diga-se que, sendo Deus absolutamente glorioso, em si mesma a Sua glória não pode aumentar. O que aumenta é o que os teólogos chamam de glória extrínseca, ou seja, a glória que os homens tributam a Deus, embora Ele não necessite dela.
[2] Estes são apenas os principais motivos da permissão divina para a possessão. Alguns teólogos enumeram outros motivos, como: 1- para que as pessoas próximas ao possesso se arrependam e se convertam; 2- para manifestar a omnipotência e a misericórdia divinas; 3- para provar os eleitos em sua santidade; 4- para humilhar o demônio; 5- para mostrar aos homens que os demônios existem e que é necessário se precatar contra eles; 6- para evitar o aumento da culpa do endemoniados; 7- etc.

Fonte: Mulher Católica

Fonte: http://www.cathinfo.com

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Publicado originalmente em 16/2/2011

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