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Sim, só as almas amantes é que sobem a rua da amargura! Só as almas amantes lhes é dado carregar a cruz!
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Sim, só as almas amantes é que sobem a rua da amargura! Só as almas amantes lhes é dado carregar a cruz!
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Doença
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Nome da vacina
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Fabricante
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Linha de célula (Fetal)
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Versão Ética
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Fabricante
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Linha de célula (Não fetal)
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Catapora
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Varivax
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Merck & Co.
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WI-38, MRC-5
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Não há
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Não disponível
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Não disponível
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Hepatite A
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Vaqta
Havrix
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Merck & Co
GSK |
MRC-5
MRC-5
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Aimmungen
Não disponível nos EUA |
Kaketsuken
(Japão & Europa)
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Vero (macaco)
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Hepatite A & B
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Twinrix
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GSK
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MRC-5
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Engerix (somente Hepatite B)
Comvax (somente Hepatite B)
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GSK
Merck
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Levedura
Levedura
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Tríplice: Sarampo, Caxumba, Rubéola
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MMR II
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Merck & Co
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RA273, WI-38
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Não há
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Não disponível
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Não disponível
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Sarampo-Rubéola
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MR VAX
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Merck & Co.
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RA273, WI-38
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Attenuvax – Sarampo
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Merck
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Embrião de pintinho
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Caxumba-Rubéola
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Biavax II
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Merck & Co.
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RA273, WI-38
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Mumpsvax – Caxumba
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Merck
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Embrião de pintinho
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Rubéola
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Meruvax II
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Merck & Co.
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RA273, WI-38
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Takahashi
Não disponível nos EUA
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Kitasato Institute
(Japão & Europa)
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Coelho
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Tríplice + Sarampo
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ProQuad
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Merck & Co.
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RA273, WI-38, MRC-5
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Não há
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Não disponível
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Não disponível
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Pólio
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Poliovax
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Sanofi Pasteur
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MRC-5
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IPOL
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Sanofi Pasteur
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Vero (macaco)
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Raiva
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Imovax
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Sanofi Pasteur
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MRC-5
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RabAvert
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Chiron
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Embrião de pintinho
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Artrite Ósteo-Reumatóide
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Enbrel
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Immunex
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WI-26 VA4
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Synvisc
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Genzyme Bio.
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Não há
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Sepsia
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Xigris
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Eli Lilly
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HEK-293
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Pergunte a seu médico
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Não disponível
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Não disponível
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Herpes-zóster
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Zostavax
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Merck & Co.
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WI-38, MRC-5
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Não há
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Não disponível
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Não disponível
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Sob desenvolvimento: Ébola
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TBA
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Crucell/NIH
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PER C6
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Não há
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Não disponível
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Não disponível
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Sob desenvolvimento: Gripe,
Gripe Aviária
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TBA
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MedImmune
Vaxin, Sanofi
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PER C6,
HEK-293
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FluVirin, Flu Shield
Flu Zone, Flu Blok
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Chiron, Wyeth
Sanofi ,Protein Sci
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Embrião de pintinho Lagarta
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Nova: HIV
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TBA
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Merck
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PER C6
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Não há
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Não disponível
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Não disponível
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Nova: Varíola
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Acambis 1000
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Acambis
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MRC-5
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ACAM2000
MVA3000
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Acambis/Baxter
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Vero (macaco)
Embrião de pintinho
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Fonte: Seminário Permanente de Estudos Sociopolíticos Santo Tomás de Aquino – SPES
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Dom Williamson
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SANTO TOMÁS DE AQUINO – SPES
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De que maneira poderemos nós honrar o mistério que se celebra na festa do Corpo de Deus?
Fonte: Mulher Católica
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Fonte: SPES
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(13) Sua Santidade Pio XI.
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CARTA ENCÍCLICA
MORTALIUM ANIMOS
DO SUMO PONTÍFICE PIO XI
AOS REVMOS. SENHORES PADRES PATRIARCAS,
PRIMAZES, ARCEBISPOS, BISPOS
E OUTROS ORDINÁRIOS DOS LUGARES
EM PAZ E UNIÃO COM A SÉ APOSTÓLICA
SOBRE A PROMOÇÃO DA VERDADEIRA
UNIDADE DE RELIGIÃO
Veneráveis irmãos:
Saúde e Bênção Apostólica.
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1. Ânsia Universal de Paz e Fraternidade
Talvez jamais em uma outra época os espíritos dos mortais foram tomados por um tão grande desejo daquela fraterna amizade, pela qual em razão da unidade e identidade de natureza – somos estreitados e unidos entre nós, amizade esta que deve ser robustecida e orientada para o bem comum da sociedade humana, quanto vemos ter acontecido nestes nossos tempos.
Pois, embora as nações ainda não usufruam plenamente dos benefícios da paz, antes, pelo contrário, em alguns lugares, antigas e novas discórdias vão explodindo em sedições e em conflitos civis; como não é possível, entretanto, que as muitas controvérsias sobre a tranquilidade e a prosperidade dos povos sejam resolvidas sem que exista a concórdia quanto à ação e às obras dos que governam as Cidades e administram os seus negócios; compreende-se facilmente (tanto mais que já ninguém discorda da unidade do gênero humano) porque, estimulados por esta irmandade universal, também muitos desejam que os vários povos cada dia se unam mais estreitamente.
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2. A Fraternidade na Religião. Congressos Ecumênicos
Entretanto, alguns lutam por realizar coisa não dissemelhante quanto à ordenação da Lei Nova trazida por Cristo, Nosso Senhor.
Pois, tendo como certo que rarissimamente se encontram homens privados de todo sentimento religioso, por isto, parece, passaram a Ter a esperança de que, sem dificuldade, ocorrerá que os povos, embora cada um sustente sentença diferente sobre as coisas divinas, concordarão fraternalmente na profissão de algumas doutrinas como que em um fundamento comum da vida espiritual.
Por isto costumam realizar por si mesmos convenções, assembléias e pregações, com não medíocre frequência de ouvintes e para elas convocam, para debates, promiscuamente, a todos: pagãos de todas as espécies, fiéis de Cristo, os que infelizmente se afastaram de Cristo e os que obstinada e pertinazmente contradizem à sua natureza divina e à sua missão.
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3. Os Católicos não podem aprová-lo
Sem dúvida, estes esforços não podem, de nenhum modo, ser aprovados pelos católicos, pois eles se fundamentam na falsa opinião dos que juogam que quaisquer religiões são, mais ou menos, boas e louváveis, pois, embora não de uma única maneira, elas alargam e significam de modo igual aquele sentido ingênito e nativo em nós, pelo qual somos levados para Deus e reconhecemos obsequiosamente o seu império.
Erram e estão enganados, portanto, os que possuem esta opinião: pervertendo o conceito da verdadeira religião, eles repudiam-na e gradualmente inclinam-se para o chamado Naturalismo e para o Ateísmo. Daí segue-se claramente que quem concorda com os que pensam e empreendem tais coisas afasta-se inteiramente da religião divinamente revelada.
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4. Outro erro. A união de todos os Cristãos. Argumentos falazes
Entretanto, quando se trata de promover a unidade entre todos os cristãos, alguns são enganados mais facilmente por uma disfarçada aparência do que seja reto.
Acaso não é justo e de acordo com o dever – costumam repetir amiúde – que todos os que invocam o nome de Cristo se abstenham de recriminações mútuas e sejam finalmente unidos por mútua caridade?
Acaso alguém ousaria afirmar que ama a Cristo se, na medida de suas forças, não procura realizar as coisas que Ele desejou, ele que rogou ao Pai para que seus discípulos fossem “UM” (Jo 17,21)?
Acaso não quis o mesmo Cristo que seus discípulos fossem identificados por este como que sinal e fossem por ele distinguidos dos demais, a saber, se mutuamente se amassem: “Todos conhecerão que sois meus discípulos nisto: se tiverdes amor um pelo outro?” (Jo 13,35).
Oxalá todos os cristão fossem “UM”, acrescentam: eles poderiam repelir muito melhor a peste da impiedade que, cada dia mais, se alastra e se expande, e se ordena ao enfraquecimento do Evangelho.
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5. Debaixo desses argumentos se oculta um erro gravíssimo
Os chamados “pancristãos” espalham e insuflam estas e outras coisas da mesma espécie. E eles estão tão longe de serem poucos e raros mas, ao contrário, cresceram em fileiras compactas e uniram-se em sociedades largamente difundidas, as quais, embora sobre coisas de fé cada um esteja imbuído de uma doutrina diferente, são, as mais das vezes, dirigidas por acatólicos.
Esta iniciativa é promovida de modo tão ativo que, de muitos modos, consegue para si a adesão dos cidadão e arrebata e alicia os espíritos, mesmo de muitos católicos, pela esperança de realizar uma união que parecia de acordo com os desejos da Santa Mãe, a Igreja, para Quem, realmente, nada é tão antigo quanto o reconvocar e o reconduzir os filhos desviados para o seu grêmio.
Na verdade, sob os atrativos e os afagos destas palavras oculta-se um gravíssimo erro pelo qual são totalmente destruídos os fundamentos da fé.
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6. A verdadeira norma nesta matéria
Advertidos, pois, pela consciência do dever apostólico, para que não permitamos que o rebanho do Senhor seja envolvido pela nocividade destas falácias, apelamos, veneráveis irmãos, para o vosso empenho na precaução contra este mal. Confiamos que, pelas palavras e escritos de cada um de vós, poderemos atingir mais facilmente o povo, e que os princípios e argumentos, que a seguir proporemos, sejam entendidos por ele pois, por meio deles, os católicos devem saber o que devem pensar e praticar, dado que se trata de iniciativas que dizem respeitos a eles, para unir de qualquer maneira em um só corpo os que se denominam cristãos.
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7. Só uma religião pode ser verdadeira: A revelada por Deus
Fomos criados por Deus, Criador de todas as coisas, para este fim: conhecê-lO e serví-lO. O nosso Criador possui, portanto, pleno direito de ser servido.
Por certo, poderia Deus ter estabelecido apenas uma lei da natureza para o governo do homem. Ele, ao criá-lo, gravou-a em seu espírito e poderia portanto, a partir daí, governar os seus novos atos pela providência ordinária dessa mesma lei. Mas, preferiu dar preceitos aos quais nós obedecêssemos e, no decurso dos tempos, desde os começos do gênero humano até a vinda e a pregação de Jesus Cristo, Ele próprio ensinou ao homem, naturalmente dotado de razão, os deveres que dele seriam exigidos para com o Criador: “Em muitos lugares e de muitos modos, antigamente, falou Deus aos nossos pais pelos profetas; ultimamente, nestes dias, falou-nos por seu Filho” (Heb 1,1 Seg).
Está, portanto, claro que a religião verdadeira não pode ser outra senão a que se funda na palavra revelada de Deus; começando a ser feita desde o princípio, essa revelação prosseguiu sob a Lei Antiga e o próprio crisot completou-a sob a Nova Lei.
Portanto, se Deus falou – e comprova-se pela fé histórica Ter ele realmente falado – não há quem não veja ser dever do homem acreditas, de modo absoluto, em deus que se revela e obedecer integralmente a Deus que impera. Mas, para a glória de Deus e para a nossa salvação, em relação a uma coisa e outra, o Filho Unigênito de Deus instituiu na terra a sua Igreja.
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8. A única religião revelada é a Igreja Católica
Acreditamos, pois, que os que afirma serem cristão, não possam fazê-lo sem crer que uma Igreja, e uma só, foi fundada por Cristo. Mas, se se indaga, além disso, qual deva ser ela pela vontade do seu Autor, já não estão todos em consenso.
Assim, por exemplo, muitíssimos destes negam a necessidade da Igreja de Cristo ser visível e perceptível, pelo menos na medida em que deva aparecer como um corpo único de fiéis, concordes em uma só e mesma doutrina, sob um só magistério e um só regime. Mas, pelo contrário, julgam que a Igreja perceptível e visível é uma Federação de várias comunidades cristãs, embora aderentes, cada uma delas, a doutrinas opostas entre si.
Entretanto, cristo Senhor instituiu a sua Igreja como uma sociedade perfeita de natureza externa e perceptível pelos sentidos, a qual, nos tempos futuros, prosseguiria a obra da reparação do gênero humano pela regência de uma só cabeça (Mt 16,18 seg.; Lc 22,32; Jo 21,15-17), pelo magistério de uma voz viva (Mc 16,15) e pela dispensação dos sacramentos, fontes da graça celeste (Jo 3,5; 6,48-50; 20,22 seg.; cf. Mt 18,18; etc.). Por esse motivo, por comparações afirmou-a semelhante a um reino (Mt, 13), a uma casa (Mt 16,18), a um redil de ovelhas (Jo 10,16) e a um rebanho (Jo 21,15-17).
Esta Igreja, fundada de modo tão admirável, ao Lhe serem retirados o seu Fundador e os Apóstolos que por primeiro a propagaram, em razão da morte deles, não poderia cessar de existir e ser extinta, uma vez que Ela era aquela a quem, sem nenhuma discriminação quanto a lugares e a tempos, fora dado o preceito de conduzir todos os homens à salvação eterna: “Ide, pois, ensinai a todos os povos” (Mt 28,19).
Acaso faltaria à Igreja algo quanto à virtude e eficácia no cumprimento perene desse múnus, quando o próprio Cristo solenemente prometeu estar sempre presente a ela: “Eis que Eu estou convosco, todos os dias, até a consumação dos séculos?” (Mt 28,20).
Deste modo, não pode ocorrer que a Igreja de Cristo não exista hoje e em todo o tempo, e também que Ela não exista hoje e em todo o tempo, e também que Ela não exista como inteiramente a mesma que existiu à época dos Apóstolos. A não ser que desejemos afirmar que: Cristo Senhor ou não cumpriu o que propôs ou que errou ao afirmar que as portas do inferno jamais prevaleceriam contra Ela (Mt 16,18).
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9. Um erro capital do movimento ecumêmico na pretendida união das Igrejas cristãs
Ocorre-nos dever esclarecer e afastar aqui certa opinião falsa, da qual parece depender toda esta questão e proceder essa múltipla ação e conspiração dos acatólicos que, como dissemos, trabalham pela união das igrejas cristãs.
Os autores desta opinião acostumaram-se a citar, quase que indefinidamente, a Cristo dizendo: “Para que todos sejam um”… “Haverá um só rebanho e um só Pastos”(Jo 27,21; 10,16). Fazem-no todavia de modo que, por essas palavras, queriam significar um desejo e uma prece de cristo ainda carente de seu efeito.
Pois opinam: a unidade de fé e de regime, distintivo da verdadeira e única Igreja de Cristo, quase nunca existiu até hoje e nem hoje existe; que ela pode, sem dúvida, ser desejada e talvez realizar-se alguma vez, por uma inclinação comum das vontades; mas que, entrementes, deve existir apenas uma fictícia unidade.
Acrescentam que a Igreja é, por si mesma, por natureza, dividida em partes, isto é, que ela consta de muitas igreja ou comunidades particulares, as quais, ainda separadas, embora possuam alguns capítulos comuns de doutrina, discordam todavia nos demais. Que cada uma delas possui os mesmos direitos, que, no máximo, a Igreja foi única e una, da época apostólica até os primeiros concílios ecumênicos.
Assim, dizem, é necessários colocar de lado e afastar as controvérsias e as antiquíssimas variedade de sentenças que até hoje impedem a unidade do nome cristão e, quanto às outras doutrinas, elaborar e propor uma certa lei comum de crer, em cuja profissão de fé todos se conhecam e se sintam como irmãos, pois, se as múltiplas igrejas e comunidades forem unidas por um certo pacto, existiria já a condição para que os progessos da impiedade fossem futuramente impedidos de modo sólido e frutuoso.
Estas são, Veneráveis Irmãos, as afirmações comuns.
Existem, contudo, os que estabelecem e concedem que o chamado Protestantismo, de modo bastante inconsiderado, deixou de lado certos capítulos da fé e alguns ritos do culto exterior, sem dúvida gratos e úteis, que, pelo contrário, a Igreja Romana ainda conserva.
Mas, de imediato, acrescentam que esta mesma Igreja também agiu mal, corrompendo a religião primitiva por algumas doutrinas alheias e repugnantes ao Evangelho, propondo acréscimos para serem cridos: enumeram como o principal entre estes o que versa sobre o Primado de Jurisdição atribuído a Pedro e a seus Sucessores na Sé Romana.
Entre os que assim pensam, embora não sejam muitos, estão os que indulgentemente atribuem ao Pontífice Romano um primado de honra ou uma certa jurisdição e poder que, entretanto, julgam procedente não do direito divino, mas de certo consenso dos fiéis. Chegam outros ao ponto de, por seus conselhos, que diríeis serem furta-cores, quererem presidir o próprio Pontífice.
E se é possível encontrar muitos acatólicos pregando à boca cheia a união fraterna em Jesus Cristo, entretanto não encontrareis a nenhum deles em cujos pensamentos esteja a submissão e a obediência ao Vigário de Jesus Cristo enquanto docente ou enquanto governante.
Afirmam eles que tratariam de bom grado com a Igreja Romana, mas com igualdade de direitos, isto é, iguais com um igual. Mas, se pudessem fazê-lo, não parece existir dúvida de que agiriam com a intenção de que, por um pacto que talvez se ajustasse, não fossem coagidos a afastarem-se daquelas opiniões que são a causa pela qual ainda vagueiem e errem fora do único aprisco de Cristo.
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10. A Igreja Católica não pode participar de semelhantes reuniões
Assim sendo, é manifestamente claro que a Santa Sé, não pode, de modo algum, participar de suas assembléias e que, aos católicos, de nenhum modo é lícito aprovar ou contribuir para estas iniciativas: se o fizerem concederão autoridade a uma falsa religião cristã, sobremaneira alheia à única Igreja de Cristo.
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11. A verdade revelada não admite transações
Acaso poderemos tolerar – o que seria bastante iníquo-, que a verdade e, em especial a revelada, seja diminuída através de pactuações?
No caso presente, trata-se da verdade revelada que deve ser defendida.
Se Jesus Cristo enviou os Apóstolos a todo o mundo, a todos os povos que deviam ser instruídos na fé evangélica e, para que não errassem em nada, quis que, anteriormente, lhes fosse ensinada toda a verdade pelo Espírito Santo, acaso esta doutrina dos Apóstolos faltou inteiramente ou foi alguma vez perturbada na Igreja em que o próprio Deus está presente como regente e guardião?
Se o nosso Redentor promulgou claramente o seu Evangelho não apenas para os tempos apostólicos, mas também para pertencer às futuras épocas, o objeto da fé pode tornar-se de tal modo obscuro e incerto que hoje seja necessários tolerar opiniões pelo menos contrárias entre si?
Se isto fosse verdade, dever-se-ia igualmente dizer que o Espírito Santo que desceu sobre os Apóstolos, que a perpétua permanência dele na Igreja e também que a própria pregação de Cristo já perderam, desde muitos séculos, toda a eficácia e utilidade: afirmar isto é, sem dúvida, blasfemo.
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12. A Igreja Católica: depositária infalível da verdade
Quando o Filho unigênito de Deus ordenou a seus enviados que ensinassem a todos os povos, vinculou então todos os homens pelo dever de crer nas coisas que lhes fossem anunciadas pela “testemunha pré-ordenadas por Deus” (At. 10,41). Entretanto, um e outro preceito de Cristo, o de ensinar e o de crer na consecução da salvação eterna, que não podem deixar de ser cumpridos, não poderiam ser entendidos a não ser que a Igreja proponha de modo íntegro e claro a doutrina evangélica e que, ao propô-la, seja imune a qualquer perigo de errar.
Afastam-se igualmente do caminho os que julgam que o depósito da verdade existe realmente na terra, mas que é necessário um trabalho difícil, com tão longos estudos e disputas para encontrá-lo e possuí-lo que a vida dos homens seja apenas suficiente para isso, com se Deus benigníssimo tivesse falado pelos profetas e pelo seu Unigênito para que apenas uns poucos, e estes mesmos já avançados em idade, aprendessem perfeitamente as coisas que por eles revelou, e não para que preceituasse uma doutrina de fé e de costumes pela qual, em todo o decurso de sua vida mortal, o homem fosse regido.
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13. Sem fé, não há verdadeira caridade
Estes pancristãos, que empenham o seu espírito na união das igrejas, pareceriam seguir, por certo, o nobilíssimo conselho da caridade que deve ser promovida entre os cristãos. Mas, dado que a caridade se desvia em detrimento da fé, o que pode ser feito?
Ninguém ignora por certo que o próprio João, o Apóstolo da Caridade, que em seu Evangelho parece ter manifestado os segredos do Coração Sacratíssimo de Jesus e que permanentemente costumavas inculcar à memória dos seus o mandamento novo: “Amai-vos uns aos outros”, vetou inteiramente até mesmo manter relações com os que professavam de forma não íntegra e incorrupta a doutrina de Cristo: “Se alguém vem a vós e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem digais a ele uma saudação” (2 Jo. 10).
Pelo que, como a caridade se apóia na fé íntegra e sincera como que em um fundamento, então é necessário unir os discípulos de Cristo pela unidade de fé como no vínculo principal.
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14. União Irracional
Assim, de que vale excogitar no espírito uma certa Federação cristã, na qual ao ingressar ou então quando se tratar do objeto da fé, cada qual retenha a sua maneira de pensar e de sentir, embora ela seja repugnante às opiniões dos outros?
E de que modo pedirmos que participem de um só e mesmo Conselho homens que se distanciam por sentenças contrárias como, por exemplo, os que afirmam e os que negam ser a sagrada Tradição uma fonte genuína da Revelação Divina?
Como os que adoram a Cristo realmente presente na Santíssima Eucaristia, por aquela admirável conversão do pão e do vinho que se chama transubstanciação e os que afirmam que, somente pela fé ou por sinal e em virtude do Sacramento, aí está presente o Corpo de Cristo?
Como os que reconhecem nela a natureza do Sacrifício e a do Sacramento e os que dizem que ela não é senão a memória ou comemoração da Ceia do Senhor?
Como os que crêem ser bom e útil invocar súplice os Santos que reinam junto de Cristo – Maria, Mãe de Deus, em primeiro lugar – e tributar veneração às suas imagens e os que contestam que não pode ser admitido semelhante culto, por ser contrário à honra de Jesus Cristo, “único mediador de Deus e dos homens”? (1 Tim. 2,5).
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15. Princípio até o indiferentismo e o modernismo
Não sabemos, pois, como por essa grande divergência de opiniões seja defendida o caminho para a realização da unidade da Igreja: ela não pode resultar senão de um só magistério, de uma só lei de crer, de uma só fé entre os cristãos. Sabemos, entretanto, gerar-se facilmente daí um degrau para a negligência com a religião ou o Indiferentismo e para o denominado Modernismo. os que foram miseravelmente infeccionados por ele defendem que não é absoluta, mas relativa a verdade revelada, isto é, de acordo com as múltiplas necessidades dos tempos e dos lugares e com as várias inclinações dos espíritos, uma vez que ela não estaria limitada por uma revelação imutável, mas seria tal que se adaptaria à vida dos homens.
Além disso, com relação às coisas que devem ser cridas, não é lícito utilizar-se, de modo algum, daquela discriminação que houveram por bem introduzir entre o que denominam capítulos fundamentais e capítulos não fundamentais da fé, como se uns devessem ser recebidos por todos, e, com relação aos outros, pudesse ser permitido o assentimento livre dos fiéis: a Virtude sobrenatural da fé possui como causa formal a autoridade de Deus revelante e não pode sofrer nenhuma distinção como esta.
Por isto, todos os que são verdadeiramente de Cristo consagram, por exemplo, ao mistério da Augusta Trindade a mesma fé que possuem em relação dogma da Mãe de Deus concebida sem a mancha original e não possuem igualmente uma fé diferente com relação à Encarnação do Senhor e ao magistério infalível do Pontífice romano, no sentido definido pelo Concílio Ecumênico Vaticano.
Nem se pode admitir que as verdade que a Igreja, através de solenes decretos, sancionou e definiu em outras épocas, pelo menos as proximamente superiores, não sejam, por este motivo, igualmente certas e nem devam ser igualmente acreditadas: acaso não foram todas elas reveladas por Deus?
Pois, o Magistério da Igreja, por decisão divina, foi constituído na terra para que as doutrinas reveladas não só permanecessem incólumes perpetuamente, mas também para que fossem levadas ao conhecimento dos homens de um modo mais fácil e seguro. E, embora seja ele diariamente exercido pelo Pontífice Romano e pelos Bispos em união com ele, todavia ele se completa pela tarefa de agir, no momento oportuno, definindo algo por meio de solenes ritos e decretos, se alguma vez for necessário opor-se aos erros ou impugnações dos hereges de um modo mais eficiente ou imprimir nas mentes dos fiéis capítulos da doutrina sagrada expostos de modo mais claro e pormenorizado.
Por este uso extraordinário do Magistério nenhuma invenção é introduzida e nenhuma coisa nova é acrescentada à soma de verdades que estando contidas, pelo menos implicitamente, no depósito da revelação, foram divinamente entregues à Igreja, mas são declaradas coisas que, para muitos talvez, ainda poderiam parecer obscuras, ou são estabelecidas coisas que devem ser mantidas sobre a fé e que antes eram por alguns colocados sob controvérsia.
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16. A única maneira de unir todos os cristãos
Assim, Veneráveis Irmãos, é clara a razão pela qual esta Sé Apostólica nunca permitiu aos seus estarem presentes às reuniões de acatólicos por quanto não é lícito promover a união dos cristãos de outro modo senão promovendo o retorno dos dissidentes à única verdadeira Igreja de Cristo, dado que outrora, infelizmente, eles se apartaram dela.
Dizemos à única verdadeira Igreja de Cristo: sem dúvida ela é a todos manifesta e, pela vontade de seu Autor, Ela perpetuamente permanecerá tal qual Ele próprio A instituiu para a salvação de todos.
Pois, a mística Esposa de Cristo jamais se contaminou com o decurso dos séculos nem, em época alguma, poderá ser contaminada, como Cipriano o atesta: “A Esposa de Cristo não pode ser adulterada: ela é incorrupta e pudica. Ela conhece uma só casa e guarda com casto pudor a santidade de um só cubículo” (De Cath. Ecclessiae unitate, 6).
E o mesmo santo Mártir, com direito e com razão, grandemente se admirava de que pudesse alguém acreditar que “esta unidade que procede da firmeza de Deus pudesse cindir-se e ser quebrada na Igreja pelo divórcio de vontades em conflito” (ibidem).
Portanto, dado que o Corpo Místico de Cristo, isto é, a Igreja, é um só (1 Cor. 12,12), compacto e conexo (Ef. 4,15), à semelhança do seu corpo físico, seria inépcia e estultície afirmar alguém que ele pode constar de membros desunidos e separados: quem pois não estiver unido com ele, não é membro seu, nem está unido à cabeça, Cristo (Cfr. Ef. 5,30; 1,22).
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17. A obediência ao Romano Pontífice
Mas, ninguém está nesta única Igreja de Cristo e ninguém nela permanece a não ser que, obedecendo, reconheça e acate o poder de Pedro e de seus sucessores legítimos.
Por acaso os antepassados dos enredados pelos erros de Fócio e dos reformadores não estiveram unidos ao Bispo de Roma, ao Pastor supremo das almas?
Ai! Os filhos afastaram-se da casa paterna; todavia ela não foi feita em pedaços e nem foi destruída por isso, uma vez que estava arrimada na perene proteção de Deus. Retornem, pois, eles ao Pai comum que, esquecido das injúrias antes gravadas a fogo contra a Sé Apostólica, recebê-los-á com máximo amor.
Pois se, como repetem freqüentemente, desejam unir-se Conosco e com os nossos, por que não se apressam em entrar na Igreja, “Mãe e Mestra de todos os fiéis de Cristo” (Conc. Later 4, c.5)?
Escutem a Lactâncio chamado amiúde: “Só… a Igreja Católica é a que retém o verdadeiro culto. Aqui está a fonte da verdade, este é o domicílio da Fé, este é o templo de Deus: se alguém não entrar por ele ou se alguém dele sair, está fora da esperança da vida e salvação. é necessário que ninguém se afague a si mesmo com a pertinácia nas disputas, pois trata-se da vida e da salvação que, a não ser que seja provida de um modo cauteloso e diligente, estará perdida e extinta” (Divin. Inst. 4,30, 11-12).
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18. Apelo às seitas dissidentes
Aproximem-se, portanto, os filhos dissidentes da Sé Apostólica, estabelecida nesta cidade que os Príncipes dos Apóstolos Pedro e Paulo consagraram com o seu sangue; daquela Sede, dizemos, que é “raiz e matriz da Igreja Católica” (S. Cypr., ep. 48 ad Cornelium, 3), não com o objetivo e a esperança de que “a Igreja do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade” (1 Tim 3,15) renuncie à integridade da fé e tolere os próprios erros deles, mas, pelo contrário, para que se entreguem a seu magistério e regime.
Oxalá auspiciosamente ocorra para Nós isto que não ocorreu ainda para tantos dos nossos muitos Predecessores, a fim de que possamos abraçar com espírito fraterno os filhos que nos é doloroso estejam de Nós separados por uma perniciosa dissensão.
Prece a Nosso Senhor e a Nossa Senhora. Oxalá Deus, Senhor nosso, que “quer salvar todos os homens e que eles venham ao conhecimento da verdade”(1 Tim. 2,4) nos ouça suplicando fortemente para que Ele se digne chamar à unidade da Igreja a todos os errantes.
Nesta questão que é, sem dúvida, gravíssima, utilizamos e queremos que seja utilizada como intercessora a Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da graça divina, vencedora de todas as heresias e auxílio dos cristãos, para que Ela peça, para o quanto antes, a chegada daquele dia tão desejado por nós, em que todos os homens escutem a voz do seu Filho divino, “conservando a unidade de espírito em um vínculo de paz” (Ef. 4,3).
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19. Conclusão e Bênção Apostólica
Compreendeis, Veneráveis Irmãos, o quanto desejamos isto e queremos que o saibam os nossos filhos, não só todos os do mundo católico, mas também os que de Nós dissentem. Estes, se implorarem em prece humilde as luzes do céu, por certo reconhecerão a única verdadeira Igreja de Jesus Cristo e, por fim, nEla tendo entrado, estarão unidos conosco em perfeita caridade.
No aguardo deste fato, como auspício dos dons de Deus e como testemunho de nossa paterna benevolência, concedemos muito cordialmente a vós, Veneráveis Irmãos, e a vosso clero e povo, a bênção apostólica.
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Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia seis de janeiro, no ano de 1928, festa da Epifania de Jesus Cristo, Nosso Senhor, sexto de nosso Pontificado.
Pio, Papa XI.
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Sidney Silveira
O conhecimento diabólico do futuro
Sabemos que os entes operam no limite das potências radicadas na forma específica do seu ato de ser, que é participado. Assim, apesar de Charles Darwin, no dia em que o macaco resolver um teorema de matemática pura, entender as relações geométricas implicadas numa variante do jogo de xadrez e, por fim, redigir algo tão extraordinário como o PL 122 que circula pelos corredores de nosso Legislativo, teremos encontrado o elo perdido da teoria da evolução. Mas como a metafísica aconselha-nos a não ser tão otimistas, fiquemos por ora com a certeza de que, nos entes, o operar segue o ser (operatio sequitur esse), e, portanto, nada pode atuar além de suas possibilidades ontológicas. E isto também se aplica aos demônios: a sua operação é demarcada pela forma entitativa que lhes é própria, o que nos leva a uma série de questões relevantes, se se trata de estudar como tais criaturas podem agir sobre o homem. Uma delas implica o ato do conhecimento, que neles é mais perfeito do que em nós.
Pois bem, conhecer é apossar-se da forma inteligível do ente em ato, além de ser um movimento acidental da potência intelectiva. Esta máxima gnosiológica, no entanto, não elucida todos os modos próprios deste tipo especial de relação chamada “conhecimento”. Ressalte-se, neste ponto, que uma coisa é o conhecimento atual — ou presencial, para alguns tomistas. Este acontece quando o intelecto tem a clara visão de determinado inteligível. Por exemplo, o médico que, após a análise de um conjunto de exames à luz dos princípios por ele conhecidos, constata o câncer do paciente. Neste caso poder-se-ia dizer que a inteligência do médico vê o câncer, presencia-o, ou seja, apossa-se formalmente desta realidade extramental (quer dizer: que está fora de sua mente). Então o médico pode afirmar: eu sei, aqui e agora, que este meu paciente tem um câncer. Em síntese, dá-se nesta hipótese a adequação entre a inteligência a coisa.
Ocorre que conhecer algo não é apenas conhecer as causas de que depende. Posso muito bem conhecer as causas de uma coisa, mas não elucidar a sua essência e não esgotar a inteligibilidade do seu modo de operar (aqui, dada a nossa humana forma de conhecer, não custa lembrar que só temos a notitia veritatis da essência de uma coisa quando descortinamos quais são as suas operações próprias, e não por uma espécie mágica de intuição direta). Daí que exista também um tipo de conhecimento ao qual podemos chamar de conjectural, ou seja: um saber que parte de premissas claras e seguras, mas ainda não é atual, no sentido de que: a) a realidade cognoscível ainda não se atualizou na ordem do ser, e, portanto, trata-se de uma mera probabilidade; b) ela atualizou-se, mas o cognoscente ignora algumas de suas notas distintivas; c) ela atualizou-se, mas o cognoscente não conhece a totalidade da série causal ali implicada; etc.
Não é o caso, neste texto, de examinar todos os tipos de conhecimento, mas cito os dois acima — o presencial e o conjectural — para abordar um problema a propósito do tema em questão. Pois bem, tendo os demônios as formas inteligíveis das coisas infundidas em sua mente por Deus desde o instante em que foram criados como anjos, eles não extraem das coisas o conhecimento, como nós, mas contemplando-as apenas atualizam o conhecimento que desde sempre tiveram acerca delas. Por exemplo: antes de haver o ente gato, eles já conheciam a forma inteligível gatesca que lhes havia sido posta na inteligência por Deus, razão pela qual Santo Tomás de Aquino, fazendo uso de uma linguagem analógica, chega a afirmar em alguns textos que as coisas têm mais ser na inteligência dos anjos do que em si mesmas.
Ocorre o seguinte: conhecer o quid est do gato não é conhecer este ou aquele gato (pois o conhecimento quiditativo também se distingue do presencial, como me ensinou o meu querido amigo Luiz Astorga, um metafísico de alto coturno, para usar uma metáfora militar dos tempos de antanho), razão pela qual a questão espinhosa no tomismo sempre foi saber como os demônios, conhecendo desde sempre as essências ou quididades, conhecem também os entes singulares. Esta questão é correlata a outra — a que nos interessa aqui, pois estamos em meio a uma investigação teológica: até que ponto podem os demônios conhecer o futuro? E, conhecendo-o, como poderiam atuar sobre o homem, para perdê-lo?
Noutros textos assinalamos que Deus, sendo Ser infinito, simplícimo, conhece tudo presencialmente, ou seja, tem a posse perfeita de todos os inteligíveis em ato porque todos têm a sua fonte n’Ele mesmo e nada existe fora do Ser, quer dizer: à parte de Deus. Daí afirmar-se que Deus, conhecendo-Se em ato perfeitamente, conhece tudo o que é, o que foi, o que será e o que seria — em grau sumo e sem defecção de nenhum tipo. Por sua vez, dos anjos (e por conseguinte dos demônios), que não são Ato Puro simplícimo de ser, dado que têm composição de ato e potência, de substância e acidentes e de essência e ser, podemos dizer que:
a) tendo em sua inteligência todas as formas inteligíveis das coisas criadas, eles conhecem virtualmente tudo no plano natural, embora não de forma instantânea (num só ato), e sim sucessiva, com um antes e um depois;
b) eles não esgotam a inteligibilidade do Próprio Ser, que é Deus, pois a inteligibilidade deste é tão inesgotável e infinita quanto o seu Ser, e nenhum ente finito pode abarcá-la;
c) eles não conhecem a ordem da Divina Providência, que sobrepassa toda natureza criada.
Acrescente-se a isto o fato de que os demônios (como qualquer criatura) precisam transitar da potência ao ato para atuar, na exata medida em todo ente, não sendo ato puro de ser, é composto, e tudo o que tem composição opera por meio de faculdades, e estas, por sua vez, estão em potência em relação aos seus objetos formais próprios. No caso do demônio, criatura angelical, a sua inteligência, mesmo tendo as formas inteligíveis das coisas já infundidas nela, está em potência para adquirir novos conhecimentos ou atualizar os que virtualmente já possui. Assim, pode um anjo conhecer um novo conteúdo inteligível sobrenatural, revelado diretamente por Deus, por exemplo; pode conhecer algo novo comunicado por um anjo de hierarquia superior, que conhece as mesmas coisas por meio de formas inteligíveis mais universais; etc.
Tendo em vista tudo o que foi assinalado até aqui, com relação ao modo elevado de conhecimento angélico — e portanto demoníaco —, diga-se que a criatura espiritual conhece as coisas de três formas principais: 1ª.: o já citado conhecimento presencial (a posse do inteligível hic et nunc, numa fulgurante intuição direta das essências das coisas); 2ª.: o conhecimento certo (o futuro necessário, deduzido das causas essencialmente ordenadas)1; 3ª.: e o conhecimento conjectural, também mencionado (o futuro contingente, deduzido de causas acidentalmente ordenadas). Neste último caso, é possível ao anjo errar, pois, embora as suas deduções sejam precisas ao extremo, não abarcam a completude dos modos de ser da realidade, daí Santo Tomás ter provado que somente Deus pode conhecer perfeitamente os futuros contingentes, pois tudo para a Sua inteligência é presença; só Ele, pois, é omnisciente.
Finalizando o quadro, podemos dizer que um evento futuro pode ser conhecido em si mesmo, ou nas causas de que depende. O primeiro modo só cabe a Deus, Ser perfeitíssimo e, portanto, superior a qualquer ordem temporal — pois Ele não apenas é eterno, mas é a própria eternidade sem a qual sequer poderia haver tempo, como mostra o Nougué no segundo DVD da série A Síntese Tomista, intitulado “O Tempo e a Eternidade em Santo Tomás de Aquino”. Sendo assim, o futuro para Ele não há.
Com relação ao segundo modo, vale reiterar o que ficou acima assentado, mas com outras formulações:
Ditas estas coisas, concluamos dizendo que o conhecimento do demônio acerca da natureza humana é superior ao do próprio homem, mas ainda há mais: o conhecimento presencial dos demônios acerca de um enorme conjunto de acidentes individuantes deste ou daquele homem é também elevadíssimo. Por exemplo, ao contemplar um indivíduo qualquer, um demônio — cuja inteligência não possui o obstáculo da matéria — conhece todos os seus detalhes corporais (ex.: se há alguma artéria entupida, a quantidade de sangue circulante no corpo, os dentes bons e cariados, etc.).
Ora, como boa parte dos pecados têm ressonância no corpo, um demônio com poucas informações consegue muitas vezes ter a clara visão da situação espiritual de um homem (se é tendente à gula, à luxúria, à ira, etc.). Daí que, conhecendo essas tendências viciosas, bastará a ele apresentar ou sugerir as imagens que induzirão o homem a atualizá-las.
O que os satanazes não podem, de maneira alguma, é prever com grau máximo de certeza se o homem tentado cairá ou não, pois, como ficou acima dito, só Deus conhece os futuros contingentes.
(continua)
[1] Quem me adverte com relação ao conhecimento certo (intermediário entre o presencial e o conjectural) é também o nobre amigo Luiz Astorga, que atualmente está se doutorando com uma tese sobre o estatuto ontológico das formas inteligíveis angélicas. Um tomista de quem todos ainda ouviremos muito falar no Brasil.
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Fonte: Contra Impugnantes
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Fonte: FSSPX
pelo editorial de dici.org
Anunciada pelo Cardeal Tarcisio Bertone em 30 de Dezembro de 2007, a Instrução Universae Ecclesiae, sobre a aplicação do Motu Proprio Summorum Pontificum (7 de Julho de 2007), foi publicada em 13 de Maio de 2011 pelo Pontifícia Comissão Ecclesia Dei.
O documento, assinado pelo Cardeal Willian Levada da Congregação para a Doutrina da Fé e por Dom Guido Pozzo, Secretário da Comissão Ecclesia Dei, é publicado depois que os bispos do mundo inteiro dirigiram a Roma o balanço dos três anos decorridos desde a publicação do Motu Proprio, conforme o desejo expresso por Bento XVI na carta de acompanhamento de 7 de Julho de 2007.
Este importante atraso demonstra quantas dificuldades encontrou, junto dos bispos, a aplicação de Summorum Pontificum. De tal modo que Universae Ecclesiae tem como objetivo oficial «garantir a interpretação correta e a justa aplicação do Motu Proprio Summorum Pontificum» (nº 12), mas também e, sobretudo, facilitar a sua aplicação, que os Ordinários só consentem com parcimônia. O intervalo de tempo previsível entre o direito da Missa Tradicional, reconhecido pelo Motu Proprio, e o fato desse reconheccimento pelos bispos, tinha sido anunciado por Dom Fellay na sua Carta Aberta aos Benfeitores de 7 de Julho de 2007.
Esta situação de fato, obriga o documento romano a relembrar certos pontos:
a) Oferecer a todos os fiéis a Liturgia Romana no usus antiquior, como tesouro a conservar preciosamente;
b) Garantir e assegurar realmente o uso da forma extraordinária a todos os que o peçam, sendo entendido que o uso da Liturgia Romana em vigor em 1962 é uma faculdade dada para o bem dos fiéis e, portanto, a interpretar no sentido favorável aos fiéis, que são os seus principais destinatários;
c) Favorecer a reconciliação no seio da Igreja (nº 8).
Do mesmo modo, por motivo dos litígios levantados pela pouca boa-vontade dos bispos na aplicação do Motu Proprio, a Instrução dota a Comissão Ecclesia Dei de poder reforçado:
Prevendo um recuso possível:
Assim, convirá observar com cuidado, nos meses vindouros, se estas disposições se revelam eficazes e se o fato dos bispos se alinha realmente pelo direito que a Comissão Ecclesia Dei está encarregada de fazer respeitar.
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Muito atento às oposições e cuidadoso no cuidar de pontos de vista divergentes, o documento romano tem um carácter diplomático facilmente perceptível. Assim, podem verificar-se vários paradoxos que, apesar do declarado desejo de unidade, revelam as dissenções que é preciso ter em conta:
A este propósito, o texto lembra a legislação pós-conciliar, que suprimiu as Ordens Menores e o subdiaconato. Os candidatos ao Sacerdócio são incardinados somente quando do diaconato; contudo, poderá no rito antigo ser conferida a tonsura, as Ordens Menores e o subdiconato, sem, todavia, lhes reconhecer o menor valor canônico. Este ponto opõe-se, claramente, ao princípio lembrado, no nº 13, sobre a adesão aos «usos recebidos universalmente da Tradição Apostólica ininterrupta».
Notar-se-á, aqui, uma gradação: a Instrução fala de “validade” ou de “legitimidade”, onde a Carta de Bento XVI aos Bispos, de 7 de Julho de 2007, reclamava um «reconhecimento do valor da santidade» do Novus Ordo Missae e a não exclusividade da celebração tradicional. Não é menos provável que este nº 19 forneça aos bispos a possibilidade de neutralizar eficazmente a Instrução, paralisando o seu desejo de uma larga aplicação do Motu Proprio «para o bem dos fiéis» (nº 8).
Certos apressados comentários fizeram crêr que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X estava também excluída, por razão da sua oposição ao Pontífice Romano, o que não é exato, pois o levantamento das “excomunhões” dos seus bispos foi feito porque Roma considerou, precisamente, que eles não se opunham ao primado do Papa. Com efeito, o decreto de 21 de Janeiro de 2009 retomava os termos de uma carta de 15 de Dezembro de 2008, dirigida por Dom Fellay ao Cardeal Castrillón Hoyos: «crendo firmemente no primado de Pedro e nas suas prerrogativas».
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Os paradoxos desta Instrução traduzem os compromissos diplomáticos assumidos para facilitar a aplicação, até agora muito laboriosa, do Motu Proprio Summorum Pontificum, mas repousam, essencialmente, na reiterada afirmação da continuidade doutrinal entre a Missa Tridentina e o Novus Ordo Missae: «Os textos do Missal Romano do Papa Paulo VI e da última edição daquele do Papa João XXIII são duas formas da Liturgia Romana, respectivamente chamadas ordinária e extraordinária: trata-se de duas formas justapostas do único Rito Romano. Uma e outra forma exprimem a mesma lex orandi da Igreja (nº 6).
Ora, neste ponto não se pode senão verificar oposição entre dois Prefeitos sucessivos da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Alfredo Ottavianni, no seu Breve Exame Crítico da Nova Missa, e Cardeal William Levada, signatário da presente Instrução.
No seu estudo, entregue a Paulo VI em 3 de Setembro de 1969, o Cardeal Ottaviani escreveu: «O novo Ordo afasta-se, de maneira impressionante, no seu conjunto como em pormenor, da teologia Católica da Santa Missa, definida para sempre pelo Concílio de Trento». E o Cardeal Alfonso Maria Stickler, bibliotecário da Santa Igreja Romana e arquivista dos Arquivos Secretos do Vaticano, escrevia em 27 de Novembro de 2001, por ocasião ds reedição do Breve Exame Crítico dos Cardeais Ottaviani e Bacci: «A análise do Novus Ordo feita por estes dois Cardeais não perde nada do seu valor nem, infelizmente, da sua atualidade… Os resultados da reforma são hoje julgados devastadores por muitos. Foi mérito dos Cardeais Ottaviani e Bacci descobrir muito cedo que a modificação dos ritos desembocava numa mudança fundamental da doutrina.»
É muito em razão das graves carências do Novus Ordo Missae, e das reformas introduzidas sob Paulo VI, que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X se interroga seriamente, pelo menos, sobre a «legitimade da Santa Missa ou dos sacramentos celebrados segundo a forma ordinária» (nº 19), ou até mesmo sobre a validade do princípio, tão difícil é, como tinha notado em 1969 o Cardeal Ottaviani, considerar a Missa de São Pio V e a de Paulo VI na mesma «tradição apostólica ininterrupta» (nº 3).
Ninguém duvida que a Instrução Universae Ecclesiae, que se inscreve na linha do Motu Proprio Summorum Pontificum, constitua uma etapa importante no reconhecimento dos direitos da Missa Tradicional; mas, as dificuldades de aplicação que a Instrução se esforça por retirar, não o serão plenamente senão pelo estudo da divergência profunda, não tanto entre a Fraternidade São Pio X e a Santa Sé, como entre a Missa Tradicional e o Novus Ordo Missae. Divergência que não pode ser objeto de um debate sobre a forma (“extraordinária” ou “ordinária”), mas sobre o fundo doutrinal.
DICI n°235 – 19/05/11
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Palestrante: Prof. Sidney SilveiraProgramação:
9h às 12h: A Metafísica do Pecado (da impecabilidade de Deus à realidade do homem caído);
14h às 17h: Os princípios metafísicos da ordem moral
18h: Santa Missa no Rito Tridentino
Informações e inscrições pelo email: evento_tomista@hotmail.com
Investimento: R$ 50,00 — incluso material didático e brunch
Local do Evento: Colégio Maria Imaculada - Av. Bernardino de Campos, 79 (Próximo ao metrô Paraíso).
Fonte: Fratres in Unum
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Fonte: Escravas de Maria
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Fonte: Escravas de Maria
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Rússia na mensagem de Fátima
O Coração de Maria e o Santo Rosário
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Fonte: SPES
Frederico de Castro
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Fonte: Contra Impugnantes
Sidney Silveira
De acordo com alguns dos maiores teólogos da história da Igreja, entre os motivos pelos quais Deus permite a possessão diabólica estão:
a) o aumento da glória de Deus[1], devido ao fato de que, por meio dos possessos, se manifestam de forma patente as perfeições e a autoridade divina; b) a manifestação da verdade da Religião Católica (a verdadeira religião), pois somente ela é dotada de poder sobre as forças infernais, por delegação direta de Cristo; c) o castigo dos pecadores, em especial dos mais obstinados que pecam contra o Espírito Santo; d) o proveito espiritual dos bons, ou seja, dos justos; e) os ensinamentos que se extraem de cada caso de possessão, tanto acerca do mundo espiritual como a respeito da condição humana.[2]
Da parte do Lúcifer e de todos os seus seguidores, a causa da possessão é simplesmente o imenso ódio que os demônios têm dos homens e o prazer que sentem ao perdê-los, ao retirá-los do caminho conducente ao céu. Vale dizer que os demônios, se não fossem limitados por Deus, perderiam a humanidade inteira, em razão de sua absoluta superioridade ontológica em relação a nós, nesta gradação de ser que vai da matéria prima ao Ato Puro da essência divina.
Como ficou anteriormente assentado, a possessão é uma das quatro formas de ação diabólica sobre o homem, e, em boa parte dos casos, dão-se algumas predisposições humanas para que se chegue a tal ponto. A principal é a seguinte: o indivíduo que leva uma vida de pecado em matéria grave acaba transformando-se em merecedor desta triste condição de endemoniado, embora não se deva pressupor que a possessão represente sempre um castigo dos pecados do possesso; não foi tão rara na história da Igreja a possessão de homens justos e bons, para se cumprirem alguns dos motivos acima arrolados da permissão divina para esse tipo de mal. A propósito, é sobre as almas boas que o demônio preferiria agir sempre, pois o pecador em estado de pecado mortal habitual já está, de alguma forma, sob o domínio satânico, razão pela qual é justamente contra os que buscam a santidade que o Maligno mais gosta de agir.
Com relação ao modo da possessão diabólica, diga-se que ele está circunscrito ao que a sua forma entitativa é capaz de atualizar, na ordem do ser. Assim, por exemplo, tendo as criaturas espirituais domínio sobre a matéria – que, em sentido metafísico, é absolutamente inerte, pois não pode passar por si mesma da potência ao ato –, elas conseguem realizar quaisquer movimentos locais sem a menor dificuldade. Assim, os demônios podem mover objetos de um lugar a outro, para sugestionar uma alma que esteja sob o influxo da infestação local. Observe-se que este domínio sobre a matéria é extrínseco, ou seja, não é dado aos entes espirituais criar a matéria nem mudar a substância de forma direta e imediata. Como salientam alguns teólogos e exorcistas, os demônios podem mudar internamente a matéria tão-somente de forma indireta e mediata, ou seja, alterando a qualidade das substâncias pela mescla de elementos.
No caso do homem, também a ação satânica é direta e imediata apenas sobre o corpo e suas potências, sendo indireta e mediata sobre a alma. Em síntese, o demônio influencia a alma só a partir daquilo em que ela é dependente do corpo para atuar. Assim, ele é capaz de trabalhar sobre a imaginação (sentido corporal interno) sugerindo formas que possam causar medo, desejo, ira, etc., e desta forma predispor a vontade a escolher mal, obliterada por paixões. Mas não pode o demônio agir diretamente sobre a vontade, razão pela qual não está em seu poder obrigá-la a querer pecar, mas apenas induzi-la a fazê-lo atuando sobre o corpo predispositivamente. Por exemplo: o demônio pode acelerar os batimentos cardíacos de uma pessoa e dar a ela a sensação de morte iminente, para induzi-la a cometer algum pecado específico sobre o influxo do medo – que, como se diz neste conto, em geral não é outra coisa senão um desgoverno na imaginação.
Dadas estas premissas, reiteremos: os demônios só podem exercer alguma influência sobre as atividades intelectivas e volitivas humanas de forma indireta e limitada.
No próximo texto, veremos de que forma estas criaturas espirituais maléficas podem atuar sobre a inteligência e a vontade do homo viator, deste peregrino pelo vale de lágrimas que é o mundo.
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[1] Diga-se que, sendo Deus absolutamente glorioso, em si mesma a Sua glória não pode aumentar. O que aumenta é o que os teólogos chamam de glória extrínseca, ou seja, a glória que os homens tributam a Deus, embora Ele não necessite dela.
[2] Estes são apenas os principais motivos da permissão divina para a possessão. Alguns teólogos enumeram outros motivos, como: 1- para que as pessoas próximas ao possesso se arrependam e se convertam; 2- para manifestar a omnipotência e a misericórdia divinas; 3- para provar os eleitos em sua santidade; 4- para humilhar o demônio; 5- para mostrar aos homens que os demônios existem e que é necessário se precatar contra eles; 6- para evitar o aumento da culpa do endemoniados; 7- etc.
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